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E-farsas – Desvendando fake news desde 2002!

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Inversão dos Polos! O mundo irá acabar em 21 de dezembro de 2019?

Conspirações

Inversão dos Polos! O mundo irá acabar em 21 de dezembro de 2019?

Inversão dos Polos! O mundo irá acabar em 21 de dezembro de 2019?

Se tem algo, que é praticamente certo em todo começo de ano, é o surgimento na imprensa, principalmente internacional, de supostas profeciais de Nostradamus e Baba Vanga. Isso é bem curioso por inúmeros motivos, um tanto quanto questionáveis, envolvendo esses dois personagens, que alimentam verdadeiros contos de ficção na mídia, e relatos alarmistas em sites de cunho conspiratório (comentaremos rapidamente sobre ambos daqui a pouco).

De vez em quando, no entanto, surgem alguns personagens bem mais comuns, mas que ainda assim despertam o ávido desejo da mídia em provocar o temor nas pessoas. Exemplo disso é um cidadão norte-americano chamado David Montaigne, que vem alegando algo bem assustador: o mundo irá acabar no dia 21 de dezembro de 2019, ou melhor, “começará a acabar” em 21 de dezembro deste ano, sendo que a aniquilação da humanidade será completada em 28 de dezembro, também deste ano. Para isso, David reuniu passagens bíblicas, o calendário maia e alinhamentos planetários, que lhe apontaram a fatídica data do Julgamento Final. Porém, será mesmo que o mundo vai acabar a partir do dia 21 de dezembro de 2019? É isso que vocês conferem agora, aqui, no E-Farsas!

Uma Dose de Realidade Sobre os “Profetas” Queridinhos da Mídia Internacional: Nostradamus e Baba Vanga

Como autor, os escritos proféticos de Nostradamus eram virtualmente desconhecidos durante sua vida. Ele ganhou notoriedade ao escrever livros de receitas e almanaques, que não eram muito melhores do que os demais almanaques de sua época, porém ficou mais conhecido pelo seu livro chamado “Les Propheties“. O livro contém o que ele chamou de “centúrias” (dez conjuntos de algumas dezenas de poemas no formato de quartetos, ou seja, estrofes de quatro versos, que no caso de Nostradamus eram rimados), que foram publicadas em diversas versões durante sua vida. Devido a péssima qualidade de impressão da época (estamos falando do século XVI), todas as versões incluem vários erros ortográficos, sendo que existem muitas diferenças, mesmo entre cópias da mesma edição. Mais de 200 diferentes traduções e versões interpretadas foram publicadas desde sua morte, então seria loucura esperar encontrar o texto original de Nostradamus.

Diga-se de passagem, suas previsões astrológicas eram desastrosamente erradas, contendo erros astronômicos tão absurdos, que até mesmo demais astrólogos de sua época apontavam tais erros. Para piorar a situação, ao longo do tempo, foram surgindo traduções ambíguas e erradas, interpretações “criativas”, versos falsos e relatos fictícios, com o objetivo de alarmar as pessoas e vender livros sobre o assunto.

Como autor, os escritos proféticos de Nostradamus eram virtualmente desconhecidos durante sua vida. Ele ganhou notoriedade ao escrever livros de receitas e almanaques, que não eram muito melhores do que os demais almanaques de sua época, porém ficou mais conhecido pelo seu livro chamado “Les Propheties”. O livro contém o que ele chamou de “centúrias” (dez conjuntos de algumas dezenas de poemas no formato de quartetos, ou seja, estrofes de quatro versos, que no caso de Nostradamus eram rimados), que foram publicadas em diversas versões durante sua vida.

O maior problema com as interpretações modernas de Nostradamus é a tradução e as várias questões que ela levanta. Nostradamus escreveu em francês do século XVI, que era significativamente diferente do francês moderno. Houve várias traduções em várias ordens: primeiro encontrando significados semelhantes no francês moderno e depois traduzindo para o inglês, literal ou figurativamente; ou realizando traduções diretas, palavra por palavra, para o inglês; ou interpretando significados prováveis e depois traduzindo para o inglês ou parafraseando para o francês moderno. Ufa! Entenderam a bagunça?

Fato é que ninguém nunca usou os escritos de Nostradamus para prever um evento futuro em termos específicos, que mais tarde se tornou realidade. O que temos hoje em dia são autores ganhando dinheiro ao interpretar textos, que não retratam o que Nostradamus realmente escreveu, da forma que querem, distorcendo palavras e tentando fazer com que façam sentido no mundo moderno.

