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Nova interpretação do calendário maia diz que o mundo acabará na próxima semana! Será verdade?

Conspirações

Nova interpretação do calendário maia diz que o mundo acabará na próxima semana! Será verdade?

Nova interpretação do calendário maia diz que o mundo acabará na próxima semana! Será verdade?

Recentemente, o site do jornal “Metro”, cuja responsabilidade é do Grupo Bandeirantes e da Metro International, disseminou um texto bem alarmista e conspiratório (arquivo). Intitulado “‘O fim do mundo’ será na próxima semana: isso é indicado em leitura alternativa do calendário Maia“, o artigo citava um “cientista” chamado Paolo Tagaloguin.

Baseado em cálculos relacionados a uma mudança no calendário que atualmente usamos, Paolo alegou que não estaríamos em 2020, mas em 2012! Assim sendo, voltando a considerar o famigerado calendário maia, o mundo estaria perto do fim!

Trecho inicial do artigo publicado no site do jornal “Metro”.

Ah, é interessante destacar aque o texto publicado no site do jornal “Metro”, no dia 13 de junho de 2020, é uma cópia meramente traduzida do texto que foi publicado naquele mesmo dia pelo jornal chileno Publimetro, cuja responsabilidade é da Metro International. Por sua vez, o Publimetro baseou seu texto num artigo do site do jornal “New York Post”, também naquele dia, que acabou utilizando como fonte um artigo publicado, no dia anterior (12), no tabloide britânico “The Sun”.

Entretanto, será que estamos realmente próximos do fim? Descubra agora, aqui, no E-Farsas!

Verdadeiro ou Falso?

Falso! Toda essa história é um dantesco engodo!

Em primeiro lugar, os cálculos não possuem nenhum fundamento! Em segundo lugar, o calendário maia nunca previu o fim do mundo, visto que ele difere do nosso calendário pela sua concepção de tempo. Para nós, o tempo é algo que começou em algum momento e segue continuamente, sem parar. Contudo, para a civilização maia o tempo era cíclico: um evento que ocorreu no passado vai se repetir. Lá em 2012 encerrou-se apenas um mero ciclo para iniciar outro (o calendário “resetou”).

Além disso, segundo arqueólogos e cientistas que trabalham no estudo de civilizações antigas, os maias não faziam profecias e muito menos queriam deixar previsões para gerações futuras.

Enfim, a seguir vamos destrinchar com mais calma essa história para vocês!

Quem é Paolo Tagaloguin?

Foto utilizada por Paolo em sua conta no Twitter.

Ao recebermos a sugestão para fazer um artigo sobre assunto, um usuário virou para nós e disse que tudo isso havia sido mencionado por um cientista. Na verdade, não é bem assim. O “The Sun” simplesmente copiou os tuítes de um cidadão chamado Paolo Montaño Tagaloguin, um suposto acadêmico filipino do programa Fulbright, e biólogo/pesquisador da Universidade do Tennessee, em Knoxville, nos Estados Unidos.

Os tuítes de Paolo não existem mais, assim como seu perfil no Twitter! Tudo o que sabemos sobre ele está numa versão arquivada do seu perfil, cujos últimos tuítes datam de maio de 2020! Encontramos referências sobre Paolo no site da universidade, no site do programa Fullbright das Filipinas, no Likedin, assim como no Google Imagens.

Paolo não tem nenhuma formação em Arqueologia, Antropologia e, aparentemente, não tem nenhum estudo relacionado a civilização maia.

A impressão que temos é que o “The Sun” aproveitou os tuítes de Paolo tentando atribuir alguma credibilidade. Basicamente, tentaram fazer com que os leitores engulissem cálculos infundados ao alegar que teriam sido feitos por um cientista. Péssimo para Ciência, ainda mais péssimo para o Jornalismo.

Os Cálculos Absurdos e Totalmente Aleatórios

Para justificar toda essa insanidade, eis o que foi mencionado:

Entre em contato com o E-farsas

(11) 96075-5663 - t.me/efarsas

Após o calendário juliano, estamos tecnicamente em 2012. O número de dias perdidos em um ano devido à mudança no calendário gregoriano é de 11 dias. Considerando 268 anos usando o calendário gregoriano (1752-2020) por 11 dias = 2.948 dias. 2.948 dias por 365 dias (por ano) = 8 anos

Há inúmeros problemas em toda essa história, mas o pior dos problemas talvez seja na migração do calendário juliano para o gregoriano.

Um Dantesco Problema

Em 1582, o Papa Gregório XIII, aconselhado pelos astrônomos, decretou que quinta-feira, 4 de Outubro de 1582 seria imediatamente seguido de sexta-feira 15 de Outubro para compensar a diferença acumulada ao longo de séculos entre o calendário juliano e as efemérides astronômicas. Resumindo, a mudança resultou numa diferença de apenas 10 dias.

Em 1582, o Papa Gregório XIII, aconselhado pelos astrônomos, decretou que quinta-feira, 4 de Outubro de 1582 seria imediatamente seguido de sexta-feira 15 de Outubro para compensar a diferença acumulada ao longo de séculos entre o calendário juliano e as efemérides astronômicas.

Só que tem um problema dantesco nessa história! A mudança do calendário juliano para o calendário gregoriano não teve lugar ao mesmo tempo em todo o mundo! O calendário gregoriano foi imediatamente adotado na Espanha, Itália, Portugal e Polônia. Na França, o rei Henrique III decretou o ajuste dos dias em dezembro. A adoção do calendário na Grã-Bretanha e suas colônias ocorreu apenas 1752 (subtração de 11 dias)! Na Rússia, isso só ocorreu após a Revolução de 1917 (subtração de 13 dias)!

