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Estudo do CDC mostrou a ineficácia das máscaras na pandemia de COVID-19?

Falso

Estudo do CDC mostrou a ineficácia das máscaras na pandemia de COVID-19?

Estudo do CDC mostrou a ineficácia das máscaras na pandemia de COVID-19?

Recentemente, um alegado estudo divulgado pelo CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos viralizou nas redes sociais e na imprensa brasileira e internacional.

Isso porque diversos usuários e veículos de mídia (1,2,3,4), que frequentemente se manifestam contra o uso de máscaras, vêm propagando uma narrativa enganosa sobre o alegado estudo. Aliás, o próprio presidente norte-americano, Donald Trump, disseminou essa narrativa enganosa.

Tuíte dizendo que o grupo menos vulnerável era justamente o que não usava máscara.

Tuíte dizendo, que o CDC teria admitido, que os que usam mácara são aqueles que estão tendo COVID-19.

Mais um tuíte dizendo que um estudo do CDC teria sugerido que as máscaras são ineficazes para prevenir a propagação do novo coronavírus.

Segundo tais pessoas e veículos, o alegado estudo mostrou que cerca de 70% das pessoas contaminadas relataram sempre usar máscaras, enquanto menos de 4% relataram não usar mácaras. Assim sendo, começaram a disseminar uma narrativa de que o uso de máscaras favoreceria a contaminação ou seria ineficaz como medida de prevenção contra a disseminação do SARS-CoV-2.

Uma Amplificação Significativa

Aqui no Brasil, essa narrativa foi amplificada de maneira significativa pela edição da última terça-feira (13) do programa “Os Pingos nos Is” da rádio Jovem Pan.

Eis o que é mencionado, por exemplo, pelo perfil “Jovem Pan News” (pertencente a rádio Jovem Pan), no Facebook, que também republicou esse vídeo (arquivo):

O uso obrigatório da máscaras na pandemia está gerando polêmica em diversas partes do mundo. A eficácia delas começou a ser contestada depois que pesquisa do CDC COVID, dos Estados Unidos, descobriu que 70,6% dos casos de coronavírus em seu estudo vieram de pessoas que relataram ‘sempre’ usar uma máscara

Captura de tela mostrando a legenda associada ao vídeo disseminado pelo perfil “Jovem Pan News” no Facebook.

Entretanto, será que isso é verdade? Descubra agora, aqui, no E-Farsas!

Verdadeiro ou Falso?

Falso! A pesquisa divulgada através de um relatório do CDC não mostrou a ineficácia do uso de máscaras como medida de prevenção contra a propagação do novo coronavírus, tampouco mostrou que o uso de máscaras favorece a disseminação ou contágio pelo SARS-CoV-2!

Muitos daqueles que disseminaram essa narrativa fizeram questão de mostrar a fonte, ou seja, o link para a pesquisa de onde extraíram essa informação. Provavelmente, na esperança que ninguém acessasse ou por uma questão técnica/idiomática, não fosse capaz de compreender a pesquisa. Assim sendo, a partir desse ponto, muitos acreditaram piamente naquilo que foi divulgado por tais pessoas e veículos. Contudo, o que não contaram para você, é que um único dado foi aleatoriamente pinçado, entre tantos outros, para dar o resultado que eles queriam transparecer que fosse unicamente o verdadeiro.

Portanto, se você acreditou nessa narrativa contra o uso de máscaras, você foi enganado. A seguir, vamos mostrar o porquê!

A Pesquisa Divulgada pelo CDC

No dia 11 de setembro de 2020, o CDC divulgou um relatório chamado “Community and Close Contact Exposures Associated with COVID-19 Among Symptomatic Adults ≥18 Years in 11 Outpatient Health Care Facilities — United States, July 2020.

Esse é o tal estudo que vem sendo amplamente divulgado como uma espécie de prova que as máscaras seriam ineficazes como medida para evitar a propagação do novo coronavírus ou até mesmo facilitadoras de um eventual contágio.

