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Informações relacionadas a história da insulina são verdadeiras ou falsas?

Fora de Contexto

Informações relacionadas a história da insulina são verdadeiras ou falsas?

Informações relacionadas a história da insulina são verdadeiras ou falsas?

Em meados de janeiro deste ano, publicamos um artigo mostrando a realidade por trás de “um dos momentos mais incríveis da Medicina”. Nele, mostramos que, historicamente falando, nada indica que tal momento, relacionado a recuperação de pacientes em estado de coma diabético tenha, de fato, acontecido. Ao longo do tempo, inúmeros sites e páginas no Facebook disseminaram uma história fantasiosa atrelada a uma foto, que para piorar a situação, nada tinha a ver com a história da insulina! Vale muito a pena conferir!

Desde então, algumas páginas pretensamente dedicadas a divulgação científica resolveram dar destaque ou disseminar outras informações associadas a história da insulina. As páginas “Medicina Nerd” (arquivo) e “Ciencianautas” (arquivo), por exemplo, divulgaram uma espécie de “infográfico” (na verdade é um meme, mas daqui a pouco a gente fala sobre isso) com algumas informações sobre a produção da insulina. Foi alegado que em 1951 eram necessárias 4,5 toneladas de pâncreas de porcos para produzir 450 gramas de insulina. Hoje em dia, bactérias geneticamente modificadas produziriam insulina em escala industrial.

Publicação da página “Medicina Nerd”.

Publicação da página “Ciencianautas”.

Contudo, esse “infográfico” vem circulando há algum tempo nas redes sociais. Prova disso são as páginas “Profissão Biotec” (arquivo), “Engenharia de Bioprocessos UFRJ” (arquivo) e “ConheCIÊNCIA” (arquivo) que vêm divulgando essa história desde janeiro de 2019!

Publicação da página “Profissão Biotec”

Publicação da página “ConheCIÊNCIA”.

Um Expressivo Número de Compartilhamentos

Ironicamente, o destaque fica por conta da página “ConheCIÊNCIA” por dois motivos básicos: em primeiro lugar, essa página já apareceu algumas vezes aqui no E-Farsas por disseminar conteúdo falso ou enganoso (1 | 2 | 3), e em segundo lugar, a publicação já obteve mais de 32 mil compartilhamentos desde então — número muito superior as outras páginas aqui citadas. É interessante destacar também, que essa publicação foi colocada em destaque no lugar da anterior, que foi simplesmente apagada logo após a publicação do nosso artigo sobre o “momento mais incrível, que não aconteceu na história da Medicina”.

Para finalizar, além do “infográfico”, a publicação dessa página também mencionou, com base numa informação divulgada no site “Fiojovem”, pertencente a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que Leonard Thompson, a primeira pessoa a receber uma dose de insulina como tratamento para a diabetes tipo 1 no mundo, teria vivido até seus 20 anos de idade, quando morreu num acidente de moto!

Fomos Atrás de Respostas!

Evidentemente, fomos atrás de respostas, mas descobrir a verdade nem sempre é uma tarefa fácil. Essa é a principal razão pela qual demoramos tanto para fazer uma nova publicação sobre esse assunto. De qualquer forma, será que esse “infográfico” contém informações verdadeiras ou falsas? E as imagens utilizadas? Será que Leonard Thompson realmente morreu num acidente de moto? Como é a produção atual de insulina? Descubra a verdade agora, aqui, no E-Farsas!

Verdadeiro ou Falso?

O “infográfico” divulgado em diversas páginas no Facebook mistura informações descontextualizadas com informações verdadeiras! É bem possível que nunca tenha havido preocupação por parte de tais páginas em verificar essas informações, visto que se trata basicamente de um meme, meramente traduzido para o português, que circula pelo menos desde janeiro de 2018 na internet (1 | 2 | 3).

Confira abaixo um exemplo:

Exemplo de “meme científico” disseminando na página “Me.me”.

Já em relação a Leonard Thompson, ele não morreu num acidente de moto, mas de broncopneumonia! Sua morte ocorreu no Hospital Geral de Toronto, em 20 de abril de 1935, aos 27 anos de idade!

Enfim! Para entender melhor o que é verdade e o que é mentira, acompanhe abaixo a nossa pequena jornada!

1) A Imagem da Pilha de Pâncreas de Porcos

Tanto o meme original (em inglês) quanto as versões traduzidas se apoiam basicamente numa foto, que retrataria a quantidade de pâncreas de porcos que seria necessária para produzir uma determinada quantidade de insulina em 1951. Alegadamente, 4.500 kg de pâncreas de porcos para produzir 450 gramas de cristais concentrados de insulina.

