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terça-feira, setembro 28, 2021

Perigo no prato dos brasileiros! Feijão com Chagas!

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Texto alarmista afirma que o feijão brasileiro está contaminado pelo transmissor da doença de Chagas! Será verdade?

Começou a circular pela internet, no inicio de 2009, essa mensagem que afirma que o “nosso” feijão estaria contaminado com larvas do barbeiro e que o consumo de vários tipo de feijões teria de ser evitado ou substituído por Canjica ou Grão de Bico.

A mensagem, muito confusa e com informações erradas, possuindo todas as características de mais um hoax, ou boato eletrônico. Por exemplo:

– Cita o nome de empresas e organizações para dar mais veracidade;
No caso, foram citadas uma cooperativa chamada COOVENF (que não encontramos em lugar nenhum) e a UNIUPS-GO – Universidade Ubirajara Pereira de Souza de Goiás – (que também não encontramos!).

– Imprecisão nos argumentos;
O texto fala que a “notícia” teria sido divulgada em vários sites de agricultura, mas não fala o nome de nenhum deles.
O autor da mensagem também afirma que a matéria teria sido tirada do ar. Está claro que esse parágrafo foi colocado no texto para se criar um ar conspiratório. Como que apenas o autor desse texto sabe e ninguem mais sabe?
Também não dá para saber quando foi descoberta essa notícia. O texto disse que ocorreu na semana passada. Mas de qual semana estamos falando?

– Não dá pra saber quem é o autor da mensagem;
O texto não é assinado!

– Pede para ser repassado ao maior numero de pessoas;

Além de tudo isso, o nome científico do tal protozoário é Trypanosoma cruzi, e não tripanosoma cruzi, como o autor escreve. Também é bom lembrar que os nomes científicos binominais devem ser grifados com a primeira letra da primeira palavra em maiúscula e a segunda palavra toda em minúsculas.

No site da Fundação Oswaldo Cruz há uma nota esclarecendo que tudo não passa de mais um dos inúmeros boatos que rondam a nossa caixa de entrada. Segundo a Fiocruz, “Os barbeiros são hematófagos, alimentando-se do sangue de vários animais, inclusive o homem, e o fazem em todas as fases de desenvolvimento ou seja tanto os adultos (machos e fêmeas) quanto as ninfas.”. Ou seja, o feijão não é o prato de comida do barbeiro.

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O mesmo comunicado afirma que é verdade que houve casos de contaminação dessa doença em algumas regiões do país, mas acontece que tais incidentes ocorreram porque o inseto foi triturado junto com o alimento (cana-de-açucar, no sul e no nordeste e o acaí, no norte do país!) e nesses casos não houve nenhuma fervura ou resfriamento do produto antes da ingestão. No caso de uma possível contaminação do feijão, o próprio cozimento mataria o parasito.

Texto retirado do site da Fundação Oswaldo Cruz:

Esclarecimento Público
Temos recebido vários e-mails contendo este alerta Perigo no prato dos Brasileiros!!!!”.
Informamos que se trata de um equívoco, pois em primeiro lugar o inseto que consta na foto enviada na mensagem não se trata de uma ninfa de barbeiro e sim de um coleóptero, frequentemente encontrado em grãos armazenados.
Os barbeiros são hematófagos, alimentando-se do sangue de vários animais, inclusive o homem, e o fazem em todas as fases de desenvolvimento ou seja tanto os adultos (machos e fêmeas) quanto as ninfas.

A transmissão do parasito causador da doença de Chagas através de alimentos pode ocorrer. Entretanto, se dá quando estes alimentos são triturados em conjunto com barbeiros infectados ou mesmo quando estes alimentos estiveram em contato com a urina de gambás. Neste caso, como ocorreu, por exemplo, com o caldo de cana no sul e no nordeste, e com o açaí no norte do país, as formas do parasito são ingeridas juntamente com o alimento e a transmissão se dá pelo acesso que o parasito (Trypanosoma cruzi) tem por estar em contato com a mucosa bucal. Observem que nestes casos, o parasito está vivo, pois nem o suco nem o caldo de cana, passaram por qualquer processo seja de fervura ou de congelamento, pois o parasito não suportaria nem a alta nem a extremamente baixa temperatura.
Sendo assim, supondo que o feijão estivesse contaminado, o que não é verdade, mesmo assim os parasitos não sobreviveriam ao cozimento.