Captura de tela mostra um trecho do relatório divulgado pelo CDC em setembro de 2020.

Interessante destacar que isso foi divulgado no mês passado, mas somente agora passou a ser importante para algumas pessoas.

A Pesquisa Não Visou Medir a Eficácia do Uso de Máscaras

A pesquisa divulgada pelo CDC analisou 314 pessoas que tinham sintomas de COVID-19 e foram posteriormente testadas para o vírus; cerca de metade deu positivo. Em uma pesquisa por telefone, os participantes foram questionados sobre suas atividades sociais nas duas semanas anteriores ao teste, como ir à igreja, academias ou lojas.

Os pesquisadores descobriram que entre aqueles que testaram positivo para o SARS-CoV-2, 85% relataram usar máscaras sempre ou com frequência (70,6% relataram usar sempre e 14,4% com frequência).

No entanto, a pesquisa também descobriu que aqueles do grupo que testou negativo, cerca de 89% relataram usar máscaras com a mesma frequência (74,2% sempre e 14,5% com frequência! E isso não fizeram nenhuma questão de falar para você, não é mesmo? Entenderam o tamanho do problema?

Tabela extraído da pesquisa mostrando as porcentagens das pessoas que testaram positivo e negativo para o SARS-CoV-2 e que alegaram usar máscaras sempre ou frequentemente.

Outro ponto extremamente importante é que nenhum momento a pesquisa (PDF) teve como objetivo medir a eficácia do uso ou não de máscaras.

E Por Que Esses Números Parecem Ser Tão Estranhos?

Quem ataca o uso de máscaras simplesmente ignora as medidas tomadas pelo grupo que testou negativo, ou seja, o amplo uso de máscaras por parte dessas pessoas e uma menor e significativa exposição comunitária.

Entre em contato com o E-farsas

(11) 96075-5663 - t.me/efarsas

Fica claro também que somente usar máscaras não faz nenhum milagre. Contudo, isso não é nenhuma novidade. Existem diversas outras medidas complementares, que as pessoas deveriam seguir para reduzir a circulação do SARS-CoV-2 e, consequentemente, evitar correr riscos desnecessários.

Eis o que disse o Dr. William Schaffner, um especialista em doenças infecciosas da Universidade Vanderbuilt, em Nashville, capital do estado norte-americano do Tennessee:

Todos nós sabemos que as máscaras não fornecem uma proteção perfeita. O que isso enfatiza não é que somente você deve usar uma máscara, mas que as demais pessoas também devem usar

Além disso, há um problema sério: a pesquisa foi feita por telefone. Obviamente, as pessoas podem mentir e alegar que sempre estiveram seguindo diversas recomendações, quando nunca deram a mínima para isso. Não houve um acompanhamento mais próximo de cada uma das pessoas. Seus hábitos não foram monitorados ou registrados em vídeo. Logo, é necessário confiar piamente nas respostas que foram fornecidas.

Nesse sentido, o Dr. William Schaffner disse:

Uma das coisas que você deve presumir aqui é que todos estão respondendo honestamente, e que os pacientes não foram tendenciosos em dizer ‘Sim, sei que testei positivo, e direi a todos que estava usando uma máscara de qualquer forma’

A Declaração do Dr. Todd Rice, Principal Autor da Pesquisa

Foi exatamente isso que apontou o Dr. Todd Rice, principal autor da pesquisa e professor associado de Medicina do Centro Médico da Universidade Vanderbilt, em entrevista a NBC News.

Segundo ele, os dados não foram projetados para servir de argumento contra ou a favor ao uso de máscaras. Os dados foram relatados pelas próprias pessoas por meio de pesquisas por telefone. Em outras palavras, as pessoas contaram aos entrevistadores sobre como elas usavam  a máscara; nada foi observado por meio de monitoramento de vídeo.

A única conclusão que pode ser tirada é que a maioria das pessoas na pesquisa relatou o uso de coberturas faciais de pano ou semelhantes a uma máscara ‘frequentemente’ ou ‘sempre’ que estiveram em público.