Tanto o meme original (em inglês) quanto as versões traduzidas se apoiam basicamente numa foto!

Quando a Foto Foi Tirada?

Um detalhe interessante é que, exceto pela informação contida no meme, o ano de 1951 não aparece em nenhum outro artigo na internet, que seja minimamente confiável sobre a história da insulina. Num artigo publicado no site “The Atlantic”, em maio de 2017, foi mencionado que a foto mostrava uma pilha de 10.000 libras (~4.500 kg) de pâncreas de porcos para produzir uma única libra (~450 g) de cristais concentrados de insulina.

Entretanto, não foi mencionado quando a foto foi tirada. Assim sendo, entramos em contato com a responsável pelo artigo, a redatora Sarah Zhang, que não soube nos informar quando a foto foi tirada ou a época que fazia referência.

Um detalhe interessante é que, exceto pela informação contida no meme, o ano de 1951 não aparece em nenhum outro artigo na internet, que seja minimamente confiável sobre a história da insulina!

Num outro exemplo, em julho de 2013, essa foto apareceu num artigo publicado no site da revista “Diabetes Forecast” – periódico oficial da Associação Americana de Diabetes. O texto dizia que, na época da insulina proveniente do porco, eram necessárias duas toneladas (2.000 kg) de pâncreas de porcos para produzir oito onças (~226 g) de insulina purificada (daqui a pouco falaremos sobre esses números).

Entretanto, novamente não foi mencionado quando a foto foi tirada. Logo, entramos em contato com a responsável pelo artigo, a escritora científica e biofísica Erika Gebel, mas ela também não sabia nos informar sobre quaisquer datas.

Num outro artigo, em julho de 2013, também não foi mencionado quando a foto foi tirada.

O Acendimento de um Alerta

No artigo publicado no site “The Atlantic” o endereço da foto tem um detalhe bem peculiar. Reparem bem na parte final da URL: “1926ca_Glands_for_one_bottle_insulin_crystals-1/a3512749c.jpg“.

Esse “1926ca” acendeu um alerta! Isso porque a foto podia indicar que tinha sido tirada ou estávamos diante de uma representação referente a “circa 1926“, ou seja, por volta de 1926. Assim sendo, toda essa história de 1951 iria por água abaixo.

A foto podia indicar que tinha sido tirada ou estávamos diante de uma representação referente a “circa 1926”, ou seja, por volta de 1926.

Entrando em Contato com Eli Lilly and Company

A  absoluta maioria dos artigos que utilizaram essa foto a creditaram como pertencente ao acervo histórico da “Eli Lilly and Company”, uma das maiores companhias farmacêuticas do planeta, responsável, por exemplo, pela primeira insulina comercial do mundo, pela vacina contra poliomielite etc.

Entrar em contato com eles não foi uma tarefa fácil, e nesse ponto temos que agradecer imensamente a Sarah Zhang e, principalmente, a Maggie Pfeiffer, gerente de comunicações da Divisão de Diabetes da Eli Lilly and Company. Se não fosse por elas, provavelmente esse artigo demoraria muito mais para ser feito. Foram graças a elas que chegamos até a Michelle Jarrel, arquivista responsável por todos os documentos históricos da empresa.

Entre em contato com o E-farsas

(11) 96075-5663 - t.me/efarsas

A Verdade Sobre a Foto

Ao contrário de muitas páginas que alegam fazer divulgação científica, a Michelle pesquisou a história por trás dessa foto.

Segundo ela, embora a foto seja autêntica, ela não foi tirada em 1951, tampouco representa a quantidade de pâncreas de porcos necessários para produzir essa quantidade de insulina em 1951. Na verdade, a foto foi tirada em 1952 para ilustrar a quantidade de pâncreas de porcos utilizada para produzir uma única libra de cristais de insulina em 1926 (~4.500 kg / 450 g).

Uma Outra Foto Ainda Mais Interessante e Rara

Evidentemente, perguntamos qual era a proporção entre a quantidade de pâncreas de porcos e a quantidade final de insulina na década de 1950. Infelizmente, Michelle não soube nos dizer quantas libras de pâncreas de porcos eram necessárias para produção uma única libra de insulina! Contudo, em 1953 foi tirada uma outra foto!

Confira o quão impressionante é essa outra foto, abaixo:

Em 1953 foi tirada uma outra foto!

