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domingo, setembro 19, 2021

A Bíblia alertou para o distanciamento social e para o uso de máscara?

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É verdade que a Bíblia falava sobre distanciamento social, higiene das mãos e o uso de máscaras para a proteção contra vírus e bactérias?

No começo de janeiro de 2021, começou a se espalhar nas redes sociais, e em grupos de WhatsApp, um texto afirmando que a Bíblia Sagrada teria inventado as três regras básicas para nos proteger do coronavírus. De acordo com o texto, 7 versículos provariam que a humanidade já sabia se proteger há mais de 3.500 anos!

Será que isso é verdade ou mentira?

Trecho do texto compartilhado através de grupos de WhatsApp em janeiro de 2021: “Interessante! Quem inventou as três regras básicas para nos proteger? 1 – Distância 2 – Higiene das mãos 3 – Uso de máscara. Essas leis foram dadas à nação de Israel, há 3500 anos.  Sabia?  Portanto, procure na Bíblia! 1 – ÊXODO 30: 18-21 – Lave as mãos 2 – LEVÍTICO 13: 4, 5, 46 – Se tiver sintomas mantenha distância, cubra a boca e evite o contato 3 – LEVÍTICO 13: 4, 5 – Quem está infectado, deve permanecer entre 7 e 14 dias em quarentena[…]

Verdade ou mentira?

Em primeiro lugar, uma busca em todo o conteúdo da bíblia, tanto no Velho quanto no Novo Testamento, mostra que não há nenhuma menção no livro sagrado sobre o uso de máscaras para a diminuição de contágio ou de contaminação por alguma doença.   

Também buscamos por algo semelhante a “cubra a boca” e não encontramos nada. As menções a “tapar a boca” encontradas nas Bíblia são uma metáfora para “pare de falar asneiras”, como em Tito 1:11, que diz:

“Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância.”

Quanto aos 7 versículos citados na corrente espalhada no WhatsApp, apenas o livro de Levítico trata de um tipo de distanciamento social ou de quarentena. Como veremos a seguir.

Êxodo 30:17-21 fala sobre a entrada na tenda da congregação:

“E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Farás também uma pia de cobre com a sua base de cobre, para lavar; e a porás entre a tenda da congregação e o altar; e nela deitarás água. E Arão e seus filhos nela lavarão as suas mãos e os seus pés. Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao Senhor. Lavarão, pois, as suas mãos e os seus pés, para que não morram; e isto lhes será por estatuto perpétuo a ele e à sua descendência nas suas gerações.”

Não há, pelo menos aqui, nada referente à perigo de contágio…

Já em Levítico 13, o assunto tratado é a lepra, no entanto não há nenhuma menção quanto ao uso de máscara:

“Mas, se a mancha na pele de sua carne for branca, e não parecer mais profunda do que a pele, e o pêlo não se tornou branco, então o sacerdote encerrará o que tem a praga por sete dias; E ao sétimo dia o sacerdote o examinará; e eis que, se a praga, ao seu parecer parou, e na pele não se estendeu, então o sacerdote o encerrará por outros sete dias. Todos os dias em que a praga houver nele, será imundo; imundo está, habitará só; a sua habitação será fora do arraial.”

Isolamento e quarentena na Bíblia

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O autor dessa “corrente de zap” poderia ter usado outros versículos que tratam mais especificamente de ações para a diminuição de contágio de doenças. A Bíblia possui diversos deles, principalmente no Velho Testamento.

É atribuída a Moisés a publicação das primeiras orientações específicas sobre distanciamento social como o principal meio de prevenção de doenças contagiosas. Alguns capítulos do Antigo Testamento foram dedicados a esse assunto e todas (ou grande parte) eram específicas para se evitar o contágio por lepra – doença bastante contagiosa e grave na época. 

Em Levítico 15: 4-27, era exigido que todos tomassem banho e lavassem suas roupas, em Deuteronômio 23:12-13, foi especificado que os dejetos humanos fossem feitos em local privado e fora das casas e em Levítico 5: 2-3 e Números 19:16 é estipulado que qualquer pessoa que tocasse em um cadáver fosse colocada em quarentena.

Possíveis origens das regras de higiene da Bíblia

Segundo Fernando Martins, em uma publicação no site Gazeta do povo, há pelo menos duas hipóteses para essas e outras regras de higiene terem entrado na Bíblia:

“A primeira é teológica: Deus as ensinou para que seu povo tivesse saúde. E há a tese histórica: Moisés, filho adotivo da filha do faraó, teria tido acesso ao conhecimento dos sábios do Egito, a maior civilização que a humanidade já havia conhecido até então. E, ao colocar simples regras sanitárias como ordens de Deus, garantiu que elas fossem cumpridas sem questionamentos por um povo inculto.”

Conclusão

A Bíblia Sagrada possui capítulos específicos que tratam sobre cuidados com a saúde e sugere algumas medidas para se evitar o contágio por doenças contagiosas. Dos 7 versículos compartilhados nas redes sociais, apenas Levítico fala sobre doença e não encontramos nenhuma menção quanto ao uso de máscaras contra contágio por doenças infecciosas.   

Lembrando que combinar distanciamento social, higiene das mãos e o uso de máscaras ainda é a melhor estratégia para evitar o aumento do contágio do novo coronavírus. 

*com a colaboração do blog Ateu Ignorante

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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