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terça-feira, novembro 30, 2021

A caneta espacial milionária da NASA e o Lápis baratinho da Russia!

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Texto antigo ressurge dizendo que a NASA teria gastado bilhões de dólares para desenvolver uma caneta que escrevesse no espaço enquanto que a Russia gastou apenas alguns centavos usando lápis!

Essa é uma história antiga que surgiu, provavelmente, em 1965 – na época em que estava no auge a corrida espacial entre os Estados Unidos e a União Soviética.  Até hoje, ainda ouvimos esse feito em palestras motivacionais nas empresas e/ou recebemos em nossas caixas de entrada.

Segundo o texto, a Nasa teria investido milhões (algumas versões dizem bilhões) de dólares para criar uma caneta especial que escrevesse no espaço – onde não há gravidade e nem pressão atmosférica. No mesmo período, a Russia (ou União Soviética) teve uma solução mais simples e incrivelmente mais barata: Usou lápis para escrever no espaço!

Será que isso é verdade?

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Verdadeiro ou falso?

Acontece que a história não é real! Apesar de ter sido mesmo criada uma caneta especial para se escrever no espaço, todo o investimento foi custeado pela empresa Fisher Space Pen Co. e, de acordo com o site da Divisão de História da NASA,  não houve gasto por parte da NASA e dos contribuintes. Ou seja, a caneta espacial foi inventada pela Fisher, que financiou o desenvolvimento e depois vendeu as canetas, que você ainda hoje pode comprar a bagaça pelo site da Fisher Space Pen. Todo o projeto custou “apenas” 2 milhões de dólares e demorou “só” 2 anos para ficar pronto.

Mas antes do invento dessa caneta, os americanos já chegaram a utilizar lápis, mas este apresentava alguns problemas:

  • O grafite é inflamável num ambiente com muito oxigênio como as naves espaciais;
  • A madeira se quebrava com facilidade no frio extremo do espaço;
  • Imagine só o estrago que deve ser um monte de pontas que se quebravam flutuando num ambiente sem gravidade!

O que pode ter originado esse mito foi o fato de que, em 1965, durante a missão “Titan 3”, a imprensa “caiu matando” em cima da NASA por que a agencia teria levado na missão dois lápis – que custaram $128,00 (cento e vinte e oito dólares) cada um! Na verdade, seria um lote de 34 lapis, num total de mais de 4.000 dólares! O escândalo foi tão forte que até o Congresso Nacional teve que pedir explicação à NASA e ela, por sua vez, explicou que os lápis foram confeccionados com uma madeira muito mais leve e resistente, por isso eram mais caros (ai, se fosse aqui no Brasil…).

Alguns anos depois a Fisher Pen Company criou o tal caneta com recursos próprios e, apesar da NASA ter usado o aparelho em diversas missões, nunca autorizou a Fisher a usar o seu nome no lançamento dos modelos das canetas. De qualquer forma, o dinheiro gasto para o desenvolvimento da “supercaneta” saiu do bolso da própria Fisher e esses gastos nunca chegaram aos bilhões de dólares. Cada caneta custava 4 dólares!

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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16 COMENTÁRIOS

  1. Discordo.

    Está claro que não era “estória” inventada com a intenção de se passar por verdade, era apenas uma PIADA… E que até hoje continua tendo muita graça. Tentar tratá-la como farsa, dissecá-la e explicá-la é algo que não faz sentido.

    • Concordo contigo. No entanto, esse texto ainda é repassado nos dias de hoje como sendo real. Sendo piada ou não, a proposta do E-farsas é a de pesquisar sobre as histórias que circulam pela web!

    • Discordo, isso sempre me foi repassado como uma verdade, não como uma piada. Se essa foi a intenção original, essa intenção se perdeu com o tempo.

  2. Madeira quebradiça => use plástico, o lápis não precisa ser de madeira, sequiser chame de lapiseira.

    Grafite inflamável => O grafite dos lápis (e lapiseiras) não é puro, mas sim uma mistura de cerâmica (não inflamável) e grafite. Tente fazer o grafite de um lápis pegar fogo. O papel onde os astronautas escreviam era mais inflamável que o grafite.