Nostradamus, por exemplo, não previu a ascenção de Adolf Hilter, o atentado terrorista às Torres Gêmeas (11 de Setembro), e muito menos a “Terceira Guerra Mundial”. Aliás, muitos sites de notícias são tão sensacionalistas que, todo ano eles dizem, que Nostradamus previu a “Terceira Guerra Mundial” para aquele determinado ano. Isso aconteceu em 2017, 2018, e agora, em 2019.

Nostradamus, por exemplo, não previu a ascenção de Adolf Hilter, o atentado terrorista às Torres Gêmeas (11 de Setembro), e muito menos a “Terceira Guerra Mundial”. Aliás, muitos sites de notícias são tão sensacionalistas que, todo ano eles dizem, que Nostradamus previu a “Terceira Guerra Mundial” para aquele determinado ano. Isso aconteceu em 2017, 2018, e agora, em 2019.

Já no caso de Baba Vanga (“баба Ванга”), a situação é ainda pior. Ela realmente existiu, se chamava “Vangelia Pandeva Dimitrova” (“Вангелия Пандева Димитрова”), era cega, viveu boa parte de sua vida Bulgária, e morreu em 1996, aos 85 anos de idade. Contudo, ela nunca fez previsões sobre acontecimentos futuros sobre a humanidade, e muito menos sobre guerras mundiais ou fim do mundo. Ela prestava uma espécie de aconselhamento espiritual, e ajudava as pessoas em dificuldade em sua comunidade, sendo muito reverenciada por isso. De vez em quando o nome “Vera Kochovska” é mencionado pela imprensa, porém se refere a uma outra senhora, que morreu em 2011, e era considerada uma “sucessora legítima” da Baba Vanga.

Em 2010, o site do jornal búlgaro 24 Chasa, chegou a entrevistar uma das amigas de Baba Vanga, chamada Boyka Kostadinova, que na época tinha por volta de 50 anos. Ela deixou bem claro que, apesar de Baba Vanga ter oferecido aconselhamentos e ajudado milhares de pessoas, ninguém ouviu uma única palavra dela sobre o fim do mundo. Aliás, ela ainda disse, que as pessoas estavam dizendo coisas (demais previsões), que Baba Vanga jamais havia feito, e que isso só estava acontecendo, porque ela estava morta e não tinha como se defender de tais acusações. É importante citar nesse ponto, que tais previsões ou profecias, que não existem quaisquer provas que realmente foram feitas por Baba Vanga, começaram a surgir apenas após sua morte.

Já no caso de Baba Vanga (“баба Ванга”), a situação é ainda pior. Ela realmente existiu, se chamava “Vangelia Pandeva Dimitrova” (“Вангелия Пандева Димитрова”), era cega, viveu boa parte de sua vida Bulgária, e morreu em 1996, aos 85 anos de idade. Contudo, ela nunca fez previsões sobre acontecimentos futuros sobre a humanidade, e muito menos sobre guerras mundiais ou fim do mundo

Resumindo? Baba Vanga não previu absolutamente nada do que alegam, e absoluta maioria das histórias que contam sobre sua vida (suposto encontro com Hitler, previsão da morte de Stalin, que ficou cega após uma tempestade de areia etc…) são falsas. Enfim, de qualquer forma, vocês continuarão vendo sites e canais no YouTube propagando indiscriminadamente tais mentiras por muito tempo.

Um Cidadão Chamado David Montaigne e sua Previsão Para o Fim do Mundo a partir de 21 de dezembro de 2019

Logo nos primeiros dias de 2019, David Montaigne se tornou o assunto preferido de alguns tabloides britânicos (entre eles o Daily Mirror, e o famigerado Daily Express), de sites portugueses de notícias (entre eles o Observador, Sapo, e TVI24), além de alguns sites habituados a divulgar conteúdo conspiratório ou de cunho supostamente ufológico (assim como o “UFO Spain” e o “OVNI Hoje“). Tais sites foram bem generosos ao chamar David de “investigador”, “pesquisador” e “autor de livros”. Prefiro chamar David apenas de cidadão, e no próximo parágrafo vou explicar o porquê.

Em seu blog, que possui o sugestivo nome de “End Times Prophecy“, David Montaigne menciona que é um ávido leitor, investigador, estudioso de profecias e autor de vários livros. Ele alega ser graduado em História, pela Universidade Estadual da Pensilvânia, pai de três filhos, eletricista profissional, cozinheiro amador, pescador, e que mora em algum lugar do condado de Lancaster, na Pensilvânia. David também diz ser fruto de dois professores da Filadélfia, de diferentes origens religiosas, que foi criado para respeitar a “sabedoria antiga”, e “aprendeu a não encobrir as pistas científicas e matemáticas da Bíblia ou de outros textos antigos.” Para completar, David alega ter percorrido o mundo atrás de respostas, mas que agora faz isso a partir de sua própria casa.

