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Um misterioso “objeto” caiu próximo a uma base militar dos EUA, no Alasca?

UFO

Um misterioso “objeto” caiu próximo a uma base militar dos EUA, no Alasca?

Um misterioso “objeto” caiu próximo a uma base militar dos EUA, no Alasca?

Um “objeto” misterioso teria caído próximo a uma base militar dos Estados Unidos, no Alasca? Bem, isso é o que sites de tabloides britânicos (a exemplo do “Daily Star”), de agências de notícias (a exemplo da “Sputnik Brasil”), e de sites brasileiros dedicados a reprodução de notícias relacionadas a “Ufologia” vêm repercurtindo a plenos pulmões, uma vez que, teoricamente, nenhuma autoridade militar ou civil saberia ao certo o que seria esse tal objeto.

Entretanto, será que isso é mesmo verdade? Algum “objeto voador não identificado” realmente caiu próximo a uma base militar norte-americana? Será mesmo que é impossível descobrir qual é esse “objeto”? Descubra agora, aqui, no E-Farsas!

A História que foi Divulgada pela KTVA

Todo esse frenesi começou a reverberar na imprensa internacional através da KTVA – uma emissora de TV norte-americana afiliada da CBS. No dia 21 de março de 2019, foi publicado o seguinte artigo: “WATCH: ‘Falling’ object in Anchorage skies caught on video” (“Assista: Objeto ‘caindo’ nos céus de Anchorage é registrado em vídeo”, em português). Logo no início foi mencionado, que um objeto foi registrado nos céus da cidade de Anchorage, no Alasca, na noite de terça-feira (19). Num trocadilho com a célebre frase “A verdade está lá fora“, a KTVA disse que não encontrou a verdade ao verificar o caso com várias agências federais.

No dia seguinte (20), um vídeo mostrando o tal “objeto” foi enviado para a emissora por um morador local – um jovem chamado Adonus Baugh. Confira o vídeo abaixo:

Segundo a KTVA, uma outra usuária chamada Babe King chegou a publicar duas fotos desse “objeto” num grupo de Anchorage, no Facebook, chamado “Alaska Joe Scanner“, porém a postagem foi posteriormente apagada, porque “ela não queria que as pessoas achassem que ela estava vendo alienígenas“. Isso não significa, é claro, que a KTVA não tivesse anotado o que foi mencionado por essa usuária.

Segundo a KTVA, uma outra usuária chamada Babe King chegou a publicar duas fotos desse “objeto” num grupo de Anchorage, no Facebook, chamado “Alaska Joe Scanner”, porém a postagem foi posteriormente apagada, porque “ela não queria que as pessoas achassem que ela estava vendo alienígenas”.

De acordo com Babe King, o “objeto” foi visto por volta das 20h23, e não parecia ser um avião ou qualquer tipo de jato. Era algo grande, super lento e avermelhado, e estava indo rumo a Oeste, no sentido da Avenida Dimond (Dimond Blvr). No fim das contas, ela acreditava que pudesse ser um asteroide, e ficou maravilhada de ter visto aquilo pessoalmente.

A “Verificação” dos Fatos por Parte da KTVA

De acordo com a KTVA, Erin Eaton, a porta-voz da base da Força Aérea de Elmendorf-Richardson (localizada na própria cidade de Anchorage) teria verficado naquele mesmo dia (20), se havia alguma aeronave pertencente a base, que estivesse sobrevoando a região naquele horário. Diversas aeronaves militares decolam a partir dessa base, desde caças F-22 Raptors, passando por aeronaves de transporte como o  C-130 Hércules e o C-17 Globemaster III, até aeronaves de comando, tal como o E-3 Sentry AWACS.

E qual teria sido a resposta da porta-voz? “Isso não se parece com nenhuma de nossas aeronaves“, disse Eaton.

Isso não se parece com nenhuma de nossas aeronaves“, disse Erin Eaton, a porta-voz da base da Força Aérea de Elmendorf-Richardson

Ainda segundo a KTVA, oficiais (sem citar quaisquer nomes) da Administração Federal de Aviação (FAA) disseram, que o objeto visto no vídeo não era uma aeronave. Além disso, a FAA não teria recebido nenhum relatório sobre questões envolvendo aeronaves na noite de terça-feira (19).

Uma Análise Sensata da Situação

No texto divulgado pela KTVA, Peter Davidson, diretor de uma organização que se dedica desde 1974 a investigação de OVNIs, nos Estados Unidos, chamada “National UFO Reporting Center” foi aquele que forneceu a opinião mais sensata sobre o vídeo. De acordo com Peter, o tal “objeto” seria tão somente um avião em altitude de cruzeiro, e um rastro de condensação atrás dele. Segundo ele, apesar de ser um voo “nivelado” temos a sensação de que o avião está caindo, porque ele está se afastando da câmera.

