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Uma ativista feminista pediu para as mulheres não transarem mais “de quatro”?

Uma ativista feminista pediu para as mulheres não transarem mais “de quatro”?

Uma ativista feminista pediu para as mulheres não transarem mais “de quatro”?

É verdade que a socióloga e ativista feminista Sara Zambeli pediu em entrevista que as mulheres evitem a posição “de quatro” durante o ato para evitar a submissão?

A nota retirada de um site com o layout semelhante ao do Portal G1 de notícias começou a circular através das redes sociais na segunda quinzena de abril de 2019 e afirma que uma socióloga chamada Sara Zambeli teria pedido durante entrevista à repórter Juliana Strichvic que as mulheres evitem a posição “de quatro” durante o ato sexual para evitar uma situação vexatória, além de submissa. Na entrevista – que teria sido publicada no dia Internacional da Mulher – a socióloga teria recomendado também que as mulheres devem transar de frente para o parceiro como uma forma que alcançar a igualdade de gênero!

Será que essa história é verdadeira ou falsa?

Texto da nota compartilhada nas redes sociais: “POLITICA – Ativista feminista pede para as mulheres não transarem mais “de quatro”. Na data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a ativista feminista e socióloga brasileira Sara Zambeli propõe que as mulheres evitem a posição “de quatro” durante o ato sexual por ser vexatória e colocá-las em posição subserviente. Como proposta, mulheres deveriam transar de frente para o parceiro “olho no olho” corno forma de alcançar a igualdade de gênero. Por Juliana Strichvic – São Paulo 08/03/2019 15h00 • atualizado há 1 semana

Verdade ou mentira?

A primeira coisa a fazer em casos como esse é procurar pelos nomes dos envolvidos, no Google. Nem a tal socióloga e nem a repórter Juliana Strichvic aparecem nas buscas.

Há uma “Sara Zambelli” (com dois “L”) no Twitter, mas ela é italiana e não tem nenhuma relação com o assunto.

Como o recorte da notícia se parece com o layout do Portal G1 de notícias, fizemos buscas no portal e… nada!

A Deputada Federal Carla Zambelli também ajudou a espalhar o assunto, publicando em seu perfil no Twitter a notícia. A deputada ajudou a mostrar que o sobrenome da personagem da “notícia” (o mesmo que o dela) está escrito errado (com apenas um “L”):

Reprodução/Twitter

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Boato antigo

Uma busca pelo assunto e nos deparamos com uma “notícia” de 2011 parecida com essa, só que com algumas diferenças:

  • O nome da ativista feminista era Helena Ramirez
  • Ela não era socióloga, mas líder do movimento feminista no Brasil
  • Ela teria pedido para as mulheres evitarem aquela posição durante entrevista no Programa do Jô
  • Na versão de 2011, a mulher teria pedido que as mulheres também evitassem o sexo anal

Ao buscarmos por essa versão mais antiga, encontramos uma publicação feita no site Testoterona, no dia 29 de março de 2011.

O Testoterona, por sua vez, apenas copiou um texto publicado horas antes no site Tramado Por Mulheres, na seção Jornalismo Mentira. A brincadeira foi assinada pelo humorista Fabio Flores, já conhecido aqui no E-farsas por causa de publicações engraçadas feitas por ele no site humorístico Enfu.

Quem é a mulher da foto da versão de 2011?

Na “notícia” que se espalhou em 2011, a foto de uma mulher foi usada para ilustrar a “reportagem”. Chamada de “Helena Ramirez” no texto humorístico, a mulher da foto é, na verdade, a radialista britânica Anne Diamond e a fotografia foi surrupiada de uma reportagem de 2008, quando Diamond falava ao Daily Mail detalhes sobre seu novo livro sobre as dificuldades que as mulheres tem em relação à obesidade.

A fato da mulher chamada de “Helena Ramirez” na notícia falsa é, na verdade, da britânica Ann Diamond! (foto: Reprodução/Wikipedia)

Conclusão

A notícia afirmando que uma ativista feminista teria pedido para que as mulheres parassem de transar “de quatro” é falsa! Ela surgiu em um blog humorístico em 2011 e voltou com uma nova roupagem em abril de 2019!    

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4 Comentários

4 Comments

  1. Lucho

    21 de abril de 2019 em 8:46

    De novo essa história circulando por aí. Essa sociedade e era da informação e do conhecimento nunca me decepciona.

    E quando se junta com boçaloides politizados da Internet, aí é que não decepciona mesmo.

  2. Thiago

    22 de abril de 2019 em 14:31

    Me pergunto, que tipo de imbecil acredits em uma coisa dessas?

    • Gilmar Lopes

      22 de abril de 2019 em 17:41

      A deputada citada no artigo parece ter acreditado!

      • Lihak Olinad

        24 de abril de 2019 em 16:06

        Claro que acreditou, é do PSL…

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