David Montaigne menciona que é um ávido leitor, investigador, estudioso de profecias e autor de vários livros.

De qualquer forma, as informações sobre a vida de David Montaigne são muitos escassas e atualmente inverificáveis, razão pela qual prefiro chamá-lo de cidadão. A única fonte que fornece maiores detalhes sobre a vida de David é um pequeno artigo publicado em novembro de 2012, no site do jornal “Lancaster Online. Ainda assim, David acredita, por exemplo que Baba Vanga previu acontecimentos futuros em relação a humanidade. Se fosse realmente um investigador ou pesquisador saberia que isso é mentira.

Um dos livros, que David escreveu, chama-se “End Times and 2019: The End of the Mayan Calendar and the Countdown to Judgment Day” (“Fim dos Tempos e 2019: O Fim do Calendário Maia e a Contagem Regressiva para o Dia do Julgamento“, em português). A premissa básica do livro, que foi publicado em fevereiro de 2013, é que muitas fontes antigas (especialmente a Bíblia) teriam dado avisos detalhados sobre o fim do mundo em seus livros, mitos e monumentos. As pistas mais claras seriam as astronômicas, ou seja, descreveriam como o céu noturno parecia em suas visões do fim do mundo. Assim sendo, com um software astronômico moderno (sem citar qual software ele utiliza), David disse que é possível procurar por datas futuras, que coincidam com tais descrições das posições dos corpos celestes no céu.

Na prática, David pinça algumas “traduções de traduções” de versículos bíblicos, de diversas partes da Bíblia, e tenta unir tais versículos a partir do que ele considera como coincidências, de modo que façam algum sentido, ao menos para ele. David, por exemplo, cita a criação do Estado de Israel, em 1948, e faz uma verdadeira “salada de versículos proféticos”, pressupondo que a Bíblia tenha supostamente mencionado no Livro de Salmos, que uma geração tenha entre 70 e 80 anos. Tudo isso para tentar dizer que, entre 70 e 80 anos após a criação do Estado de Israel (entre 2018 e 2028), seria uma “sugestão clara” para eventos de tribulação, arrebatamento e fim dos tempos. Valendo-se de um software astronômico moderno, David alega que muitas pistas apontam para grandes eventos na semana do Hanukkah (uma festa judaica também conhecida como o “Festival das Luzes”) em dezembro de 2019.

Foto mostrando os livros escritos por David Montaigne

Contudo, David não parou por aí, e resolveu adicionar mais um “tempero a essa salada”: O Calendário Maia de Contagem Longa, que criou um frenesi na mídia e na internet, no passado, ao ser amplamente divulgado que o mundo acabaria em 21 de dezembro de 2012 (muitos também ganharam dinheiro com isso, na época, ao dizer que o mundo não acabaria, mas que passaria por profundas transformações, em uma espécie de novo ciclo). Segundo David, a data teria sido mal-interpretada, e que “a posição dos planetas nas artes maias” não coincidiam com o céu de 21 de dezembro de 2012, mas com o céu do fim de dezembro de 2019.

E como será esse fim? Bem, segundo David, o “fim dos tempos” irá durar sete dias, ou seja, começará no dia 21 de dezembro e terminará em 28 de dezembro de 2019, que será o “Dia do Julgamento Final”. Ainda de acordo com David, a humanidade irá presenciar o início da inversão dos polos magnéticos da Terra a partir do dia 21 de dezembro, o que irá gerar grandes terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas nos dias seguintes. Já no último dia, a inversão será concluída, destruindo o que restou da civilização humana, e dando origem a um mundo novo. A razão pela qual os polos vão se inverter? Segundo David, uma onda gravitacional virá do centro da Via Láctea e inverterá os polos magnéticos da Terra.

Obs: Os sites portugueses erraram ao traduzir a expressão “pole shift” utilizada por David. Embora “shift” até possa significar deslocamento (o correto seria “pole drift“), “pole shift” é comumente mencionado como “inversão dos polos.” Esse erro pode levar leitores a acreditar em qualquer notícia sobre o deslocamento de polos magnéticos da Terra como um sinal da veracidade do que David publicou, algo que comentaremos mais tarde. O uso do “shift” ao invés de “drift” é proposital por parte da imprensa para induzir o leitor que haja uma mudança/troca/substituição alarmista ao invés do sentido de deslocamento (“drift”).

