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segunda-feira, dezembro 6, 2021

Capa da revista National Geographic é falsa!

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Uma das capas mais famosas da revista National Geographic, que mostra duas piramides é fotomontada!

Em fevereiro de 1982, a revista National Geographic, famosa por suas excelentes reportagens e pela qualidade de suas fotos, se rendeu à manipulação digital de fotos.
 
A capa, considerada um ícone da fotografia mundial, mostrava um grupo atravessando a camelo, em frente às pirâmides de Gizé. Para
relembrar, veja uma reprodução abaixo:

Capa da revista National Geographic – fevereiro 1982 – (reprodução)

 
A foto real, sem manipulação, é a mostrada abaixo:


 

Essa foto foi feita pelo fotógrafo Gordon Gahan que, enquanto preparava seu equipamento para tirar a famosa fotografia, perdeu o comboio – que passou direto.
 
Então o fotográfo teve que dar uns trocados aos "modelos" para que estes voltassem e refizessem todo o trajeto.
 
Com a fotografia em mãos, foi apresenta-la ao pessoal da editora, se deparou com um problema: a imagem foi tirada como paisagem (uma foto
horizontal, manja?), era mais larga do que alta! Um problemão, pois a capa da revista é mais alta do que larga, ou seja, layout retrato.
 
A solução encontrada foi a seguinte: "juntar" um pouco mais as duas piramides, além de mudar a posição dos camelos, deixando-os mais
próximos à esquerda da imagem. Nasceu a capa da edição 161, de 2 de fevereiro de 1982.

Na época, a revista justificou-se dizendo que o que fizeram não foi nada demais, pois se o fotógrafo tivesse tirado a foto alguns metros mais à esquerda o resultado seria o mesmo. Nesse caso, segundo os editores, a manipulação foi apenas uma correção.

De acordo com o site Mediatico, de Portugal, a prática de manipulação de fotografias não é tão recente. O texto cita uma reportagem fictícia do "L’Illustration", de 1905 chamada de "Et si le Louvre brûlait". O artigo exibia uma fotomontagem do museu em chamas enquanto bombeiros tentavam apagar o incêndio.

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No entanto, a manipulação digital de imagens era considerada novidade no início dos anos 80. Foi nessa época que as editoras começaram a trabalhar com scanners Scitex, máquinas enormes e capazes de transferir imagens para o computador com qualidade razoável. Tirando a questão do preço (que era um pouco alto!), o conjunto – hardware e software – agilizou o trabalho dos profissionais da área.

A discussão sobre até onde vai a ética na manipulação de imagens para o fotojornalismo é bastante polêmica e parece que não vai terminar nunca. O jornalista Judy Kiel escreveu, em 2006, um excelente artigo onde ele expõe os prós e contras do uso desse recurso na fotografia jornalística. Kiel inclusive cita, como exemplo, essa história da capa da National Geographic e como foi a repercussão do fato na época.

Se você se interessou pelo assunto, assista a uma entevista que fizemos com o fotógrafo Alex Villegas, em 2009, onde conversamos a respeito da manipulação de imagens.  

 

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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