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Linha com cerol ou “chilena” cortou a placa de uma moto em Itapetininga/SP?

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Linha com cerol ou “chilena” cortou a placa de uma moto em Itapetininga/SP?

Linha com cerol ou “chilena” cortou a placa de uma moto em Itapetininga/SP?

No dia 22 de julho de 2019, uma moradora de Itapetininga/SP publicou um alerta em sua conta no Facebook (arquivo). Segundo a moradora, uma linha com cerol ou “chilena” teria arrancado a placa de sua moto na Avenida Flávio Soares Hungria, mais conhecida como Marginal dos Cavalos, localizada na mesma cidade onde mora. Embora ela tenha publicado duas fotos mostrando o seu prejuízo financeiro, não foram fornecidos maiores detalhes. Felizmente, no entanto, ninguém teria ficado ferido.

Confira a publicação, que já obteve mais de 7 mil compartilhamentos, e as respectivas fotos, abaixo:

Ocultamos o número da placa da publicação original da moradora de Itapetininga/SP.

Foto mostrando uma parte da placa.

Foto mostrando o que restou da placa presa a própria moto.

Entretanto, será mesmo que uma linha com cerol ou “chilena” cortou a placa da moto? Isso seria possível? Existe alguma outra explicação para o ocorrido? Descubra agora, aqui, no E-Farsas!

O Uso da Linha com Cerol ou Linha “Chilena” é Considerado Crime Penal

Antes de mais nada é bom deixar claro que o uso do cerol é considerado crime penal capitulado nos artigos 129, 132 e 278 do Código Penal Brasileiro, além do artigo 37 da Lei das Contravenções Penais. Em caso do uso do cerol por crianças ou adolescentes, estes podem ser apreendidos e encaminhados às autoridades competentes. Já o adulto que fizer uso do cerol será conduzido, junto ao material, até a autoridade judiciária, podendo até mesmo ser preso.

Na esfera administrativa ainda não há uma lei federal disciplinando a matéria. No Estado de São Paulo, no entanto, a Lei 10.017 de 1998 proíbe expressamente a fabricação e a comercialização da mistura de cola e vidro moído utilizada nas linhas para pipas, cuja infração do disposto na lei supracitada sujeitará o estabelecimento infrator a advertência pela autoridade competente e em caso de reincidência ao fechamento do estabelecimento.

Também existe a Lei 12.192 de 2006, que proíbe o uso de cerol ou de qualquer produto semelhante que possa ser aplicado em linhas de pipas. Ela determina que o não cumprimento da norma acarretará ao infrator o pagamento de multa no valor de 5 UFESPs (cerca de R$ 130). Se o infrator for menor de idade, os pais serão os responsáveis. É importante frisar que legislações parecidas são encontradas em outros entes federativos, assim como o Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A Linha com Cerol

Conforme mencionado anteriormente, o cerol nada mais é do que a velha mistura de cola de sapateiro e vidro moído. Seu único propósito é cortar a linha de outra pipa. Portanto, não há nenhuma melhoria em termos aerodinâmicos ou estéticos. Entretanto, muitos acidentes fatais ocorrem com motociclistas e ciclistas. Geralmente, nos casos fatais, é a linha de pipa com cerol que entra em contato com o pescoço do motociclista, ciclista ou pedestre. Paraquedistas, e inclusive a vida selvagem, também podem ser vítimas de linhas com cerol.

A Linha “Chilena”

Não entraremos em detalhes sobre a controversa origem dessa linha, visto que o mais importante a saber para este artigo é que a chamada linha “chilena” tem um poder de corte quatro vezes maior que o cerol. Ela é feita em escala industrial com algodão e uma mistura de pó de quartzo com óxido de alumínio. Tanto a linha com cerol quanto a linha “chilena” têm capacidade para cortar fios de alta tensão e cabos de fibra ótica. No entanto, acidentes com linha chilena são muito mais graves, quando envolvem seres humanos.

Uma prova disso foi o caso de um adolescente de 15 anos, que precisou ter a perna amputada em Betim/MG. Ele voltava para casa depois de um treino de futebol, quando foi atingido pela linha cortante, presa num pneu de um carro. O ferimento foi profundo e atingiu nervos e veias importantes. Portanto, foi necessário amputar uma de suas pernas.

Entretanto, um homem em Marabá/PA acabou falecendo recentemente após um profundo corte no pescoço causado por uma linha “chilena”.

O Caso da Moradora de Itapetininga/SP é Verdadeiro ou Falso?

Muito provavelmente, falso! Embora não tenhamos encontrado testes que pudessem indicar o poder de corte da linha com cerol ou “chilena”, em placas de alumínio ou aço, em princípio, elas não cortariam a placa de uma motocicleta daquela forma que foi apresentada nas fotos da moradora de Itapetininga/SP. Considerando o ponto em que a placa foi rompida e sua posição na moto, dificilmente teria sido causado um dano somente na placa. Outros componentes também seriam afetados.

Então, o que Pode Ter Acontecido?

