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Cientista russo fotografa a alma no momento da morte!

Postado por Gilmar Lopes no dia 2 de outubro de 2013 96 Comentários
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Com uma câmera bioeletrográfica, o cientista russo Konstantin Korotkov afirma ter conseguido fotografar o exato momento de que a alma saiu do corpo de uma pessoa! Será?

A notícia, acompanhada da imagem abaixo, apareceu nas redes sociais e em diversos sites e blogs na última semana de setembro de 2013. De acordo com o texto, um cientista russo chamado Konstantin Korotkov afirmou ter conseguido registrar o momento em que a alma de uma pessoa saia do corpo, no momento exato de sua morte.

A foto teria sido obtida através de um método de visualização de descarga de gás, uma técnica avançada conhecida como “fotografia Kirlian”, que mostra em azul a força de vida da pessoa deixando o corpo gradualmente.

O artigo ainda afirma que, de acordo com Korotkov, “a alma” das pessoas que sofrem uma morte violenta e inesperada geralmente se manifesta um estado de confusão em suas configurações de energia e tentam retornar ao corpo nos dias seguintes à morte.

Cientista teria conseguido fotografar a alma saindo do corpo! Verdadeiro ou falso? (foto: Reprodução)

Cientista teria conseguido fotografar a alma saindo do corpo! Verdadeiro ou falso? (foto: Reprodução)

 

Verdadeiro ou falso?

Antes de responder a essa pergunta, uma série de outras perguntas devem ser feitas:

Quando exatamente ocorre a morte?

Médicos, cientistas, religiosos, filósofos… Ninguém ainda chegou a um consenso sobre a hora definitiva de declarar alguém realmente morto.

Antigamente, quando o coração parava já era o fim. Anos mais tarde, com os avanços da medicina, as massagens cardíacas e remédios mais poderosos podiam trazer o paciente de volta.

O jovem Steven Thorpe foi declarado morto, mas saiu do coma! (foto: Divulgação)

O jovem Steven Thorpe foi declarado morto, saiu do coma e se recuperou! (foto: Divulgação)

Hoje em dia, os médicos realizam testes no doente para determinar o quão vivo seu cérebro está, mas erros de interpretações ainda acontecem.

Citando um caso de 2008, por exemplo, o jovem britânico de 17 anos Steven Thorpe entrou em coma após um acidente de carro que lhe deixou feridas graves em sua cabeça. Os médicos realizaram 3 exames minuciosos e concluíram que o diagnóstico era morte encefálica. Os sinais cerebrais eram tão fracos que a morte já estava dada como certa. Depois de duas semanas, para espanto de todos, Steven saiu do coma e começou a se recuperar e hoje, inexplicavelmente, tem uma vida quase normal.

Para os médicos, a morte cerebral é “a” morte! Mas não é todo mundo que pensa assim… Para a família, um coração batendo ainda pode significar um fio de esperança (ainda que o cérebro tenha sido declarado morto).

Como foram inventados aparelhos que funcionam como pulmões e corações artificiais, que dão uma sobrevida ao paciente na UTI, ficou muito mais complicado de se saber exatamente o que é (e quando ocorre) a morte. Os médicos tiveram que chegar a um “acordo” (se é que podemos chamar assim) para decidir o que fazer quando o cérebro do paciente parar de vez. Decidiram, então, “desligar” o encéfalo (o pedacinho do sistema nervoso central que controla todas as funções que nosso corpo faz de forma automática: respiração, batimento cardíaco e etc.) nos casos de morte cerebral. Dessa forma, o corpo morre também (e os órgãos ainda podem servir para doações!).

Onde fica a alma?

Não se sabe ao certo o que é a alma e, muito menos, onde ela fica (caso exista de fato)!

Religiosos tratam a existência da alma de maneiras diferentes até entre eles mesmos e cada religião acredita naquilo que lhes foram ensinados. Os católicos, por exemplo, acreditam que a alma possui a mesma forma que a do nosso corpo. Já os espíritas veem a alma como uma entidade que reencarna várias vezes aqui na Terra e, a cada nova encarnação, essa alma evolui e muda a sua forma.

Alguns acham que a alma nem exista… De qualquer maneira, não podemos medir a alma com nenhuma ferramenta.

O peso da alma

E por falar em medir a alma, seria bom acrescentar aqui um estudo (sem nenhum embasamento científico, que fique bem claro!) de um doutor norte-americano chamado Duncan MacDougall. Em 1901, o doutor chegou à conclusão de que a alma de cada indivíduo pesaria 21 gramas.

O Dr. Duncan chegou a esse resultado após pesar vários cadáveres de seis cães antes e depois das suas mortes e percebeu que os bichos continuavam pesando a mesma coisa. Depois, o doutor fez o mesmo teste com seis mulheres e notou que, diferente dos animais, as defuntas ficavam 21 gramas mais leves, em media.

Olha só que legal! De uma só vez, o Dr. Duncan MacDougall teria feito duas “importantes” descobertas. Em primeiro lugar, que a alma possuía massa e pesava 21 gramas e, em segundo lugar, que cachorros não tinham alma!

O que parece engraçado hoje foi tido como uma grande descoberta na época, mas descobriu-se posteriormente que os resultados apresentados por MacDougall eram falsos, pois a metodologia usada nos testes era cheia de falhas. Por exemplo, das seis cobaias humanas, apenas uma apresentou uma perda de peso real de 21 gramas. As outras cinco… Nem tchun!

Ah! Esse mito criado pelo Dr. Duncan MacDougall ficou famoso nos Estados Unidos e no mundo, acabou entrando para a literatura de ficção e, em 2003, serviu de roteiro para o filme 21 Gramas!