Verdade ou Mentira? As Previsões de David Montaigne São Confiáveis ou Possuem Alguma Precisão?

Absolutamente não. Aliás, bastaria qualquer pessoa olhar seu retrospecto para notar que ele nunca acertou uma única previsão em livros anteriores. É importante destacar nesse ponto, que David escreveu alguns outros livros, entre eles alguns de nomes ainda mais sugestivos, tais como: “Nostradamus, World War III, 2002” (“Nostradamus, Terceira Guerra Mundial, 2002”) e  “Antichrist 2016-2019: Mystery Babylon, Barack Obama & the Islamic Caliphate” (“Anticristo 2016-2019: Babilônia Misteriosa, Barack Obama e o Califado Islâmico”). No entanto, vamos voltar nossa atenção para o primeiro livro citado acima (“Nostradamus, Terceira Guerra Mundial, 2002”), que foi publicado em janeiro de 2002.

No livro, que teria sido escrito no fim da década de 1990, David Montaigne disse acreditar, que o fim do calendário maia marcaria o início da tribulação mencionada na Bíblia, e fez algumas alegações muito curiosas ao se basear em quartetos escritos por Nostradamus. Ao tentar interpretar um dos quartetos (mais uma das inúmeras traduções e interpretações feitas ao longo do tempo), David disse que a Terceira Guerra Mundial começaria 57 anos após o término da Segunda Guerra Mundial (1945 + 57 = 2002), ou seja, no ano do lançamento do seu livro.

No livro, que teria sido escrito no fim da década de 1990, David Montaigne disse acreditar, que o fim do calendário maia marcaria o início da tribulação mencionada na Bíblia, e fez algumas alegações muito curiosas ao se basear em quartetos escritos por Nostradamus. Ao tentar interpretar um dos quartetos (mais uma das inúmeras traduções e interpretações feitas ao longo do tempo), David disse que a Terceira Guerra Mundial começaria 57 anos após o término da Segunda Guerra Mundial (1945 + 57 = 2002), ou seja, no ano do lançamento do seu livro.

Ele também disse, que Osama bin Laden continuaria a provocar sentimentos antiamericanos dentro das nações islâmicas e planejaria seus ataques contra o Ocidente a partir de Istambul, na Turquia. Nesse ponto, alguns poderiam dizer, que os ataques de 11 de setembro de 2001 e a subsequente “Guerra ao Terrorismo” poderiam representar as primeiras batalhas em um conflito que poderia, eventualmente, desencadear a Terceira Guerra Mundial, porém vale lembrar que o livro foi lançado somente após os tais ataques, o que daria tempo de David reescrever trechos de seu livro. De qualquer forma, David disse que a Terceira Guerra Mundial começaria em 2002; os exércitos muçulmanos veriam sua primeira grande vitória sobre a Espanha; Roma seria destruída com armas nucleares, e forçaria o Papa a se mudar. Nada disso aconteceu.

Calma que ainda tem mais. David interpretou Nostradamus para dizer que até mesmo Israel seria derrotado na Terceira Guerra Mundial liderada por Osama Bin Laden e, posteriormente, Saddam Hussein, sendo que ambos, de acordo com ele, eram o Anticristo (curiosamente, Sadam Hussein morreu primeiro, em 2006, e Bin Laden em 2011). David também disse que, durante um tempo, a guerra iria ficar a favor das forças orientais (dos muçulmanos, da China e da Polônia), até que os aliados ocidentais seriam unidos pela Rússia, e se sagrariam vitoriosos em 2012. Nada disso aconteceu.

David interpretou Nostradamus para dizer que até mesmo Israel seria derrotado na III Guerra Mundial liderada por Osama Bin Laden e, posteriormente, Saddam Hussein, sendo que ambos, de acordo com ele, eram o Anticristo (curiosamente, Sadam Hussein morreu primeiro, em 2006, e Bin Laden em 2011)

Pensa que acabou? Não acabou não. No livro “Antichrist 2016-2019: Mystery Babylon, Barack Obama & the Islamic Caliphate“, publicado em setembro de 2014, David previu um novo AntiCristo, que surgiria em junho de 2016. Qual o nome desse AntiCristo? O ex-presidente norte-americano Barack Obama. David disse que Obama era secretamente um muçulmano fingindo ser cristão, e que estava fazendo de tudo para os Estados Unidos enfraquecerem. Ele também disse que a Babilônia era a cidade de Nova Iorque.