Muito provavelmente, na melhor das hipóteses, aquele rompimento ocorreu devido a um desgaste/fadiga do material da placa. Uma série de fatores, mencionados por proprietários de motos, teriam colaborado para isso:

  • O tamanho das atuais placas;
  • A fragilidade do material utilizado nas placas atuais (alumínio);
  • A ausência de um suporte adequado e eficiente para as placas em relação a motocicletas;
  • A trepidação que ocorre ao trafegar por ruas e avenidas com asfalto irregular ou com buracos (algo extremamente comum no Brasil).

Diante desses fatores, a placa tende a quebrar justamente no ponto mais frágil, uma vez que ela é constantemente “forçada para cima”, como se “dobrasse” (um efeito alavanca) conforme o motorista utiliza a moto. Até mesmo a ação do vento pode colaborar negativamente. Essa quebra geralmente acontece nos “vincos”, acima ou abaixo, do nome da cidade.

Entre em contato com o E-farsas

(11) 96075-5663 - t.me/efarsas

Confira abaixo alguns vídeos que encontramos no YouTube sobre esse assunto, e reparem na semelhança entre os casos:

A Colaboração de Usuários do Nosso Grupo no Facebook

Em nosso grupo, no Facebook, um usuário chamado Maique alegou possuir uma Yamaha MT07. Ele disse que, mesmo com suporte, sua placa teria quebrado da mesma forma que a placa da moradora de Itapetininga. A moradora, no caso, possui uma Yamaha MT03 ABS.

Já um outro usuário chamado Patrick nos enviou a foto de sua placa:

Um usuário chamado Patrick nos enviou a foto de sua placa.

Patrick alegou possuir uma Suziki Intruder, e mesmo com o reforço do suporte de placa e com os parafusos por dentro do rebite da tarjeta, a placa quebrou com apenas 4 anos de uso. Ele também disse que se as placas fossem um pouco menores poderiam dar menos problemas.

As Linhas com Cerol ou “Chilenas” São Capazes de Cortar Metal?

Sim! Principalmente as linhas “chilenas”, dependendo do quão aprimoradas forem (há inúmeros tutoriais espalhados na internet que ensinam como potencializar o poder de corte). Vai depender também da composição metálica do ponto que a linha entrou em contato, da espessura do material etc..

Geralmente, o corte é superficial ou possui apenas alguns poucos milímetros de profundidade. Cortes mais profundos geralmente acontecem em partes mais maleáveis, emborrachadas ou de plástico dos veículos. Confira alguns exemplos, abaixo:

Conclusão

Muito provavelmente, falso! Embora não tenhamos encontrado testes que pudessem indicar o poder de corte da linha com cerol ou “chilena”, em placas de alumínio ou aço, em princípio, elas não cortariam a placa de uma motocicleta daquela forma que foi apresentada nas fotos. Muito provavelmente, aquele rompimento ocorreu devido a um desgaste/fadiga do material da placa, visto que uma série de fatores apontados em nossa matéria teriam colaborado para isso.

Tentamos contato com a moradora de Itapetininga/SP, através do Facebook, para obter maiores informações sobre o ocorrido, mas não tivemos nenhum retorno até o fechamento da matéria. Caso isso aconteça, no entanto, manteremos vocês informados e atualizaremos esta publicação em tempo oportuno.

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4 Comentários

4 Comments

  1. Maria

    31 de julho de 2019 em 19:20

    @Marco Faustino , nossa! Eu fico impressionada com TODAS as matérias que você faz. Parecem Obras-Primas de informação. Quanto ao sujeito que postou a matéria original, apesar dele ter a boa intenção de querer alertar para um PERIGO REAL, parece mesmo Fake a descrição fantasiosa que ele descreveu. Além do mais, eu já vi vários motociclitas ENTORTAREM PROPOSITALMENTE a placa traseira para cima para não serem fotografados por câmeras de fiscalização de trânsito e/ou escapar e dificultar a identificação por câmeras de vigilâncias e da polícia ao fazerem coisas ilícitas ou transgressões. NOTA: não estou afirmando que é o caso dele, ok? 😐

    • Marco Faustino

      1 de agosto de 2019 em 6:45

      Agradeço, como sempre, pelas palavras, Maria! Sim, alguns usuários também citaram essa possibilidade! Contudo, preferi não aventá-la no texto para evitar uma eventual injustiça ou imputação caluniosa da minha parte 🙂

      • Maria

        1 de agosto de 2019 em 10:18

        @Marco Faustino , você continua sensato, ponderado e equilibrado como SEMPRE! O Brasil PRECISA de jornalistas profissionais como você! Eu, pessoalmente, acho que “jornalistas” como o José Datena e Rachel Sheherazade são/eram ABERRAÇÕES SENSACIONALISTAS pelas acusações, alegações, declações, opiniões etc POLÊMICAS e sem provas que eles fazem/fizeram. Eles estão cheios de PROCESSOS JUDICIAIS nas costas causando PREJUÍZOS MILIONÁRIOS à Band e ao SBT respectivamente. É por isso que, embora você tenha a humildade de dizer que não é merecedor, continuo achando que você merece ser sim um ÂNCORA de um jornal sério e competente! 😉

  2. Paulo

    9 de agosto de 2019 em 15:29

    Muito sensato!

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