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Será verdade que a Palestina foi removida do Google Maps?

Conspirações

Será verdade que a Palestina foi removida do Google Maps?

Será verdade que a Palestina foi removida do Google Maps?

Na tarde de 15 de julho de 2020, ou seja, quarta-feira passada, uma publicação da página brasileira da “Embaixada do Estado da Palestina”, no Facebook, disseminou uma grave denúncia. Segundo o texto, a Palestina teria sido removida do serviço de mapas do Google!

Aparentemente, essa publicação foi deletada algum tempo depois, mas ainda é possível encontrar uma cópia arquivada pelos próprios mecanismos de busca (arquivo):

Aparentemente, essa publicação foi deletada algum tempo depois, mas ainda é possível encontrar uma cópia arquivada pelos próprios mecanismos de busca.

Assim como capturas de tela que foram divulgadas por sites de notícias, a exemplo da GaúchaZH.

Captura de tela publicada no site GaúchaZH.

O Texto Completo

Eis o texto completo, que na verdade é tão somente uma tradução do que foi publicado por um site chamado “The Word Media”:

A Palestina não aparece mais no Google Maps.

Hoje, nas primeiras horas do dia 14 de julho, a Palestina não é mais um local, de acordo com o google maps. A faixa de Gaza é mencionada e marcada, mas onde a Palestina existia agora é simplesmente uma parte da Grande Israel.

Parece que a colonização EUA / Israel continua. Táticas de roubo de terras que serviram tão bem aos EUA na eliminação de seus povos indígenas foram repetidas no Oriente Médio.

Primeiro faça um tratado de paz depois de roubar algumas terras. Em seguida, ligue para as pessoas que você chamou de hostis ou terroristas. Quebre o tratado que você fez e depois reúna a população prejudicada em campos ou reservas. Então diga ao mundo que é um acordo feito e as pessoas de quem você roubou eram apenas selvagens.

O domínio EUA / Israel sobre os palestinos está se tornando menos como um país com poucos colonos e mais como campos de concentração. Assassinato (campos de reassentamento) e roubo de terras. Exatamente as táticas do partido nazista. O líder comprado e vendido da Labour, Keir Starmer, pode defender isso?

A Repercussão nas Redes Sociais

Evidentemente, isso tudo não passou despercebido. Inúmeros usuários, entre eles uma colunista e pré-candidatos a prefeitos e vereadores pelo Brasil (1, 2), passaram a disseminar essa narrativa, ou seja, de que a Palestina teria sido removida pelo Google Maps.

Exemplo de tuíte que viralizou nas redes sociais.

Outro exemplo de tuíte que viralizou nas redes sociais.

Mais um exemplo de tuíte que viralizou nas redes sociais.

Entretanto, será que isso é verdade? Descubra agora, aqui, no E-farsas!

Verdadeiro ou Falso?

Falso! A Palestina nunca apareceu no Google Maps! Portanto, não é possível retirar do mapa, algo que nunca foi constou no serviço de mapas do Google.

Entre em contato com o E-farsas

(11) 96075-5663 - t.me/efarsas

A seguir, como de praxe, vamos explicar direitinho e o mais rapidamente possível essa história para vocês!

Um Site Chamado “The Word Media”

O texto publicado pela página brasileira da Embaixada da Palestina, no Facebook, é apenas uma cópia traduzida de apenas quatro parágrafos, que foram publicados por um perfil apócrifo chamado “Peter Loo”, num site chamado “The Word Media”. Diga-se de passagem, o “Peter Loo” passou a escrever para esse site a partir do dia 2 de julho de 2020.

Enfim, o desinformativo texto de “Peter Loo” foi publicado no dia 14 de julho de 2020, ou seja, um dia antes de ser disseminado pela página da Embaixada da Palestina.

Texto publicado no site “The Word”.

Curiosamente, o domínio “thewordmedia.org” foi registrado em janeiro deste ano. Esse domínio pertence a um “jornal” que possui um viés ideológico declaradamente de esquerda, no Reino Unido (o site principal é ainda mais estranho), mas que possui contas nas redes sociais (Facebook e Twitter) desde 2016.

A Reciclagem da Mesma Narrativa que Circulou em 2016!

Em agosto de 2016, o britânico “The Guardian” repercutiu a mesma acusação que foi propagada recentemente. Daquela vez, porém, a acusação havia partido de um site chamado “Fórum de Jornalistas Palestinos”. Naquela época, uma porta-voz do Google disse:

Nunca houve um rótulo de ‘Palestina’ no Google Maps, no entanto, descobrimos um bug que removeu os rótulos de ‘Cisjordânia’ e ‘Faixa de Gaza’. Estamos trabalhando rapidamente para trazer esses rótulos de volta a região

A reação nas redes sociais foi bem parecida com o que aconteceu aqui no Brasil e, inclusive, foi criada (meses antes) uma petição para o Google Maps incluir a Palestina.

Alguma Coisa Mudou Desde Então?

Não! Diversos sites brasileiros de notícias e de tecnologia, entre eles o “UOL”  e “Canaltech“, entraram em contato com o Google e obtiveram praticamente as mesmas respostas.

O Google diz seguir as demarcações definidas pela ONU, mais especificamente do UNGEGN (Grupo de Peritos em Nomes Geográficos das Nações Unidas), que oficialmente não reconhece a Palestina como um país. Desde 2012, a Palestina é um Estado observador não membro.

Por fim, vale destacar que a Cisjordânia e Faixa de Gaza aparecem com risco tracejado no aplicativo da companhia. Segundo a página de suporte, “limites onde há disputas são exibidos como uma linha cinza tracejada. Os lugares envolvidos não concordam sobre um limite“.

Conclusão

Falso! A Palestina nunca apareceu no Google Maps! Portanto, não é possível retirar do mapa, algo que nunca foi constou no serviço de mapas do Google.

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Colaborador do E-farsas desde janeiro de 2019. Entre junho de 2015 e abril de 2018, trabalhei como redator do blog AssombradO.com.br, além de roteirista do canal AssombradO, no YouTube, onde desmistificava todos os tipos de engodos pseudocientíficos, além de casos supostamente sobrenaturais. Na dúvida, não compartilhe. Reflita, faça uma busca reversa por imagens e pesquise por outras fontes.

1 Comentário

1 Comentário

  1. pobre palestina

    29 de julho de 2020 em 5:33

    Acho uma falta de respeito com a palestina, pois o território foi ocupado e dado as judeus pelas nações unidas, mas não pediram permissão dos palestinos, sem falar da guerra que durou anos, e no final os palestinos que respeitavam os judeus em seu território hoje tem que suportar serem chamados de não merecedores da terra prometida, que nada mais é do que um pedaço de terra quase desértico.

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