Posteriormente, percebendo que não deu em nada, David reconsiderou sua previsão e voltou seus olhos para o presidente turco Tayyip Erdoğan, questionando se ele seria o “Anticristo islâmico” descrito na “profecia bíblica” e “até mesmo por Nostradamus.”

No livro “Antichrist 2016-2019: Mystery Babylon, Barack Obama & the Islamic Caliphate”, publicado em setembro de 2014, David previu um novo Anticristo, que surgiria em junho de 2016. Qual o nome desse AntiCristo? O ex-presidente norte-americano Barack Obama.

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Recentemente, David se queixou da mídia europeia por ter zombado de seus livros. Ele disse que as pessoas podiam olhar para o título do seu livro “Nostradamus, Terceira Guerra Mundial, 2002” e descartá-lo, uma vez que não houve nenhuma guerra mundial em 2002. Porém, David “argumentou” que, Nostradamus disse, que haveria um período de 27 anos de conflito crescente entre o Islã e o Ocidente, e que se iniciaria em 2002. Curiosamente, David se enrolou completamente nesse ponto.

Em primeiro lugar, David errou tudo o que previu anteriormente, exceto por algo bem óbvio de prever, que era o fato do Osama Bin Laden continuar provocando sentimentos antiamericanos dentro das nações islâmicas após o ataque às Torres Gêmeas, em setembro de 2001. Em segundo lugar, se ele confia tanto nas profecias de Nostradamus, que teria previsto uma guerra mundial, cuja duração seria de 27 anos a partir de 2002, como que o mundo poderia acabar em 2019?

Sinceramente, David Montaigne não faz a menor ideia do que diz, mas ainda assim vende alguns livros, e possui uma série de seguidores, que realmente acreditam em suas bobagens. Tais bobagens não possuem nenhum embasamento em pesquisas ou investigações realmente sérias.

Uma Recente Notícia do “Inesperado” Deslocamento do Polo Norte Magnético Sustenta uma Iminente Inversão dos Polos Magnéticos Terrestres?

Não. Neste momento, nada indica que uma inversão dos polos magnéticos terrestre ocorrerá a curto prazo (neste ano e muito menos nos próximos anos).

Recentemente, grande parte da mídia internacional, boa parte da mídia brasileira, e inúmeros sites de cunho conspiratório, causaram um enorme alarido sobre “dados alarmantes” que mostram, que o Polo Norte magnético da Terra estaria se deslocando mais rápido que o previsto, de forma estranha ou até mesmo de forma inesperada, deixando os cientistas perplexos. Alguns sites chegaram ao ponto de alegar, que esse rápido deslocamento do Polo Norte magnético (não é o Polo Norte geográfico) seria um sinal de que a inversão dos polos estaria próxima e, consequentemente, haveria o fim dos tempos. Porém, é preciso entender exatamente o que isso significa, e não sair acreditando em tudo que é publicado na internet.

Bem, em primeiro lugar é necessário entender que a Terra é uma espécie de ímã gigante, com um Polo Norte e um Polo Sul, magnéticos, assim como qualquer outro ímã com que você já brincou. No caso do nosso planeta, os cientistas acreditam que o campo magnético, que nos protege de partículas solares perigosas (principalmente dos ventos solares), é gerado pelas interações entre o núcleo interno e externo criando um dínamo gigante (geodínamo). A parte mais externa do núcleo da Terra é composta de metal líquido (ferro e níquel fundidos). Já a parte interna é sólida, e tem aproximadamente o tamanho da nossa Lua (cerca de 70% do tamanho). Acredita-se que a interação entre ambas as partes seria a responsável por gerar o nosso campo magnético.

Gráfico produzido em 2009 mostrando a diferença da localização do Polo Norte magnético e o Polo Norte geográfico. Algo semelhante também acontece em relação ao Polo Sul.

Gráfico mostrando como o campo magnético da Terra age como um escudo invisível

Em janeiro de 2010, o Portal Terra publicou a seguinte matéria: “Cientistas detectam movimentação do polo norte magnético“. No texto era mencionado que o Polo Norte magnético da Terra (um ponto variável para o qual as linhas do campo magnético apontam que, por mera convenção, localiza-se em algum ponto do hemisfério norte, sendo bem diferente do Polo Norte geográfico), estava avançando em direção à Rússia a quase 64 quilômetros por ano devido a mudanças magnéticas no núcleo do nosso planeta.

