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quarta-feira, agosto 10, 2022

Uma patente para um teste de COVID-19 foi feita em 2015?

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É verdade que existe uma patente de 2015 para um teste contra a COVID-19 e isso prova que a pandemia foi algo planejado?

Essa afirmação voltou a ganhar força em compartilhamentos nas redes sociais na segunda semana de fevereiro de 2022 e mostra dados da patente ‘US20200279585A1‘, do pesquisador Richard Rothschild, para um teste de COVID-19.

O que chama a atenção é que a tal patente teria sido concedida em 2015, provando de uma vez por todas que a pandemia do novo coronavírus teria sido algo orquestrado bem antes de 2019.

Essa afirmação circula desde 2020, como podemos ver em publicações feitas em sites em outubro daquele ano, onde era afirmado que o “falso teste de COVID” havia sido inventado anos antes da pandemia!.

Será que isso é verdade ou mentira?

Patente de 2015 seria a prova definitiva de que a COVID-19 foi planejada! Será verdade? (foto: Reprodução/Twitter)

A patente ‘US20200279585A1’ existe e trata-se de um sistema para analisar dados biométricos do usuário e, de acordo com algoritmos desenvolvidos pelo pesquisador, determina se o usuário está com COVID-19.

Só que, diferente do que foi espalhado, ela foi solicitada em maio de 2020 (e não em 2015).

A verdade é que a data “2015-10-13“ se refere à “Prioriteitsdatum” (“data de prioridade”, em holandês). A data de prioridade é a primeira data de depósito em uma família de pedidos de patente relacionados ou pode se referir à primeira data de depósito de uma característica particular de uma invenção.

Foi o que aconteceu com a patente US20200279585A1. No caso, a patente de 2020 usou alguns “pedaços” das patentes de anos anteriores e, por isso, consta no documento mais recente.

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Outro detalhe importante é que nos Estados Unidos as patentes iniciam com a sigla “US” (para United States) seguidas do ano em que foram registradas. No caso da patente US20200279585A1, perceba que ela se inicia com o numeral “2020”, indicando que ela foi registrada em 2020.

Nesse link do Google Patents podemos verificar os registros de patentes anteriores que foram utilizadas na patente de 2020.

Numa simples consulta na página de buscas do repositório Espacenet, podemos verificar que a patente em questão foi publicada no dia 03 de setembro de 2020 (perceba que a data de 2015 está na coluna “date de priorité” (ou “data prioritária”, em francês):

Rothschild possui uma série de pedidos de patentes que possuem recursos semelhantes aos da US20200279585A, como o uso de dados biométricos, por exemplo.

Pedido de continuação

Nos Estados Unidos é possível se fazer um pedido de patente chamado Continuation in Part (ou “pedido de continuação”, em inglês), onde o inventor pode acrescentar novos elementos a uma solicitação de registro já existente.

O que acontece em patentes desse tipo é que a invenção anterior deve obrigatoriamente ser parte integrante da nova.

Atualização 15/02/2022

Nesse link da National Library of Medicine, é explicado mais claramente que a patente US20200279585A1 é baseada em uma série de pedidos de patente separados, mas que são relacionados, e que datam de 2015. Desses vários pedidos, apenas a patente US-2020279585-A1 menciona COVID-19, e foi arquivada em 17 de maio de 2020.

Texto traduzido via Google Translate: “OBSERVAÇÃO: a data de prioridade para o pedido de patente US-2020279585-A1 (e a concessão correspondente US-11024339-B2) que o Google forneceu é baseada em uma série de pedidos de patente separados, mas relacionados, que datam de 2015. Desses vários pedidos , apenas US-2020279585-A1 menciona COVID-19 e foi arquivado em 17 de maio de 2020.”

Conclusão

Não é verdade que foi patenteado um teste para a COVID-19 em 2015! A patente é de setembro de 2020 e utiliza métodos biométricos de uma patente mais antiga!

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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