Acredito que esteja bem claro, ao menos visualmente, que a quantidade de pâncreas de porcos necessária para a produção de uma mesma quantidade de insulina, em 1953, era bem menor do que em 1926. Aliás, essa situação não deve ter mudado muito em relação ao ano de 1951!

Ainda segundo Michelle, essa outra foto foi tirada por dois motivos básicos:

  • Mostrar o progresso na produção de insulina;
  • Mostrar o progresso 30 anos após o lançamento do produto no mercado.

Verificando a Proporção

Também verificamos se a proporção mencionada (~4.500 kg / 450 g) era ou não correta. Para isso questionamos a Erika Gebel, a própria Michelle Jarell, e a Diane Wendt, curadora associada da Divisão de Medicina e Ciência do Museu Nacional de História Americana. Todas as três concordaram que a proporção de 10000:1 provavelmente é a mais correta a ser mencionada! De qualquer forma, é bom deixar claro que essa proporção reflete a produção de insulina de 1926, não de 1951!

2) E a Foto que Mostra um Equipamento Moderno?

A segunda foto que aparece no “meme” mostra uma espécie de equipamento moderno. Numa rápida busca reversa por imagens, a encontramos facilmente associada ao site do grupo Endress+Hauser, líder global em instrumentação de medição, serviços e soluções para engenharia de processos industriais.

A foto aparece numa página interna do site do grupo com a seguinte referência:

A Biopharmax montou uma fábrica de insulina na China. A Endress+Hauser forneceu toda uma especialização em aplicações para plantas de biotecnologia, instrumentação e um serviço de documentação em conformidade com as regulamentações cGMP da USFDA.

A foto aparece numa página interna do site do grupo Endress+Hauser com referências a uma fábrica de insulina de uma empresa chamada Biopharmax, na China.

Atualmente a Insulina é Produzida Por Bactérias Geneticamente Modificadas?

Sim! Até a década de 1980, trens levavam pilhas de pâncreas de porcos para a cidade de Indianápolis, sede da Eli Lilly and Company — a primeira empresa a produzir insulina em massa — , a partir de fazendas de criação de porcos nos arredores. O descarregamento era feito num prédio próximo aos trilhos, que atualmente serve como estacionamento. Com o passar dos anos, a produção de insulina foi claramente otimizada, mas o maior problema, no entanto, era outro.

O sistema imunológico do ser humano é um verificador de fatos meticuloso e sabe que a insulina animal é estranha. Algumas pessoas com diabetes desenvolvem reações imunes à insulina, tanto de porco quanto a bovina e, com o tempo, a insulina se torna menos eficaz. Assim sendo, os fabricantes precisavam de um processo mais sustentável!

Os fabricantes, a exemplo da Lilly, precisavam de um processo mais sustentável!

Na década de 1970, os cientistas queriam começar a produzir proteínas humanas em laboratório para suas pesquisas, com a esperança de desenvolver novos medicamentos. Então, eles começaram a mexer com genes e organismos. Assim como as proteínas, o DNA — a molécula que transporta informações genéticas —, também é uma cadeia de compostos químicos (neste caso, ácidos nucleicos). Ao reunir os ácidos nucleicos na ordem correta, em laboratório, os engenheiros genéticos descobriram que podiam sintetizar genes humanos, incluindo o gene da insulina. Cada gene, um trecho de DNA, contém as instruções para produzir uma proteína específica. Os cientistas logo descobriram como inserir um gene sintetizado num pequeno loop de DNA transportador para ajudar na produção de proteínas. Contudo, é preciso mais do que DNA para obter uma proteína desse gene. O “anel de DNA” precisa ser inserido em um organismo com toda a biomaquinaria necessária para montar as proteínas!

Uma Empresa Chamada Genentech

Em 1978, pesquisadores de uma empresa de biotecnologia chamada Genentech anunciaram que haviam introduzido um gene humano para produção de insulina numa cepa segura da bactéria E. coli, que produziu a proteína. Basicamente, modificaram geneticamente a E. coli.

Enfim, a Genentech fez parceria com a Lilly, que apresentou ao mundo, em 1982, uma insulina humana criada em laboratório sob a marca Humulin, o primeiro medicamento de DNA recombinante da humanidade. Esse esquema continua sendo usado em todo o mundo para pesquisas básicas e aplicações industriais, criando dezenas de milhares de variedades de proteínas que ajudam os cientistas a entender o corpo humano, assim como aos médicos no tratamento de doenças como câncer, artrite reumatoide e, é claro, diabetes! A biotecnologia permitiu que pessoas com diabetes tomassem uma insulina praticamente idêntica à versão produzida pelo corpo humano.