Segundo o texto, o Polo Norte magnético havia se deslocado muito pouco desde a época em que os cientistas o localizaram pela primeira vez, em 1831. Depois, em 1904, o polo começou a avançar rumo ao nordeste num ritmo constante de 15 km por ano. Em 1989, ele acelerou novamente e, em 2007, cientistas confirmaram que o polo estava indo em direção à Sibéria, a um ritmo de 55 a 60 km por ano. Um deslocamento rápido do polo magnético significava, que mapas do campo magnético deveriam ser atualizados com mais frequência para que usuários de bússola fizessem os ajustes cruciais do norte magnético para o Norte verdadeiro.

Em janeiro de 2010, o Portal Terra publicou a seguinte matéria: “Cientistas detectam movimentação do polo norte magnético”. No texto era mencionado que o Polo Norte magnético da Terra (um ponto variável para o qual as linhas do campo magnético apontam que, por mera convenção, localiza-se em algum ponto do hemisfério norte, sendo bem diferente do Polo Norte geográfico), estava avançando em direção à Rússia a quase 64 quilômetros por ano devido a mudanças magnéticas no núcleo do nosso planeta.

Em novembro de 2011, a NASA esclareceu boatos apocalípticos sobre a inversão dos polos magnéticos da Terra, dizendo que os polos costumam se inverter entre 200 e 300 mil anos. No entanto, a última vez que isso aconteceu foi há 780 mil anos, sendo que os registros fósseis não indicavam nenhuma mudança dramática vida de animais e plantas existentes na época. Segundo a agência, o campo magnético do planeta poderia até enfraquecer durante o processo de inversão, que pode durar milhares de anos, mas não iria sumir, porque é fruto do movimento incessante do núcleo da Terra. Por outro lado, há quem diga que isso possa efetivamente desorientar pássaros e outros animais, que fazem uso do campo magnético da Terra para realizar migrações, além de interferir em sistemas de energia e comunicação tanto terrestres quanto espaciais.

Em julho de 2014, o site “Galeria do Meteorito” mencionou, que medições indicavam uma tendência de enfraquecimento do campo magnético da Terra, com as quedas mais dramáticas sobre o Hemisfério Ocidental. Já em outras áreas, como a região sul do Oceano Índico, o campo magnético estava se fortalecendo. As medições também confirmavam o deslocamento do Polo Norte magnético rumo à Sibéria.

Em julho de 2014, o site “Galeria do Meteorito” mencionou, que medições indicavam uma tendência de enfraquecimento do campo magnético da Terra, com as quedas mais dramáticas sobre o Hemisfério Ocidental. Já em outras áreas, como a região sul do Oceano Índico, o campo magnético estava se fortalecendo. As medições também confirmavam o deslocamento do Polo Norte magnético rumo à Sibéria.

Em dezembro de 2016, o site da revista “New Scientist” publicou, que cientistas tinham anunciado a descoberta de um um fluxo de ferro derretido, com 420 quilômetros de largura, e que percorria quase metade da circunferência da globo terrestre, com uma temperatura quase tão quente quanto a superfície do Sol, estava ganhando velocidade. Aliás, tal velocidade havia triplicado desde o ano 2000, e estava circulando rumo à oeste entre 40 e 45 quilômetros por ano, bem nas profundezas abaixo da Sibéria em direção ao “subterrâneo” da Europa. Na época, ninguém sabia explicar o motivo de tal aceleração desse fluxo de ferro derretido (apelidado de “rio de ferro derretido”), mas se acreditava ser um fenômeno natural e existente há bilhões de anos.

Segundo Phil Livermore, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, que liderou a equipe responsável por tal descoberta, à medida que o ferro derretido se movia, ele arrastava o campo magnético consigo. Ao final do texto foi mencionado que o aumento da velocidade do fluxo poderia estar relacionada a rotação do núcleo interno, que seria um pouco mais rápida, que a rotação da superfície terrestre.

Em dezembro de 2016, o site da revista “New Scientist” publicou que cientistas tinham anunciado a descoberta de um um fluxo de ferro derretido, com 420 quilômetros de largura, e que percorria quase metade da circunferência da globo terrestre, com uma temperatura quase tão quente quanto a superfície do Sol estava ganhando velocidade.

