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segunda-feira, setembro 27, 2021

As parciais das eleições de 2014 alternaram mais de 200 vezes a vitória entre Aécio e Dilma?

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É verdade que os boletins parciais da apuração das eleições presidenciais alternaram 231 vezes a vitória entre os candidatos Aécio Neves e Dilma Rousseff?

O assunto voltou a ser compartilhado nas redes sociais no final de julho de 2021, após uma entrevista concedida pelo presidente Jair Bolsonaro à rádio Jovem Pan News Itapetininga, no dia 21 de julho de 2021 e também numa live apresentada pelo mandatário no dia 29 do mesmo mês. Na ocasião, Bolsonaro alega que houve indícios de fraude nas eleições presidenciais de 2014.

Segundo Jair Bolsonaro, as parciais da apuração daquelas eleições mostravam que ora um candidato liderava e ora o outro passava na frente, e que isso teria ocorrido mais de 200 vezes seguidas:

“Por 231 vezes ganhava Aécio, ganhava Dilma, ganhava Aécio. Esse então é o indício mais forte da probabilidade de o sistema não ser seguro”, afirmou Bolsonaro em entrevista.

A suspeita voltou a ser levantada pelo presidente no dia 29 de julho de 2021, durante uma live no YouTube, ao apresentar vídeos de supostas fraudes nas eleições (inclusive, fraudes teriam ocorrido nas eleições em que ele foi eleito em 2018, utilizando as urnas eletrônicas que o elegem há quase 30 anos!).

Será que houve mesmo mais de 200 alternâncias de liderança na contagem dos votos entre Aécio e Dilma na apuração no segundo turno das eleições de 2014? 

Verdade ou mentira?

Jair Bolsonaro em frente à urna eletrônica após votar, em 2018
Bolsonaro afirmou em live que as parciais divulgadas minuto a minuto pelo TSE apontaram que houve alternância de liderança de vencedor mais de 200 vezes seguidas nas eleições de 2014! Será verdade? (foto: Reprodução/Twitter)

Para verificar se essa afirmação procede ou não, solicitamos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os dados referentes às parciais divulgadas com o número de votos apurados entre 17h01 do dia 26 de outubro de 2014 e 02h13 do dia seguinte, 27 de outubro.

Caso queira conferir, a planilha está disponível aqui! Se não conseguir pelo TSE, tente pelo o nosso link aqui!

De acordo com os dados divulgados, o então candidato à Presidência Aécio Neves aparece na frente logo no início da apuração e, como podemos ver no gráfico abaixo, ele só muda de posição uma única vez, às 19h32. A partir daí, Dilma Rousseff – candidata à reeleição – assume a liderança e continua na frente até o final da apuração:

No gráfico podemos ver que houve apenas uma alternância nas parciais! (Fonte: TSE)

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A seguir, um gráfico com as parciais minuto a minuto, por porcentagem, dos totais apurados para cada candidato:

Dados por porcentagem (Fonte: TSE)

Origens

O presidente Jair Bolsonaro mostra ter tirado a informação da suposta alternância da liderança nas apurações parciais de 2014 de um vídeo que circulou em 2018, em que uma mulher chamada Naomi Yamaguchi apresenta “provas” de que as eleições de 2014 haviam sido fraudadas!

Os dados apresentados no vídeo acima já haviam sido desmentidos inúmeras vezes desde a sua divulgação em 2018, mas mesmo assim o vídeo continua sendo usado como “prova” de fraude nas eleições até hoje.

Aliás, o presidente havia afirmado inúmeras vezes que tinha provas de que houve fraude nas eleições, mas durante a sua live confessou não ter prova alguma. Apenas “indícios”:

Manchete da agência CNN: “[…]presidente admite não ter provas”

Lei de Benford

O vídeo de 2018 apresentado por Bolsonaro afirma também que com a aplicação da Lei de Benford foi possível identificar fraude nas eleições presidenciais. Já mostramos aqui no E-farsas que a tal lei não se aplica quando há intencionalidade nos números – que é o caso de escolha de candidatos de uma eleição.

Fizemos um vídeo explicando um pouco o que é a Lei de Benford e as razões pelas quais ela não prova se houve ou não fraude nas eleições presidenciais:

 

Auditoria solicitada por Aécio Neves não encontrou nada 

Em 2014, o então candidato derrotado nas eleições presidenciais daquele ano, Aécio Neves, solicitou junto ao TSE uma auditoria no resultado daquele pleito. As investigações custaram R$ 1 milhão.

10 meses depois, o PSDB apresentou um relatório mostrando que não foi encontrado nenhum indício de fraude naquelas eleições. O partido ao qual o senador Aécio Neves é afiliado também confirmou que não houve nenhuma prova em relação à adulteração de programas, de votos ou mesmo qualquer indício de violação ao sigilo do voto.

Apesar do resultado, o partido sugeriu algumas recomendações ao TSE para melhorar a segurança e garantir a lisura nas próximas eleições. Dentre elas, a adoção do voto impresso!

Em maio de 2017, áudios do senador Aécio Neves revelaram o que ele já havia dito puco tempo antes: que havia aberto o pedido de auditoria apenas para tumultuar (“só pra encher o saco”, nas palavras do próprio Aécio). 

Conclusão

É falsa a afirmação de que houve alternância de liderança de votos no segundo turno da das eleições presidenciais de 2014! O candidato Aécio Neves estava na frente na apuração minuto a minuto até às 19h32 do dia 26 de outubro de 2014, quando foi ultrapassado por Dilma e nunca mais conseguiu liderar nos votos!

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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9 COMENTÁRIOS

  1. O Presidente não disse que Dilma e Aécio se alternaram na liderança. Ele apresentou a planilha/TSE mostrando que a votação se alternava voto a voto, 1 voto dilma, 1 voto aéico, 1 voto dilma, 1 voto aécio. O que para a lógica é impossível votos sucessíveis assim, ora um ora outro inumeras vezes em sequência.

  2. Não sei como esse sujeito ainda continua na presidência do país Nunca tivemos alguém tão sódido, hipócrita, ignorante e ainda de sobra genocida dirigindo o país.

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