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Jorginho e Clezão foram presos sem provas de terem participado dos atos golpistas de 8 de janeiro?

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Jorginho e Clezão foram presos sem provas de terem participado dos atos golpistas de 8 de janeiro?

É verdade que o agricultor e o comerciante teriam sido condenados a 17 anos de prisão cada, mesmo sem provas de que eles tenham participado dos atos criminosos de 8 de janeiro em Brasília?

A alegação começou a circular na segunda semana de 2024, sendo bastante compartilhada no Twitter e em vídeos no YouTube. De acordo com o que se espalhou, o agricultor Jorginho Cardoso de Azevedo e o empresário Cleriston ‘Clezão’ Pereira da Cunha teriam sido condenados a 17 anos de prisão cada um por tentativa de golpe de estado, mesmo sem encontrarem nenhuma prova contra eles.

Clezão, segundo o que foi compartilhado, teria sido preso injustamente, pois ele sequer estava no meio dos criminosos que invadiram e depredaram os prédios da Praça dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023. Jorginho também teria sido vítima do Estado, pois – de acordo com publicações feitas nas redes sociais – não há provas contra ele.

Será que isso é verdade ou mentira?

Uma das publicações feitas no Twitter que afirma que o sujeito foi preso sem provas e sem direito à defesa! (foto: Reprodução/Twitter)

Verdade ou mentira?

Como podemos observar na condenação do senhor Jorginho Cardoso de Azevedo, ele foi preso em flagrante por:

  • Associação criminosa armada
  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima
  • Deterioração de patrimônio tombado

Na página 2 da sentença, o documento explica que:

“O réu foi citado em 20/6/2023 (eDoc. 29) e apresentou defesa prévia em 29/6/2023, oportunidade em que arrolou as mesmas testemunhas da acusação (eDoc. 34).”

Ou seja, o acusado teve as devidas oportunidades de se defender, o que significa que houve julgamento. Diferente do que andam espalhando por aí.

Na página 34, o processo mostra que Jorginho estava, sim, entre os criminosos que invadiram o Palácio do Planalto, como podemos ver nas fotos abaixo:

(Foto: Reprodução/STF)

E aqui, o invasor posa sentado em uma mesa dentro do Palácio do Planalto:

Jorginho sentado em uma mesa numa das salas invadidas pelos golpistas em 8/01 (foto: Reprodução/STF)

Conforme apuração feita pela Polícia Civil do Distrito Federal, Jorginho foi um dos financiadores que desembolsaram milhares de reais em cada um dos ônibus contratados para levar os golpistas para Brasília em 8 de janeiro de 2023. O agricultor teria contratado, segundo a Polícia, um ônibus no Paraná por R$ 28 mil, “fazendo com que 38 passageiros chegassem em Brasília uma hora antes do início da invasão ao Congresso”. 

E quanto ao Clezão?

Diferente do que foi espalhado, Clezão – apelido do comerciante Cleriston Pereira da Cunha – também estava no local onde ocorreram os ataques golpistas contra os Três Poderes. O próprio “documentário” apresentado pelo deputado federal Nikolas Ferreira sobre as manifestações em 8/01 mostra trecho das câmeras de segurança do Senado Federal, onde podemos que ver que o sujeito estava lá no dia, cerca de uma hora antes da polícia entrar o local:

Clezão foi flagrado pelas câmeras de segurança do Senado cerca de 1 hora antes da polícia entrar o local! (foto: Reprodução/YouTube)

Na ação penal n.º 1.055, Cleriston foi indiciado pelos seguintes crimes:

  • associação criminosa armada;
  • abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • golpe de Estado;
  • dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para às vítimas;
  • deterioração de patrimônio tombado;
  • concurso de pessoas; e
  • concurso material.

Clezão faleceu após um infarto, no dia 20 de novembro de 2023, enquanto tomava banho de sol no complexo penitenciário da Papuda. A defesa do preso havia solicitado um pedido de soltura meses antes, sob a alegação de que Clezão sofria com sequelas deixadas pela COVID, mas a solicitação foi negada pelo ministro do STF André Mendonça

Conclusão

Não é verdade que os “patriotas” Jorginho e Clezão foram presos sem provas de terem participado dos atos golpistas de 8 de janeiro! Também é falsa a afirmação de que eles não estavam no meio dos golpistas que depredaram os prédios da Praça dos Três Poderes! 

Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas e, em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar é o autor do livro "Caçador de Mentiras" pela Editora Matrix e da aventura de ficção infantojuvenil "Marvin e a Impressora Mágica"!

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