Apesar da prévia existência de notícias na mídia sobre o deslocamento do Polo Norte magnético rumo à Sibéria, a uma taxa de 55 a 60 km por ano, desde 2010, a mídia e diversos sites de cunho conspiratório voltaram a repercutir esse assunto com uma boa dose de alarmismo. Vejam algumas manchetes: “O errático campo magnético do planeta força a atualização de emergência para o sistema de navegação global” (The Independent); “O polo norte magnético da Terra ficou louco” (El Colombiano); “Campo magnético da Terra se desloca inesperadamente. Cientistas estão perplexos!” (OVNI Hoje). Enfim, vamos tentar mostrar rapidamente a realidade por trás do alarmismo, e evitar, ao mesmo tempo, que essa publicação fique mais longa do que já está.

Apesar da prévia existência de notícias na mídia sobre o deslocamento do Polo Norte magnético rumo à Sibéria, a uma taxa de 55 a 60 km por ano, desde 2010, a mídia e diversos sites de cunho conspiratório voltaram a repercutir esse assunto com uma boa dose de alarmismo.

Ao contrário do Polo Norte geográfico, o Polo Norte magnético muda constantemente de direção. Isso é absolutamente normal e de certa forma esperado, embora a direção seja muito difícil de prever. O ritmo do deslocamento sempre variou entre 1831 e 1904, porém se tornou constante a partir de 1904 (por volta de 15 km ao ano) e voltou a acelerar em 1989. Em 2007, esse ritmo teria alcançado entre 55 e 60 km por ano. Nesse ponto é interessante notar que o Polo Sul magnético também se desloca, porém a uma velocidade bem menor, cerca de apenas 10 km por ano, e não mudou muito ao longo das últimas décadas.

Paralelamente a isso, existe algo chamado “Modelo Magnético Mundial”, uma espécie de “mapa”, que é um modelo padrão do núcleo e do campo magnético crustal de larga escala. É amplamente utilizado para navegação e sistemas do Ministério da Defesa do Reino Unido, pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e pela Organização Hidrográfica Internacional. Também é amplamente utilizado em sistemas civis de navegação, assim como alguns que orientam navios em alto mar.

Ao contrário do Polo Norte geográfico, o Polo Norte magnético muda constantemente de direção. Isso é absolutamente normal e esperado, embora a direção seja muito difícil de prever. O ritmo do deslocamento sempre variou entre 1831 e 1904, porém se tornou constante a partir de 1904 (por volta de 15 km ao ano) e voltou a acelerar em 1989. Em 2007, esse ritmo teria alcançado entre 55 e 60 km por ano.

O Modelo Magnético Mundial é atualizado a cada 5 anos, ou seja, a cada cinco anos é lançada uma nova versão. A atual versão foi lançada em dezembro de 2014 e seria válida até dezembro de 2019. Porém, o Polo Norte magnético vem se deslocando um pouco mais rapidamente do que antes (2007), o que forçou os especialistas em geomagnetismo a elaborar uma nova versão, no começo deste ano, para corrigir as discrepâncias em relação ao modelo anterior. Essa nova versão seria lançada no dia 15 de janeiro de 2019, porém foi adiada para o dia 30 devido a paralisação do governo norte-americano. Neste ponto é interessante notar, que alguns sites, a exemplo da revista Vice, resolveram destacar muito mais o lado político desse atraso do que o fato científico em si.

Em uma notícia publicada no site da revista Nature (não em um artigo da revista Nature), Arnaud Chulliat, um geomagnetista da Universidade do Colorado Boulder e dos Centros Nacionais de Informações Ambientais da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), e que já havia aparecido lá na matéria do Portal Terra, em 2010, disse que essas tais discrepâncias vinham aumentando conforme o tempo passava. Essa situação teria sido reportada por ele, em um encontro da União Geofísica Americana, em Washington D.C., em dezembro de 2018. Isso porque, no início daquele mesmo ano, durante uma verificação anual do NOAA e do Serviço Geológico Britânico, os pesquisadores notaram que o atual modelo estava tão impreciso, que estava prestes a exceder o limite aceitável para erros de navegação (não que tivesse ultrapassado).

Em uma notícia publicada no site da revista Nature (não em um artigo da revista Nature), Arnaud Chulliat, um geomagnetista da Universidade do Colorado Boulder e dos Centros Nacionais de Informações Ambientais da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), e que já havia aparecido lá na matéria do Portal Terra em 2010, disse que essas tais discrepâncias vinham aumentando conforme o tempo passava.

