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terça-feira, novembro 30, 2021

As fabricantes de 4 vacinas devem bilhões em multas processuais e por isso não são confiáveis?

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Texto compartilhado afirma que as farmacêuticas responsáveis pelas vacinas da Pfizer, da Moderna, da Johnson & Johnson e da AstraZeneca devem bilhões em processos e, por isso, suas vacinas não são confiáveis! Será?

A imagem contendo um texto a respeito da reputação de 4 fabricantes de vacinas contra o novo coronavírus se espalhou nas redes sociais – principalmente em grupos do WhatsApp – no final de outubro de 2021 e deixou muita gente preocupada com a eficácia das campanhas de vacinação.

De acordo com o texto, 4 das maiores empresas por trás de algumas das vacinas usadas no combate à pandemia da COVID-19 estariam devendo bilhões de dólares na justiça por problemas processuais em relação a problemas internos em seus medicamentos.

O texto dá a entender que nenhuma dessas empresas é confiável e, portanto as vacinas fabricadas por elas também não tem nenhuma eficácia.

Será que isso é verdade?

Texto (sem correções) de uma das versões compartilhadas em grupos do WhatsApp no final de outubro de 2021:”ESCOLHA SUA VACINA DE COVID-19 O QUE VOCÊ PRECISA SABER: Pfizer – US $ 4,7 bilhões em multas por falsas alegações, violações de segurança em medicamentos e equipamentos médicos, promoção off-label, práticas corruptas, propinas e suborno. – Moderna: Nunca colocou nenhuma vacina no mercado desde sua fundação, apesar de ter apresentado mais de 9 vacinas candidatas, nenhuma delas passou pelos testes clínicos de fase 3. – Johnson & Johnson: Citada em centenas de processos judiciais por produtos tóxicos e / ou perigosos, incluindo drogas, xampus, equipamentos médicos e talco contaminado com amianto para bebês. – AstraZeneca: Suspensa por duas dezenas de países europeus devido a reações adversas graves e letais, como coágulos sanguíneos. NÃO SE PREOCUPE, VOCÊ ESTÁ EM BOAS MÃOS! E SE VOCÊ FOR VACINADO, LEMBRE—SE DE USAR MÁSCARA E MANTER O DISTANCIAMENTO SOCIAL, POIS VOCÊ AINDA PODE ESPALHAR COVID-19. ACREDITE NA CIÊNCIA”

Verdade ou mentira?

Analisamos a seguir cada uma das alegações presentes no texto:

“Pfizer – US $ 4,7 bilhões em multas por falsas alegações, violações de segurança em medicamentos e equipamentos médicos, promoção off-label, práticas corruptas, propinas e suborno.[…]” 

Exagerado!

Em 2009, a farmacêutica Pfizer aceitou pagar US$ 2,3 bilhões em um acordo extrajudicial, após ser acusada de divulgar e vender quatro medicamentos para usos não que ainda não haviam sido regulamentados pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos.

Segundo reportagens da época, o fato foi considerado o maior caso de de fraude relacionada com saúde da história dos EUA!

Em nota, a multinacional lamentou o ocorrido e afirmou que iria tomar providências para melhorar seus controles internos. A empresa acordou em pagar uma multa de cerca de US$ 1,2 bilhão e mais US$ 1 bilhão restantes, posteriormente, para encerrar o processo.

Não encontramos outros processos que resultaram em outras multas bilionárias que chegassem ao valor de U$ 4,7 bilhões, como informado na corrente.

“Moderna – Nunca colocou nenhuma vacina no mercado desde sua fundação, apesar de ter apresentado mais de 9 vacinas candidatas, nenhuma delas passou pelos testes clínicos de fase 3.” 

Falso!

No fim de 2017, a empresa americana Moderna Therapeutics ainda era uma startup (que já valia U$5 bilhões) e já apresentava estudos promissores de vacinas, como essa contra o câncer

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Antes ainda, em 2015, a Moderna já havia firmado acordos com diversos institutos de pesquisas pelo mundo para o desenvolvimento, em conjunto, de vacinas, como essa parceria firmada com o francês Institut Pasteur.

No ano seguinte, a empresa recebeu um aporte de US$ 125 milhões para o desenvolvimento de uma vacina contra o zika vírus. Os testes em humanos começaram 2 anos depois.

Em relação à afirmação de que a Moderna teria apresentado mais de 9 vacinas contra a COVID-19, não encontramos nada a respeito. 

Outra inverdade é sobre a vacina da Moderna não ter passado pela fase 3 de testes. Em fevereiro de 2021, o imunizante passou pela terceira fase, demonstrando que a vacina da Moderna tem uma eficácia geral de 94,1%. 

“Johnson & Johnson – Citada em centenas de processos judiciais por produtos tóxicos e / ou perigosos, incluindo drogas, xampus, equipamentos médicos e talco contaminado com amianto para bebês.” 

Verdade!

Em 2020, a Johnson & Johnson foi condenada a pagar US$ 2,1 bilhões por danos causados por um talco que causa câncer de ovário. 

Não encontramos nenhuma relação entre essas multas e a vacina da empresa contra o novo coronavírus!

“AstraZeneca – Suspensa por duas dezenas de países europeus devido a reações adversas graves e letais, como coágulos sanguíneos.” 

Verdade, mas…

É verdade que a vacina da AstraZeneca foi suspensa em março de 2021. No entanto, a suspensão foi revogada uma semana depois, após comprovação da segurança do imunizante

“NÃO SE PREOCUPE, VOCÊ ESTÁ EM BOAS MÃOS! E SE VOCÊ FOR VACINADO, LEMBRE—SE DE USAR MÁSCARA E MANTER O DISTANCIAMENTO SOCIAL, POIS VOCÊ AINDA PODE ESPALHAR COVID-19. ACREDITE NA CIÊNCIA” 

Esse trecho é verdadeiro. Mesmo estando imunizado, você ainda pode ser um vetor de disseminação do vírus, pois a vacina não impede o contágio em 100%. O que foi comprovado é que o contaminado tem sintomas mais leves se estiver vacinado. 

Além disso, a máscara, a vacinação e o distanciamento social dificultam o espalhamento do novo coronavirus com suas variantes.

Conclusão

Texto que circula em grupos do WhatsApp questionando a eficácia das vacinas baseando-se na idoneidade de 4 farmacêuticas é exagerado e mistura dados reais para induzir ao leitor a ideia de que a vacinação é prejudicial à saúde!

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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