    Pontas quebradas => Basta fazer o grafite mais robusto, com pontas mais grossas. Eu uso lápisa anos sem quebrar nenhuma ponta, basta um mínimo de cuidado.

    Enfim, o espírito da piada prossegue. Simplesmente NENHUMA das argumentações contra o lápis procede. A historinha da madeira especial do lápis da NASA é típica.
    Pelo princípio da navalha de Occam (http://pt.wikipedia.org/wiki/Navalha_de_Occam) as soluções mais simples são as melhores.

    • muito legal as justificativas e a própria relação com a navalha de Occam, mas se fosse assim, os cosmonautas russos (e de todos os outros projetos espaciais, ISS, europeus, indianos, chineses) usariam lápis, e não canetas. Os russos o fazem consistentemente desde a década de oitenta. O composto de grafite usado é sim um condutor perigoso em um ambiente oxigenado e cheio de compostos eletrônicos. A anedota é muito válida para explicitar que muitas vezes o simples supera grandes investimentos e complexidades, mas não passa disso: uma anedota sem rigor histórico.

  3. bom estou aqui por causa da calculadora HP, que surgiu (a calculadora) como resultado dessa “corrida”. Assim como a celula solar. Então as ideias aqui colocadas são opiniões, por que disso por que daquilo. Uma coisa devia ser dita, o ser humano sempre quis saber sobre o desconhecido, senão ainda estariamos nas cavernas. Não pode ter paixão nesse tipo de discurso, nem partidarismo

  4. É, não só os norte americanos gastaram milhões pra desenvolver uma caneta que escreve no espaço, como ainda fizeram isso depois de tentar inventar um novo tipo de lápis.
    Mas eu me pergunto, se todas as agências de exploração espacial usam caneta, onde está a caneta dos russos.
    Porque sempre ouvi falar da caneta dos americanos.
    Os russos usaram canetas da marca americana é isso?

  5. Gilmar, e se eu te contar que, 12 (doze !!) anos depois de junho de 2008, passei hoje, 10/08/2020, por um treinamento renomado na administração pública, com professor de currículo quilométrico, tutor, videoconferência etc., e esse texto apareceu como EXEMPLO de uma BOA SOLUÇÃO SIMPLES e ECONÔMICA, em lugar de uma suposta solução complexa e dispendiosa. WTF!! A pessoa não leu?! Leu, não entendeu e ainda veio me dar um esporro gratuito, por dizer o contrário?! Nem uma caneta SIMPLES, nem um lápis SIMPLES eram a solução definitiva; foi necessário desenvolver uma caneta COMPLEXA e AVANÇADA. Isso fora o ponto de toda a coisa ser só uma anedota: a caneta não foi desenvolvida com dinheiro público; simplesmente foi comprada de particulares que tinham arriscado e a desenvolvido com seus próprios recursos.

  6. Olá prezado, boa tarde!
    Salvo engano e/ou outro contexto, os seguintes problemas com o grafite não se sustentam:

    1º) “O grafite é inflamável num ambiente com muito oxigênio como as naves espaciais;”
    Mesmo que colocasse o grafite próximo a exaustão do propulsor da nave este não entraria em combustão; seria naturalmente fundido; vide = http://www.quimidrol.com.br/media/blfa_files/Grafite_Po_4.pdf
    2º) “A madeira se quebrava com facilidade no frio extremo do espaço;”
    Difícil imaginar que os astronautas iriam sair da nave para escrever com o lápis…
    3º) “Imagine só o estrago que deve ser um monte de pontas que se quebravam flutuando num ambiente sem gravidade!”
    Difícil imaginar o descuido dos astronautas em quebrar “um monte de pontas” de grafite…

    Sendo assim, salvo melhor entendimento e sem entrar no mérito dos fatos em relação a essa história (com exceção ao anteriormente exposto em relação aos alegados problemas com o grafite), permanece a lição de visão e praticidade do uso do lápis em detrimento da caneta em um ambiente sem gravidade.
    Grato.

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