E qual seria explicação para o Polo Norte magnético estar se deslocando um pouco mais rápido do que antes? Bem, apesar não haver uma resposta exata para isso, não quer dizer que os cientistas estejam perplexos, assustados ou que seja tão inexplicável assim. Em 2016, por exemplo, parte do campo magnético acelerou temporariamente sob o norte da América do Sul e ao leste do Oceano Pacífico. Assim sendo, houve uma espécie de “pulso geomagnético” pouco tempo após a última atualização do modelo (dezembro de 2014), ou seja, o campo magnético já havia mudado naquela época, e de uma maneira que os cientistas não previram, uma vez que sabemos mais sobre o ocorre no núcleo do Sol do que no núcleo da Terra. Para “arrumar” o Modelo Magnético Mundial, Arnaud Chulliate e seus colegas incorporaram ao modelo cerca de três anos de dados recentes, incluindo o pulso geomagnético de 2016. A nova versão deve permanecer precisa até a próxima atualização regular, que está programada para o fim deste ano ou início de 2020.

Enquanto isso, os cientistas estão trabalhando para entender a razão pela qual o campo magnético está mudando tão drasticamente. Pulsos geomagnéticos, como o que ocorreu em 2016, talvez possam ser rastreados até as ondas “hidromagnéticas”, que surgem das profundezas do núcleo terrestre. Além disso, o rápido deslocamento do Polo Norte magnético pode estar associado aquele fluxo de ferro derretido mencionado também em 2016. Segundo Phil Livermore, a localização do Polo Norte magnético parece ser governada por duas grandes áreas de campo magnético, uma abaixo do Canadá e outra abaixo da Sibéria, sendo que a siberiana parece estar ganhando essa disputa. Em nenhum momento da notícia é mencionada uma iminência da inversão dos polos.

Em entrevista para a BBC Brasil, a geóloga Marcia Ernesto, pesquisadora do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (USP), disse que a aceleração talvez indique que estejamos caminhando para uma inversão dos polos magnéticos, mas pode ser algo tão somente temporário. De qualquer forma, ela estimou que tal inversão demoraria cerca de 1.000 anos. Resumindo? Os polos terrestres não vão se inverter neste ano de 2019, sendo altamente improvável que ocorra nos próximos anos, exceto, é claro, que algo totalmente dantesco ou de proporções homéricas aconteça em nosso planeta ao longo do caminho.

Conclusão

Considerando o retrospecto de David Montaigne (todos seus erros anteriores, os completos absurdos astronômicos e interpretações bíblicas subjetivas, que evidenciam a completa falta de conhecimento científico e teológico de sua parte, além da forma utilizada para fazer a previsão do “fim dos tempos”, em dezembro de 2019), pode-se concluir que as previsões de David não fazem o menor sentido. Tudo indica, que David é mais um daqueles charlatões promovidos pela mídia, que surgem com previsões mirabolantes sobre o futuro, e por sites de cunho conspiratório, que fazem da mentira o seu sustento. Enfim, diante do que foi “previsto por David”, o mundo não acabará em 2019.

Entretanto, posso prever, que David voltará a ser destaque na mídia ao longo do ano. Além disso, prevejo que Nostradamus e Baba Vanga continuarão sendo citados por preverem, mais uma vez, o fim do mundo e a Terceira Guerra Mundial, em 2020. Quem quer apostar comigo? Façam suas apostas nos comentários.

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8 Comentários

8 Comments

  1. Pingback: Inversão dos Polos! O mundo irá acabar em 21 de dezembro de 2019? - Blog Ultradicas

  2. Alexandre Mendes

    15 de janeiro de 2019 em 2:49

    Caramba, historicamente essa deve ser a materia mais longa do e farsas

    • Alan Souza

      17 de janeiro de 2019 em 16:40

      E historicamente você deve ser o cara que mais reclama de matérias muito longas, em todo o cosmo!

  3. Nostravamus

    15 de janeiro de 2019 em 6:32

    Oba, mais um fim do mundo! Primeiro do ano!

  4. Walkiria Toledo Veiga Schwab

    16 de janeiro de 2019 em 8:11

    Parabéns.👏👏👏👏por esta extensa e esclarecida reportagem.

    • Marco Faustino

      16 de janeiro de 2019 em 11:08

      Fico feliz que tenha gostado, Walkiria!

  5. Alan Souza

    16 de janeiro de 2019 em 11:37

    Desde que eu me entendo por gente já anunciaram o fim do mundo mais de 30 vezes! E a minha mãe, que tem 74 anos, diz a mesma coisa, que esse papo de fim de mundo com data marcada já existia desde que ela tinha uns 5 anos…

  6. Lucho

    17 de fevereiro de 2019 em 12:25

    Na imagem, não seria polo sul magnético?

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