O avião não está caindo, mas algo conhecido como “paralaxe” (a diferença na posição aparente de um objeto visto por observadores em locais distintos) faz com que pareça assim.

Nada Como uma Boa Risada

Uma equipe do Serviço Nacional de Meteorologia, sediada em Anchorage, gargalhou quando questionada sobre o assunto.

Verdadeiro ou Falso?

O “objeto”, na verdade, era tão somente um Boieng 777-381 (ER), prefixo “JA788A”, referente ao voo “ANA111” da companhia aérea “All Nippon Airways”. O voo tinha partido da cidade da norte-americana de Chicago rumo a Tóquio, no Japão. A aeronave estava apenas sobrevoando a cidade, visto que é uma conhecida rota aérea. Assim sendo, não caiu nenhum objeto próximo a base da Força Aérea de Elmendorf-Richardson.

O “objeto”, na verdade, era tão somente um Boieng 777-381 (ER), prefixo “JA788A”, referente ao voo “ANA111” da companhia aérea “All Nippon Airways”

O voo tinha partido da cidade da norte-americana de Chicago rumo a Tóquio, no Japão. A aeronave estava apenas sobrevoando a cidade, visto que é uma conhecida rota aérea. Assim sendo, não caiu nenhum objeto próximo a base da Força Aérea de Elmendorf-Richardson.

Aquela “fumaça branca” que vemos são apenas rastros de condensação (contrails), ou seja, nuvens lineares (nem sempre permanecem lineares após alguns minutos, visto que dependem da intensidade e direção do vento) formadas pela condensação dos gases de exaustão dos motores das aeronaves a elevadas altitudes.

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Aquela “fumaça branca” que vemos são apenas rastros de condensação (contrails), ou seja, nuvens lineares (nem sempre permanecem lineares após alguns minutos, visto que dependem da intensidade e direção do vento) formadas pela condensação dos gases de exaustão dos motores das aeronaves a elevadas altitudes.

Tal situação acontece com qualquer avião a jato, seja comercial ou militar, que esteja voando, geralmente, acima de 8.000 metros de altitude.

Nossa Investigação Sobre o Incidente

Como descobrimos isso? Bem, em primeiro lugar, qualquer pessoa que tivesse conhecimento prévio sobre rastros de condensação saberia, que não se tratava de nenhum disco voador, projeto secreto do governo norte-americano ou qualquer outro objeto fantasioso “despencando” dos céus. Se tem aspecto de contrail, formato de contrail, se comporta como um contrail, bem, então é um contrail.

Entretanto, muitos sites que divulgam casos supostamente ufológicos, e fazem da mentira o seu sustento, não se importam com essa lógica. Aliás, basta surgir uma declaração de uma porta-voz, que apenas negou ser uma aeronave militar, e de supostos oficiais da FAA (lembrando que nenhum nome foi divulgado) alegando que não era uma aeronave, que o caso imediatamente foi taxado de misterioso. Se fosse ao contrário, ou seja, se a porta-voz alegasse ser uma aeronave militar, imediatamente diriam que a mídia estava tentando encobrir tudo. O discurso simplesmente muda de tom conforme a vontade de quem tenta propagar a mentira.

Um Tom Totalmente Caótico

A agência de notícias “Sputnik Brasil”, por exemplo, fez questão de destacar no título: “Força Aérea dos EUA não consegue explicar origem de OVNI caindo do céu“. Além disso, mencionou que o autor da filmagem, o jovem Adonus Baugh, de 18 anos, não concordava com a opinião de Peter Davidson, como se isso tivesse alguma real importância.  Já o site do tabloide “Daily Star”, que nunca deveria servir de fonte de informação para qualquer site ou canal do YouTube, que pretendesse ser levado a sério, disse que os militares estavam perplexos.

A agência de notícias “Sputnik Brasil”, por exemplo, fez questão de destacar no título: “Força Aérea dos EUA não consegue explicar origem de OVNI caindo do céu”. Além disso, mencionou que o autor da filmagem, o jovem Adonus Baugh, de 18 anos, não concordava com a opinião de Peter Davidson, como se isso tivesse alguma real importância.

Conforme conferimos anteriormente, os militares não ficaram perplexos e apenas disseram que não se tratava de uma aeronave militar. Infelizmente, a matéria da KTVA que é extremamente rasa e “preguiçosa”, visto que foi incapaz de fazer uma busca por imagens semelhantes de contrails no Google.