Embora seja correto dizer que uma grande parte dos participantes que testaram positivo relataram usar máscara, o mesmo foi verdadeiro para aqueles com testaram negativo”

Resumindo? Quem divulga apenas um lado da história está sendo extremamente desonesto com você.

Então, Onde Está a Diferença Entre Usar ou Não Máscaras?

Essa é uma ótima e importante pergunta! O relatório nos dá uma pista bem interessante sobre isso.

Adultos que testaram positivo para o SARS-CoV-2 tinham aproximadamente duas vezes mais chances de relatar terem jantado em um restaurante do que aqueles que testaram negativo. Simplificando? Comer e beber de maneira presencial em bares e restaurantes pode ser um importante fator de risco associado à infecção por SARS-CoV-2.

Os adultos que testaram positivo para o SARS-CoV-2 tinham aproximadamente duas vezes mais chances de relatar terem jantado em um restaurante do que aqueles que testaram negativo.

A provável explicação para isso é que as pessoas que frequentam restaurantes não conseguem usar máscaras enquanto comem e bebem (por motivo bem óbvio), enquanto outras podem usar máscaras ao fazer compras ou durante demais atividades do cotidiano. É importante frisar que o relatório não disse onde as infecções aconteceram, mas isso acaba ficando bem sugestivo, não é mesmo?

Dessa forma, o relatório basicamente apontou para aquilo que já sabíamos: a exposição das pessoas a tais ambientes e o contato próximo com pessoas que estão sabidamente infectadas contribuem para a disseminação da COVID-19.

Diga-se de passagem, o próprio CDC comentou sobre essa história através de sua conta oficial no Twitter:

Um Importante Infográfico Divulgado pela BBC

Se você ainda está na dúvida se deve ou não usar máscara, a resposta é bem simples: continue usando máscara, praticando o distanciamento social e, sempre que possível, fique em casa e evite reuniões familiares, entre amigos, churrascos, baladas e qualquer ambiente fechado, cuja ventilação e renovação do ar seja precária.

Evite comer em restaurantes ou bares. Retire sua comida ou bebida no local e leve para casa ou então peça para entregar. A pandemia não acabou, basta olhar para a Europa e ver o que está acontecendo novamente por lá.

Nesse sentido, há um ótimo infográfico divulgado pela BBC para orientar você sobre os riscos que você corre nos mais diferentes ambientes, com ou sem máscara:

Infográfico divulgado pela BBC News.

Se você não se importa com a vida dos outros, ao menos se importe com a sua! Não seja enganado por narrativas torpes oriundas daqueles que tentam distorcer e atacar rotineiramente a Ciência!

Conclusão

Falso! A pesquisa divulgada através de um relatório do CDC não mostrou a ineficácia do uso de máscaras como medida de prevenção contra a propagação do novo coronavírus, tampouco mostrou que o uso de máscaras favorece a disseminação ou contágio pelo SARS-CoV-2!

Muitos daqueles que disseminaram essa narrativa fizeram questão de mostrar a fonte, ou seja, o link para a pesquisa de onde extraíram essa informação. Provavelmente, na esperança que ninguém acessasse ou por uma questão técnica/idiomática, não fosse capaz de compreender a pesquisa.

No entanto, ao longo deste artigo mostramos como o uso isolado de um único dado leva a uma conclusão totalmente enganosa sobre a utilização de máscaras durante a pandemia de COVID-19. Portanto, recomendamos que vocês leiam atentamente o artigo! Não se deixe enganar!

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Jornalista, redator, e pesquisador de comunicação social com foco no combate a disseminação de notícias falsas. Colaborador do site de verificação de fatos E-farsas.com desde janeiro de 2019. Entre junho de 2015 e abril de 2018, trabalhei como redator do blog AssombradO.com.br, além de roteirista do canal AssombradO, no YouTube, onde desmistificava todos os tipos de engodos pseudocientíficos, além de casos supostamente sobrenaturais.

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