Capa do filme '21 Gramas" de 2003! (foto: Divulgação)

Capa do filme ’21 Gramas” de 2003! (foto: Divulgação)

O doutor Konstantin Korotkov

O doutor Korotkov possui um currículo invejável, como podemos ver em seu site que ele mantém para também vender as suas câmeras e outros aparelhos. Dentre outros títulos e cargos, ele é Vice-Diretor do Instituto de Saint-Petersburg Federal de Pesquisa de Cultura Física, Professor de Ciência da Computação e Biofísica em Saint-Petersburg Universidade Federal de tecnologias informacionais, Mecânica e Ótica e Presidente da União Internacional para a médica e Aplicada Bioeletrografia.

Não vamos aqui encher de explicações sobre o trabalho do ilustríssimo doutor, só gostaríamos de compartilhar a pequena pesquisa feita pelo cientista Gennady Shevelev, que fez uma busca dentre os ex-colegas do dr. Konstantin Korotkov e descobriu que muitas das coisas publicadas por ele são meramente ficcionais. Shevelev também encontrou diversas falhas nas pesquisas publicadas por Korotkov.

Mais um detalhe que não pode passar em branco é uma das frases atribuídas ao doutor Konstantin. Segundo o texto que circula pela web, o doutor consegue medir (e fotografar) as diferenças na alma de quem teve uma morte violenta e inesperada daquela de quem teve uma morte natural.

A dúvida que fica é: Como ele fez para registrar a alma da pessoa que teve uma morte violenta? Será que ele teve que esperar alguém morrer de forma violenta para, então, fotografar a alma?

Um ponto que chama a atenção na sua vasta lista de títulos é seu enorme conhecimento na Bioelegrafia. Esse tipo de fotografia, que é chamado de “técnica avançada” nas diversas versões da notícia que circulam pela web, é uma forma de fotografia não tão nova assim. Foi criada por um inventor russo chamado Semyon Davidovich Kirlian, em 1939.

A Kirliangrafia é um processo que ocorre quando um objeto aterrado eletricamente descarrega faíscas entre ele e um eletrodo gerando o campo elétrico. Quando estas faíscas são capturadas no filme dão a aparência de uma aura em volta do objeto (sendo ele vivo ou não). A tal aura pode mudar de cor e de formato devido a variações nas descargas elétricas, temperatura, umidade, pressão e outros fatores externos, mas mesmo assim algumas entidades ainda usam isso hoje em dia para diagnosticar doenças. Você acredita que tem gente que paga (caro) pra ter um diagnóstico assim?

Kirliangrafia (foto: Reprodução)

Kirliangrafia (foto: Reprodução)

Mas se a técnica é antiga e não possui nenhum embasamento científico, por que o doutor está fazendo sucesso ao afirmar que consegue fotografar a alma?

Sinceramente, não sabemos! Talvez seja o marketing (sempre ele).

As fotos

Uma das poucas fotos publicadas por Konstantin Korotkov é essa aqui:

alma2

Podemos notar que a fotografia acima não tem nada a ver com a Kirliangrafia. Enquanto que a fotografia de Kirlian exibe uma aura em volta do objeto fotografado, essa imagem publicada por Konstantin se parece mais com uma foto de infravermelho, daquelas que colorem de acordo com o calor. Isso não prova em nada a existência da alma e tampouco que ela teria sido fotografada pelo doutor.

E, pra terminar, não podemos deixar de falar sobre a imagem que acompanha essa notícia. Será que ela é real?

Cientista teria conseguido fotografar a alma saindo do corpo! Verdadeiro ou falso? (foto: Reprodução)

“Transfiguração: figura fantasmagórica deixando o corpo” (Oscar Burriel/Science)

Negativo. A foto é falsa!

Essa imagem é uma montagem feita por Oscar Burriel para o Science Photo Library. A fotomontagem se chama “Transfiguração: figura fantasmagórica deixando o corpo”.

Alguém deve ter achado a “fotografia da alma” publicada por Konstantin meio sem graça, resolveu trocar por essa montagem (bem mais legal, diga-se de passagem) e espalhou pela web.

Conclusão

Farsa! A notícia da fotografia da alma não deve ser levada à sério.

 

 

 

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13 respostas para “Cientista russo fotografa a alma no momento da morte!”

  1. Anderson disse:

    Como disse o caca silva pelo face

    Ótima matéria.
    Só não entendi uma parte não ficou nada incompleto aqui?
    …Decidiram, então, fazer com que o encéfalo (o pedaçinho do sistema nervoso central que controla todas as funções que nosso corpo faz de forma automática: respiração, batimento cardíaco e etc.). Dessa forma, o corpo morre também…
    Decidiram fazer com que o encéfalo o que?

  2. Bom dia!

    Poderia revisar o texto nesta parte? Acho que está faltando alguma coisa:

    “Decidiram, então, fazer com que o encéfalo (o pedaçinho do sistema nervoso central que controla todas as funções que nosso corpo faz de forma automática: respiração, batimento cardíaco e etc.).”

  3. Marcos A. disse:

    O sucesso do doutor em questão com certeza é pelo marketing somado a vontade enorme das pessoas de ter alguma prova de que a morte não é o fim. É dessa forma que charlatões, inclusive inúmeras igrejas por ai, conseguem vender seu produto que é a promessa de algo além da vida terrena. Se eu fosse uma pessoa carismática, cara de pau e pilantra, com certeza deixaria meu emprego e abriria minha própria fábrica de ilusões.

  4. Devanir Nunes disse:

    A palavra “áurea” foi utilizada diversas vezes. Em todas elas o correto seria “aura”.

  5. Mauro disse:

    Ótimo! Agora só falta vocês desmascararem a Farsa da Urna eletrônica! Ou vocês acreditam nela!?

  6. Juh disse:

    Acho difícil alguém pesar a alma ou fotografar.

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