A Identificação da Aeronave

Sabendo que se trata de uma aeronave, bastaria qualquer pessoa acessar alguns sites, tais como o “Flightradar24.com” ou o “Planefinder.net” para tentar descobrir qual aeronave era essa, visto que ambos os sites têm mecanismos que possibilitam voltar no tempo.  No acesso gratuito há uma limitação retroativa, mas geralmente é suficiente para identificar a realidade por trás do que é divulgado, quando sabemos o dia, horário, e principalmente a direção na qual o observador estava gravando.

No caso ocorrido em Anchorage, sabemos que foi no dia 19 de março, por volta de 20h23, e o “objeto” estava indo rumo a oeste, no sentido da Avenida Dimond. Assim sendo, eis o trafégo aéreo da região por volta desse mesmo horário, segundo o site “Plane Finder“:

Eis o trafégo aéreo da região por volta desse mesmo horário, segundo o site “Plane Finder” (clique aqui para ver a imagem ampliada)

Vale ressaltar, que na imagem acima os horários foram devidamente convertidos, ou seja, 20h20 de 19 de março, em Anchorage, no Alasca, era 01h20 da madrugada, de 20 de março, em São Paulo, no Brasil.

Ao clicar na aba “Aircraft Info” temos acesso aos detalhes da aeronave e podemos ver claramente, que se tratava de um Boeing 777-381 (ER), um avião a jato bimotor (compatível com os dois rastros de condensação deixados no céu). A aeronave estava em uma altitude de cruzeiro, a 34.000 pés (cerca de 10.000 metros), e a uma velocidade de 830 km/h.

A aeronave estava em uma altitude de cruzeiro, a 34.000 pés (cerca de 10.000 metros), e a uma velocidade de 830 km/h (clique aqui para ver a imagem ampliada)

Outro detalhe muito importante, é que a aparência avermelhada do rastro de condensação é devido a incidência dos últimos raios de sol em Anchorage (vejam contrails semelhantes clicando aqui). Segundo o site “Timeanddate.com“, embora o pôr do sol tenha ocorrido exatamente às 20h11, no dia 19 de março, a noite propriamente dita começou apenas às 23h13. O Boeing 777-381 (ER) cruzou os céus de Anchorage no chamado crepúsculo civil.

Para completar, lembram que o “objeto” estava indo rumo a oeste, no sentido da Avenida Dimond (Dimond Blvr)? Deem uma olhada no comparativo abaixo, e notem como tudo se encaixa perfeitamente:

O comparativo acima mostra como tudo se encaixa perfeitamente.

Conclusão

Nenhum “objeto voador não identificado” caiu próximo a base da Força Aérea de Elmendorf-Richardson. Aliás, o tal “objeto”, na verdade, era tão somente um Boieng 777-381 (ER), prefixo “JA788A”, referente ao voo “ANA111” da companhia aérea “All Nippon Airways”. O voo tinha partido da cidade da norte-americana de Chicago rumo a Tóquio, no Japão. A aeronave estava apenas sobrevoando a cidade, visto que é uma conhecida rota aérea. Assim sendo, não caiu nenhum objeto próximo a base da Força Aérea de Elmendorf-Richardson.

 

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6 Comentários

6 Comments

  1. Libélula

    28 de março de 2019 em 17:06

    Mas chamar a sputnik de “agencia de noticias” é forçar a barra! Lembrando que a sputnik é uma agência estatal russa, só posta bobagens, e um monte de boot comentando lá… quem quiser rir das maluquices que eles acreditam, visitem a sputnik! Mas não levem as “noticias” de lá a sério!

    • Alan Souza

      3 de abril de 2019 em 11:46

      Obviamente você nunca entrou no site da Sputnik… Você está sendo ideológico. Achar que não publica anda de interessante só porque é russa é ideológico. Cuidado que o Bolsonaro não gosta de ideologia!

  2. ALEXANDRE DO NASCIMENTO MENDES

    29 de março de 2019 em 10:35

    OK mas se o objeto aparece no video se moviemntando lentamente, por que o titulo de quem criou a noticia é “caiu perto…”?

    • Alan Souza

      3 de abril de 2019 em 11:51

      Você não leu o artigo todo, né? No artigo está escrito que não teve queda coisa nenhuma, que o vídeo é de um avião em pleno voo. Inclusive identifica o voo via prefixo, a origem e o destino, o modelo da aeronave e a companhia que operava o voo…

  3. francisco

    8 de abril de 2019 em 13:21

    não sou especialista em avião mas dier que isso é rastro de condensação é forçar um pouco né, pode ser qqer outra coisa menos jato.

    • Xeroque Rolmes

      8 de abril de 2019 em 14:16

      Parei no “não sou especialista em avião”. Caro encerrado.

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