Para alegar que estamos em 2012, o tal Paolo se baseou deliberadamente na data de mudança na Grã-Bretanha e suas colônias! Se fôssemos considerar a data da mudança na Espanha ou na Rússia, nada disso teria efeito! Quer dizer o mundo acaba, mas não acaba na Espanha ou na Rússia?

E o Cálculo de 8 anos? Faz Algum Sentido?

Lógico que não! Em primeiro lugar, houve apenas a subtração de uma pequena quantidade de dias, uma única vez, em relação a cada país e o período de sua adoção! Em segundo lugar, a data de 21 de dezembro de 2012 já estava convertida do calendário juliano para o gregoriano no calendário maia usado na previsão original, que nunca foi apocalíptica. Portanto, nada nessa história faz sentido.

Além disso, já existiram e ainda existem inúmeros calendários ao redor do mundo, que possuem referências muito diferentes daquelas que usamos. Por exemplo, o atual ano islâmico é 1441. No calendário chinês estamos em 4718. Já no calendário juche estamos no ano 109! Se fôssemos usar cada um desses calendários o mundo acabaria em datas diferentes, não é mesmo?

A Imagem Utilizada no Artigo do Site do Jornal Metro

Os responsáveis pelo artigo publicado no site do jornal Metro provavelmente não conhecem a civilização maia. Se conhecessem saberiam, por exemplo, que a imagem utilizada para ilustrar não representa a civilização maia. É a Pedra do Sol, uma escultura asteca pós-clássica tardia abrigada no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México.

A Pedra do Sol dos astecas.

A Base Desinformativa Dessa História Já Vinha Sendo Disseminada no Facebook

No dia 3 de junho de 2020, uma página no Facebook chamada “Teorias Insanas do Mundo Geek” propagou a base dessa desinformação, ou seja, que estaríamos no ano de 2012, no formato de “meme” (arquivo). Aparentemente, não houve nenhuma preocupação da página em informar corretamente seus seguidores, visto que apenas incluíram um comentário para promover um vídeo no YouTube sobre “Resident Evil” e o “UCM”.

É deprimente ver como mentiras são utilizadas para alavancar outros conteúdos e, em alguns casos relacionados a outras páginas/perfis, de vitrine para a divulgação de produtos e serviços de terceiros! Enfim, o conteúdo altamente desinformativo, travestido de humor, já obteve mais de 37 mil compartilhamentos e quase 5 mil reações.

O conteúdo altamente desinformativo, travestido de humor, já obteve mais de 37 mil compartilhamentos e quase 5 mil reações.

Conclusão

Falso! Toda essa história é um dantesco engodo! Em primeiro lugar, o calendário maia nunca previu o fim do mundo, tampouco a civilização maia fazia quaisquer profecias. Em segundo lugar, os cálculos não possuem nenhum fundamento, e as datas utilizadas foram deliberadamente escolhidas para que pudessem se encaixar numa narrativa apocalíptica.

Não há nenhuma ciência envolvida nessa história, logo não se deixem enganar por títulos fantasiosos ou atribuições incorretas.

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5 Comentários

5 Comments

  1. Maria

    16 de junho de 2020 em 0:33

    Parece que o pessoal ainda se confunde sobre civilizações Astecas, Maias e Incas. NUNCA li ou ouvi esse negócio de “fim de mundo” em aulas de História e/ou em livros certificados educacionais e, de acordo com o link fornecido pelo e-Farsas, a professora de História Juliana Bezerra (PUC-RJ) disse que tratou-se apenas de um erro de interpretação/tradução. Mas pronto! Foi o suficiente para gerar TEORIAS CONSPIRATÓRIAS e todas essas PORCARIAS FANTASIOSAS APOCALÍPTICAS. Além do mais, para que serve ou qual a função de um CALENDÁRIO, independentemente de sua origem? Para marcar/registrar o tempo, eventos cívicos, religiosos, festivos e, principalmente, saber (ou tentar saber) quando PLANTAR e COLHER, pois tais civilizações antigas tinham como base econômica a AGRICULTURA. 😉

    • WASP

      21 de junho de 2020 em 15:34

      Em resumo:

      Os Maias eram Astecas, e viveram no México.

      Os Incas, no Peru.

      Eram as maiores civilizações das Américas, mas tinham outras menores e menos desenvolvidas.
      Dos Tupis aos Sioux.

  2. 435

    16 de junho de 2020 em 8:50

    Para meteoros,recomendo guarda-chuva,para virus zumbi,recomendo o xarope da mãe do Cris,para guerra nuclear,recomendo protetor solar,para invasão alienígena,recomendo área 51,para a chegada de algum deus,recomendo apelar para o satanás,para qualquer problema recomendo ligar para os illuminati/maçons,eles sabem resolver,ou se esconda dentro da terra oca,ou se esconda em baixo da terra plana,mas não se preocupe a lua e de queijo,de fome agente não morre.😁😂😂😂😂😅😅😅😅😅😅😜😜😜😜😜😜

    • Maria

      16 de junho de 2020 em 13:20

      @435 KKKKKKKKKKKKKKKK! 😀

  3. Pingback: O fim dos tempos é no domingo? Nova teoria vira meme nas redes sociais - Pátio Hype

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