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O IBGE vai incluir o tráfico de drogas no cálculo do PIB?

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O IBGE vai incluir o tráfico de drogas no cálculo do PIB?

O IBGE vai incluir o tráfico de drogas no cálculo do PIB?

É verdade que o IBGE vai acrescentar a movimentação do tráfico de drogas e das BETs no cálculo do Produto Interno Bruto nacional?

Publicações espalhadas nas redes sociais na segunda quinzena de setembro de 2026 afirmam que o Governo Federal teria ordenado que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) passe a incluir a riqueza gerada pelo tráfico de drogas e pelas BETs no cálculo do PIB brasileiro. Segundo o que foi disseminado, a nova metodologia do instituto teria como objetivo inflar os números da Economia do país, favorecendo o governo atual!

Será que isso é verdade ou mentira?

(Foto: Reprodução/TikTok)

Verdade ou mentira?

A afirmação mistura dados reais com informações falsas!

É falsa a alegação sobre o IBGE passar a incluir o dinheiro gerado pela venda de drogas na sua metodologia de cálculo do PIB. O instituto sequer divulgou nova metodologia ou sistema de cálculos para o Produto Interno Bruto. 

Em nota, o IBGE esclarece que ainda estão em andamento alguns estudos para a implantação de uma nova série do Sistema de Contas Nacionais, prevista para 2028:        

“O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informa que está em andamento o projeto de implantação da nova série do Sistema de Contas Nacionais com ano de referência em 2021 (SCN-2021), prevista para ser divulgada em 2028.”

Isso não é novidade 

Apesar de ser bastante compartilhada agora em setembro de 2026, o projeto tem 2021 como ano-base e não se trata de um pedido do Governo Federal, mas de um sistema adotado pela Comissão de Estatística das Nações Unidas como padrão estatístico internacional, projetado em 2025 em parceria com a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Banco Mundial. 

O curioso é que a recomendação da inclusão de jogos de azar e tráfico de drogas no cálculo já vem sendo recomendado pela ONU desde 2008, mas o rumor parece ter ganhado força próximo das eleições gerais brasileiras, que serão realizadas em outubro de 2026 (e em novembro do mesmo ano, caso haja segundo turno). 

Na página 5 do documento disponibilizado pelo IBGE, é explicado que se trata de uma estimativa do dinheiro movimentado não só pelo tráfico, como também de holdings e jogos de azar, que atualmente estão fora do cálculo do PIB:

“[…]Além dos tópicos mencionados acima a nova base trará mudanças também em outros tópicos, como por exemplo: tratamento das holdings; novas estimativas de contrabando e jogos de azar; nova estimativa da produção das famílias; maior abertura dos setores institucionais; nova estimativa e distribuição de Serviços financeiros indiretamente medidos – SIFIM; nova definição e mensuração de Instituições sem fins de lucro a serviço famílias – ISFLSF; recálculo do destino da produção do Banco Central; estimativa da comercialização de drogas, estimativa de medidas líquidas e o cálculo de autoprodução de software, bases de dados e dados. Vale mencionar que notas metodológicas posteriores tratarão desses e outros temas relevantes.”  

É bom deixar bem claro que se trata apenas de estudos e que não há nenhum indicativo de que isso será colocado em prática nos próximos anos. Até porque não há como saber exatamente quanto foi movimentado pelo tráfico de drogas, visto que o traficante não gera nota fiscal…

Estudos indicam que o crime organizado fatura 450 bilhões de dólares por ano, além de impedir a geração de mais de 370 mil empregos formais no Brasil. Nessa conta estão englobadas as holdings usadas para lavagem de dinheiro, contrabandos e outras atividades criminosas. Esse prejuízo não é contabilizado no PIB. Ou seja, acrescentar esses dados na metodologia pode até fazer com que o PIB caia ao invés de subir.

Outros países já aderiram há anos

A diversos países da europa, por exemplo, já incluem a prostituição e tráfico de drogas em suas estimativas para o cálculo do PIB desde 2014 (em 2019, todos os 27 países da União Europeia já estavam utilizando). O aumento nos países que aderiram à nova metodologia tiveram aumento irrisório em seus respectivos PIBs, contrariando previsões de “especialistas”. 

A economista Olivia Carneiro explica no seu perfil do Instagram que essa história não passa de uma grande balela alarmista:

Novamente precisamos deixar claro que incluir esses setores nas estatísticas econômicas não significa o reconhecimento formal ou a legalização de negócios ilícitos. O objetivo da metodologia (AINDA EM FASE DE ESTUDOS) é o de mensurar a produção e a circulação de renda na economia, mas não representa um salto real na produção física, no emprego ou no consumo da população.

Conclusão

O IBGE não determinou nenhuma mudança para acrescentar o tráfico de drogas e os jogos de azar no cálculo do PIB. Trata-se de uma série de estudos previstos para serem divulgados em 2028 (não serão colocados em prática em 2028. Apenas serão divulgados os resultados dos estudos), com base em diretrizes internacionais estudadas desde 2008, e sem nenhuma validade por enquanto! 

Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas e, em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar é o autor do livro "Caçador de Mentiras" pela Editora Matrix e da aventura de ficção infantojuvenil "Marvin e a Impressora Mágica"!

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