Mas e as fotos?
As fotos que acompanham o texto são, na verdade, de um coleóptero, ou caruncho, mais precisamente, um caruncho-do-feijoeiro (Zabrotes subfasciatus).

Encontramos essas mesmas imagens ilustrando um artigo bastante interessante que ensina como fazer para se acabar com esse bichinho: http://www.sargacal.com/2007/09/09/gorgulho/, pela data da publicação do artigo acreditamos que essa seja a página original de onde tiraram essas imagens!

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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13 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde,

    Parabéns pelo site. Sempre que tenho alguma dúvida em relação a e-mails, consulto vcs ou envio e-mails ‘duvidosos’. É sempre bom podermos saber em quem confiar mediante tantos oportunistas nessa era tecnológica. Obrigada pelas informações. Ótima qualidade dos artigos.
    Um abraço.

    • Ariene, gurgulho e barbeiro são insetos totalmente diferentes, nem são da mesma ordem, o gurgulho é um coleóptero e o barbeiro é da mesma ordem do percevejo, ou seja, um hemiptero.

  2. Ótimo, muito bom, realmente da maior importância essa notícia. Tenho uma tb, do mesmo gabarito: “Hoje vou colocar uma meia de cada cor. ”

    Pra viver perigosamente, como os criadores deste instrumento de denúncia de carunchos no feijão.

    Não sei como vivemos até hoje sem vocês. Por favor continuem, meu sobrinho de 2 anos vos adora!

  3. estou repassando o texto de vc’s para os meus contatos, quase toda semana tem um neurotico repassando e-mails desse tipo sem se dar ao trabalho de verificar se existem pelo menos a possibilidade de haver um fundo de verdade obrigado pelo trabalho de vc’s

  4. Bom, quando lí achei que era realmente aquelas mensagens sem sentido, senão nem estaria aqui pesquisando. Hoje essa é a coisa que mais acontece na internet nos dias de hoje. Disseminar mentiras por prazer. Mas ninguém se atentou também que o email (pelo menos o que eu recebi) atenta para o MANUSEIO do feijão cru, não no seu preparo.. Então acho que esse site da Fiocruz respondeu uma coisa certa, mas fugindo do foco do email.
    As ninfas, caso hajam no feijão cru, podem picar uma pessoa que o esteja manuseando?
    Sinceramente continuei na dúvida.

  5. o link da Fundação Oswaldo Cruz, para ver comunicado, está desativado.
    Agradeço pela informação e aguardo ativação do link.

    Cordialmente

  6. Olá pessoal,
    acompanho o trabalho de vocês há vários anos e os parabenizo. Gostaria de informar que tentei votar no site de voc^es, mas quando me identifico pelo face, no final ele dizem que concordo com o uso, etc e tem um botão para iNSTALAR. Como não instalo nada que não sei do que se trata em meu computador e, com isso, nunca teve virus – além do anti virus sempre atualizado, claro-, não concluir a votação. Se puderem explicar melhor, ainda dá tempo e meu voto será de vocês.
    Um abraço

  7. Extraído do site http://www.bahia.fiocruz.br/?area=07X05&news=234:
    “A pesquisadora Sônia Andrade, do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz, da Fiocruz…A pesquisadora citou que a doença, na fase de contaminação por via oral, pode provocar o óbito nos seres humanos dentro de um mês. Ela informou ainda que o trypanosoma cruzi é resistente a baixas temperaturas. “Mesmo congelado, ele sobrevive. Em laboratório, quando é congelado em nitrogênio líquido, o parasita resistiu a 70 graus negativos”, explicou, acrescentando que o trypanosoma cruzi também é resistente ao calor. “Até 37 graus, ele sobrevive. Pesquisas realizadas mostram que ele morreu com 50 graus de temperatura elevada”,

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