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quarta-feira, janeiro 19, 2022

Vídeo mostra protesto com fotos de jovens que teriam morrido após tomar vacina! Será?

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Será que as pessoas mostradas em fotos durante protesto eram adolescentes que morreram logo após tomar a vacina da Pfizer contra a COVID?

O vídeo surgiu na segunda semana de janeiro de 2022, tem pouco mais de 2 minutos de duração e é narrado por uma mulher durante um evento anti-vacinação. Nas imagens, podemos ver fotos de jovens que teriam morrido poucos dias após receberem uma dose da vacina da Pfizer contra o novo coronavírus.

Somente em uma das publicações feitas no Instagram, a filmagem teve mais de 400 mil visualizações, mas será que esses casos são reais e as mortes ocorreram por causa da vacinação?

Verdade ou mentira?

Vamos analisar apenas os cartazes mostrados pela mulher no vídeo, na ordem em que aparecem na filmagem:

1 – Gabe Gillespie

O primeiro cartaz é do jovem Gabe Gillespie, que teria sido diagnosticado com miocardite um dia após tomar a segunda dose da vacina da Pfizer:

Não encontramos mais informações sobre o rapaz além das publicações que apenas repetem o mesmo texto, como podemos ver nessa postagem feita no Facebook em outubro de 2021. O fato do adolescente ser homônimo de um jogador de basquete dificulta as buscas a respeito. 

Diferente do que dá a entender no vídeo, o jovem Gabe não morreu e tampouco há provas de que ele tenha ido parar no hospital por causa da vacina.

2 –  Davide Bistrot

Em julho de 2021, o jovem esportista Davide Bistrot foi encontrado morto em sua casa, na província de Belluno (Itália). De acordo com os jornais locais, Bistrot havia ido ao hospital na noite anterior à sua morte com queixas de fortes dores na cabeça (nada de “fibrilação no coração”, como é dito no vídeo), sendo mandado para casa após uma série de exames clínicos e administração de remédios.

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Após a tragédia, o promotor da província de Bellumo abriu uma investigação para apurar se o atendimento feito ao garoto seguiu os protocolos à risca e, logo de cara, qualquer correlação entre a morte e a vacina Covid 19 que o estudante havia tomado um mês antes foi excluída.

Ou seja, é errado afirmar categoricamente que a causa da morte tem relação com a vacinação.

3 – Kamrynn Soleil Thomas

A adolescente Kamrynn morreu aos 16 anos, vítima de uma embolia pulmonar, em março de 2021. Em seu obituário não há nenhuma menção à vacina. Também não encontramos nada sobre vacinas nesse obituário.

O mais curioso dessa afirmação (de que ela teria morrido 11 dias após ter tomado o reforço da vacina) é que a jovem teria morrido em março após receber uma dose da vacina, mas a vacinação para a sua faixa etária só foi liberada em Wisconsin (estado norteamericano onde morava) no dia 05 de abril de 2021. Ou seja, é quase impossível que ela tenha sido imunizada duas vezes antes do dia de sua morte…   

Tudo indica que tudo tenha começado em um site de língua inglesa especializado em espalhar desinformação sobre o coronavírus chamado The Covid Blog, que se baseou em dois relatos anônimos de um site chamado Medalerts sobre uma jovem de 16 anos que teria sofrido uma parada cardíaca após receber uma dose do imunizante. 

O site Medalerts, por sua vez, não checa as informações ali publicadas por seus usuários, que podem postar qualquer dado de forma anônima e sem precisar apresentar nenhum documento comprobatório, como averiguou a agência de notícias Reuters.

4 – Shirel Hilel

Segundo o jornal The Times of Israel, a jovem Shirel faleceu aos 22 anos de idade, em decorrência de uma inflamação no coração. No entanto, não há dados que comprovem alguma ligação entre essa fatalidade e a imunização da população israelense. A família da moça afirma que houve outros casos de miocardite entre os que foram vacinados, mas todos foram tratados com sucesso, incluindo pacientes em estado mais grave que Hilel.

A moça acabou sendo levada para a unidade de cuidados cardíacos, onde sua família afirmou que ela não foi suficientemente vigiada pela equipe do hospital.

5 – Mosheur Rahman 

No dia 1º setembro de 2021, o adolescente bengali Mosheur Rahman morreu em um hospital italiano, aos 16 anos de idade. Apesar dele ter recebido duas doses de uma vacina contra a COVID-19, não havia dados suficientes para ligar a morte à imunização (cuja segunda dose havia sido administrada 3 semanas antes). 

Dias depois da fatalidade, a Autoridade Local de Saúde emitiu uma nota afirmando que o menino teria morrido de meningite causada por uma doença rara, do qual os familiares não tinham conhecimento até então.

