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Cientistas brasileiros descobriram que a proxalutamida cura a COVID-19?

Falso

Cientistas brasileiros descobriram que a proxalutamida cura a COVID-19?

Cientistas brasileiros descobriram que a proxalutamida cura a COVID-19?

Será verdade que cientistas brasileiros descobriram que a proxalutamida é a cura definitiva para o novo coronavírus?

A descoberta foi compartilhada através de grupos do WhatsApp na segunda quinzena de março de 2021 e comemora um estudo com a cura definitiva da COVID-19 feito por um grupo de médicos brasileiros e norte-americanos em pacientes com a doença.

Segundo o texto, a proxalutamida seria o medicamento que cura em poucos dias, principalmente dos pacientes acometidos pela variante P1.

Será que isso é verdade mesmo?

Texto de uma das versões compartilhadas em grupos do WhatsApp: “*A CURA DA COVID-19* Ao que tudo indica a cura da Covid-19 parece ter sido descoberta. E a notícia fica ainda melhor quando sabemos que o estudo está sendo realizado no Brasil. O médico brasileiro Flávio Cadegiani e o médico americano Andy Goren lideram o estudo que está sendo realizado no Brasil com o medicamento proxalutamida que apresentou resultados impressionantes inclusive quando testado em pacientes acometidos pela variante P1. O Dr. Azevedo tem uma possível boa notícia para todos nós!”

Verdade ou mentira?

No dia 16 de março de 2021, uma pesquisa feita pelo grupo hospitalar brasileiro Samel em parceria com a empresa norte-americana de biotecnologia Applied Biology apontou que a proxalutamida pode ser capaz de reduzir o tempo de internação e o número de mortes por COVID-19. No entanto, o estudo ainda não foi publicado em nenhuma revista científica e sequer foi validado por outros cientistas.

O resultado do estudo foi apresentado apenas em Power Point, em uma coletiva de imprensa:

 

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A proxalutamida 

A droga objeto do estudo é um anti-androgênico usado no tratamento de cânceres relacionados à testosterona como o câncer de próstata. Ainda sob investigação, ela ainda não é comercializada no Brasil e tampouco foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o uso contra o novo coronavírus. Aliás, o uso da proxalutamida contra a COVID-19 também não foi aprovado na FDA (órgão equivalente à Anvisa nos EUA) ou por qualquer outra agência regulatória de outros países.

O estudo

De acordo com o grupo que estudou o medicamento, foi acompanhada a evolução do quadro clínico de 590 pacientes pacientes hospitalizados com o novo coronavírus em 12 unidades de saúde de nove cidades amazonenses, sendo administrada a proxalutamida  em 294 pacientes e placebo (uma substância parecida com a droga, mas sem efeito) nos demais doentes com o novo coronavírus.

Os autores do estudo relataram que houve 92% de redução na mortalidade dos pacientes que foram submetidos à proxalutamida e uma diminuição do tempo de internação.

São necessários mais testes e dados

Apesar de publicações nas redes sociais estarem espalhando que a proxalutamida seria a solução definitiva para a cura do novo coronavírus, a verdade não é bem essa. Em entrevista ao portal UOL, o infectologista e professor da Unesp (Univesidade Estadual Paulista) Alexandre Naime explica que:

“Analisando o power point, não dá para saber qual foi o tratamento base, isso é, se além da proxalutamida, os pacientes receberam corticoide, qual foi o tipo de uso do oxigênio ou qualquer outro tipo de intervenção. Sem saber o que os participantes de cada grupo receberam nos 12 hospitais diferentes, é impossível analisar se o efeito de fato foi pelo uso da proxalutamida”

Ao jornal Estadão, a médica infectologista e professora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Conceição Pedroso disse que ainda é cedo demais para afirmar que essa é a droga para a cura definitiva da COVID. 

“Não se pode dizer que a droga é ‘milagrosa’ até que o estudo seja detalhado em um artigo e depois analisado pela comunidade científica.”, disse a doutora Conceição.

Em entrevista ao jornal Estadão, o próprio co-autor do estudo, Carlos Wambier, diz que os pesquisadores não confirmam que a proxalutamida seja a cura para a covid-19, pois ainda são necessárias mais investigações, inclusive para validar se o mesmo efeito pode ser observado em diferentes populações e com variantes virais.

Conclusão

É errado afirmar que a proxalutamida cura a COVID-19! Foi divulgado um estudo feito com 590 pacientes no estado do Amazonas que mostrou significativa redução na quantidade de mortes e de tempo de internação, mas o artigo ainda não foi publicado em nenhuma revista científica e ainda é preciso muitos testes para a comprovação da eficácia do medicamento! 

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