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A nova vacina contra o coronavírus é feita com fetos humanos abortados?

Falso

A nova vacina contra o coronavírus é feita com fetos humanos abortados?

A nova vacina contra o coronavírus é feita com fetos humanos abortados?

É verdade que uma nova vacina promissora contra o coronavírus possui células feitas com restos de fetos humanos abortados?

A notícia surgiu em vários sites e blogs na segunda quinzena de julho de 2020 e também foi bastante compartilhada através das redes sociais. De acordo com o texto, algumas empresas estariam usando células de bebês abortados em sua composição. 

Em algumas versões compartilhadas no Facebook, os laboratórios responsáveis pelo desenvolvimentos das vacinas contra o coronavírus adotadas no Brasil teriam cultivado o vírus em linhagem celular retirada do tecido de fetos abortados e que seria a mesma utilizada para adoçar o refrigerante Pepsi-Cola.

Será que isso é verdade ou mentira?

A vacina do coronavírus é feita de fetos humanos! Será verdade? (foto: Reprodução/Facebook)

Verdade ou mentira?

Ao afirmar (e compartilhar essa afirmação) que uma vacina está sendo feita com fetos humanos abortados, pode-se passar uma informação equivocada de como realmente se fazem os testes e pesquisas para se chegar a uma vacina.

Conforme explicou o caderno de Bioética da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, algumas das vacinas atualmente usadas para prevenir doenças como rubéola, sarampo, raiva, poliomielite, hepatite A, e varíola são produzidas usando tecidos de abortos humanos em fases de testes.

No entanto, a maioria dessas células é derivada de uma cultura retirada de um aborto legalizado cujo procedimento ocorreu em 1962, na Filadélfia. Outra fonte de células é de uma cultura chamada HEK 293, criada em 1973 por Graham left Leiden, na Universidade canadense McMaster. 

Conforme explicado no site Meio Bit, a tal linhagem deriva de um feto abortado na Holanda no mesmo ano!

Pra quem os cientistas usam essas células?

Em resumo, as vacinas são feitas de vírus (ou pedaços deles) atenuados que são introduzidos no corpo do paciente com o objetivo de ativar as defesas do corpo contra esse vírus sem ficar doente. Com isso, o organismo do paciente cria um tipo de “memória imune” a essa doença específica e, da próxima vez que entrar em contato com o vírus vivo, ele não poderá infectá-lo!

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O caminho para se desenvolver uma vacina é longo e cheio de testes e uma das formas de se testar uma nova vacina sem precisar sacrificar tantos animais é cultivá-los em células no laboratório. O vírus precisa se desenvolver em algum lugar, né? Daí a importância dessas células. É nelas que os vírus são cultivados, mas daí afirmar que as vacinas são feitas de fetos humanos é um grande pulo…

Remédios também

É importante lembrar que não só as vacinas como também quase todos os remédios que são vendidos nas farmácias foram testados em algum momento em células como essas (até mesmo a famosa cloroquina foi testada em células).

Outra linhagem de células bastante usada em laboratórios no mundo todo é a HeLa! Essa cultura é derivada de um tumor na coluna cervical de Henrietta Lacks, que morreu em 1951, aos 31 anos.

Mas e a Pepsi?

O boato que afirma que a Pepsi usa células de fetos abortados para adoçar seus refrigerantes não é recente. Ganhou força em 2019 através de compartilhamentos nas redes sociais e, na época, já era um rumor requentado de 7 anos antes

Em 2011, um grupo antiaborto norte-americano descobriu um contrato entre a PepsiCo e uma empresa de biotecnologia chamada Senomyx e que ela desenvolvia novos sabores e fragrâncias para companhias de alimentos, e produtos de limpeza com o uso de culturas in vitro de células do tipo HEK-293 (aquelas que já falamos lá em cima, que são derivadas de células de 1973, lembra?).

Essa entidade antiaborto ficou no pé da Pepsi por alguns bons meses, até que no ano seguinte, em 2012, parou com o boicote à Pepsi depois receber uma resposta oficial da companhia.

A Pepsi disse em nota na ocasião que não pesquisava e tampouco financiava estudos que utilizam tecidos humanos ou culturas de células derivadas de embriões ou fetos.  

Conclusão

As vacinas não são feitas com fetos humanos abortados. Na verdade, alguns laboratórios usam em algumas das fases de testes culturas derivadas de células de embriões de abortos de décadas atrás. No Brasil, o artigo 5° da Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005), permite utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro para fins de pesquisa e terapia.

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