6 – Yassine

O adolescente Yassine ficou conhecido após um depoimento seu se tornar viral, em setembro de 2021. O menino fala em francês que teria perdido a visão após receber uma dose da vacina contra o novo coronavirus. O caso passou a ser compartilhado como “trombose de retina” (ou “trombose de córnea”), o que é algo estranho, visto que a córnea não é vascularizada.

Atualmente, esse parece ter sido o único caso registrado na França (e no mundo) de alguém que teria perdido a visão (ou parte dela) em decorrência de uma das vacinas para a COVID-19. 

Na verdade, ficou comprovado através de exames que Yassine sofre de retinite aguda (inflamação da retina), possivelmente autoimune, além de apresentar deficiências de ferro e de vitaminas.

7 – Richard Rowe

O ex-motorista de caminhão e ex-candidato ao Senado dos Estados Unidos Richard Rowe morreu aos 41 anos de idade, em novembro de 2021. Ativista LGBTQi+, Rowe tinha muitos inimigos nas redes sociais e não encontramos nada sobre a causa da sua morte, pois a família não deu detalhes sobre o assunto.

Sabe-se que ele tomou a primeira dose da vacina 3 meses antes da sua morte e não há relatos de que tenha tomado a segunda dose.

Esse é um caso de um homem maior de idade e que teria morrido meses depois da vacina (o que foge um pouco da intenção do vídeo, que era a de mostrar adolescentes que teriam morrido logo após a imunização).

8 – Brittany Hall Perez

A norte-americana Brittany morreu no dia 13 de janeiro de 2021, aos 39 anos de idade. Não há nenhuma menção à sua carteira de vacinação em seu obituário.

Curiosamente, um dia antes, ela havia publicado sua última postagem com a seguinte mensagem: “Salve Vidas. Diga Sim à Vacina da COVID-19”.

No entanto, não dá para saber pela foto qual foi a fabricante da vacina que ela havia tomado e tampouco há informações da causa da morte.

A moça também tem bem mais de 17 anos e foge da teoria de que apenas jovens adolescentes estariam morrendo por causa da vacina.

9 – Weverton Silva

A nona foto a ser exibida no vídeo mostra um brasileiro. O jovem Weverton Silva teria morrido aos 13 anos de idade de ataque do coração, 44 dias após tomar a vacina. De fato, há um Weverton Santos Silva na lista de imunizados com a primeira dose da vacina da Pfizer no relatório da prefeitura do Vale do Anari (RO).

No entanto, não há (ainda) como comprovar que haja alguma relação entre a morte e a imunização, pois não encontramos nenhum documento sobre a causa da morte do adolescente.

É importante lembrar aqui que os riscos de morte súbita em crianças e adolescentes já eram documentados anos antes da vacina contra a COVID-19, como podemos ver nessa reportagem de 2017.

10 – Jummai Nache

A profissional de Saúde chamada Jummai Nache teve as pernas e uma das mãos amputadas dias depois de receber a segunda dose da vacina para a COVID-19. O caso ocorreu nos Estados Unidos, em fevereiro de 2021, quando a mulher deu entrada no hospital com fortes dores no corpo, onde testou positivo para a COVID.

O caso de Jummai foi encaminhado aos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que não conseguiu determinar se a vacina desempenhou algum papel em sua condição médica.

Casos de miocardite são raros

Segundo levantamento feito pelo CDC norte-americano, casos de miocardite (inflamação do músculo cardíaco) e pericardite (inflamação do revestimento externo do coração) foram relatados após a vacinação Pfizer-BioNTech COVID-19 de crianças de 12 a 17 anos. No entanto, essas reações são muito raras. No levantamento, foi comprovado que o risco de miocardite após a segunda dose de Pfizer-BioNTech na semana seguinte à vacinação foi de cerca de 54 casos por milhão de doses administradas a homens com idades entre 12 e 17 anos.

O estudo concluiu ainda que, adolescentes de 12 a 17 anos têm maior risco de miocardite do que crianças de 5 a 11 anos, mas durante os ensaios clínicos, nenhum caso de miocardite ocorreu em crianças de 5 a 11 anos que receberam a vacina da COVID-19.

Conclusão

Sentimos muito pelas famílias que perderam seus entes queridos, mas é preciso que se analise caso a caso as causas das mortes. A tendência do ser humano é a de procurar um culpado para a morte de algum parente, principalmente quando essa vida é levada cedo demais… Como podemos ver no vídeo, o que era pra ser um relato de crianças que morreram logo após serem imunizadas pela vacina da Pfizer mostrou ser um apanhado de casos isolados (de adultos e adolescentes) que foram colocados juntos para dar uma impressão de enorme quantidade de ocorrências! 

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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