De qualquer forma, isso foi apenas o início de um processo, que permitiu a produção de muitas variedades de insulina e não somente a partir da E. coli! Para mais informações acessem o excelente artigo da Erika Gebel, no site da revista “Diabetes Forecast” (em inglês)! No artigo é explicado exatamente como funciona a produção de insulina atualmente. Vale muito a pena conferir!

3) Leonard Thompson Morreu num Acidente de Moto?

Não! Na publicação da página “ConheCIÊNCIA” é mencionado que Leonard Thompson morreu num acidente de moto, mas isso é mentira. Como fonte, eles utilizaram uma declaração publicada em 2008, na página “Fiojovem”, pertencente a Fundação Oswaldo Cruz, de um endocrinologista chamado Leão Zagury, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (arquivo).

Trecho de um artigo publicado na página “Fiojovem”.

A princípio essa parece uma fonte confiável, mas é justamente esse o problema. Ao divulgador científico não cabe simplesmente copiar a colar informações, mas verificá-las antes de publicar. Nesse caso, Leão Zagury estava equivocado. Embora Leonard Thompson, 14 anos, tenha sido o primeiro paciente a receber a insulina (um extrato purificado obtido com a ajuda do químico canadense James B. Collip), ele acabou morrendo no dia 20 de abril de 1935, aos 27 anos, vítima de uma broncopneumonia, que se acreditava ser decorrente de complicações devido a diabetes!

O Livro “The Discovery of Insulin”

No livro “The Discovery of Insulin”, do premiado historiador canadense Michael Bliss, é possível encontrar mais algumas informações sobre isso:

Leonard Thompson, a primeira pessoa a ser trazida de volta à beira do túmulo pela insulina, morreu numa segunda-feira de Páscoa, 20 de abril de 1935, no Hospital Geral de Toronto. Thompson tinha 27 anos de idade. Ele tinha vivido uma vida mais ou menos normal, mantendo um emprego estável como assistente numa fábrica de medicamentos e produtos químicos, e tomando 28 unidades de insulina diariamente. Ele não era um diabético muito controlado, e foi um momento particularmente difícil durante o décimo aniversário da descoberta, aparentemente vindo de uma celebração excessiva. Certa vez, em 1932, ele foi levado ao Hospital Geral de Toronto em coma e quase não sobreviveu.

A história que a morte de Thompson foi causada por um acidente de moto é incorreta. Ele teve uma gripe, que evoluiu para uma pneumonia, que se agravou devido a severa acidose. Ele morreu durante o coma, dentro de uma ‘tenda de oxigênio’

No livro “The Discovery of Insulin”, do premiado historiador canadense Michael Bliss, é possível encontrar mais algumas informações sobre a morte de Leonard Thompson.

O livro “The Discovery of Insulin” foi originalmente publicado em 1982 e atualizado em 1996.

A título de curiosidade, Leonard Thompson gostava e muito de beber. Ele costumava ficar bêbado quase todo fim de semana. Posteriormente, seu pâncreas foi preservado, e atualmente está catalogado como “item 3030” no Museu de Anatomia do Instituto Banting, em Toronto, no Canadá.

Conclusão

Uma vez que múltiplas informações foram verificadas neste artigo, será necessário dividir nossa conclusão!

  1. Embora a foto de uma pilha de pâncreas de porcos seja autêntica, ela não foi tirada em 1951, tampouco representa a quantidade de pâncreas de porcos necessários para produzir 450 gramas de insulina naquele ano. Na verdade, a foto foi tirada em 1952 para ilustrar a quantidade de pâncreas de porcos (~4.500 kg) utilizada na produção de cristais concentrados de insulina (~450 g) em 1926! Logo, classificamos esse ponto como “Fora de Contexto”!
  2. É importante ressaltar, que numa outra foto que nos foi enviada pela atual arquivista da “Eli Lilly and Company”, há um comparativo entre a quantidade de pâncreas de porcos utilizados na produção de insulina em 1926 e 1953. Embora não tenha sido fornecida a proporção exata em 1951, podemos notar claramente, através dessa outra foto, que era utilizada uma quantidade muito menor de pâncreas de porcos para obter essa mesma quantidade de cristais concentrados de insulina na década de 1950.
  3. A segunda foto comumente utilizada no “meme” mostra, de fato, um equipamento envolvido no processo de fabricação da insulina por parte de uma empresa do ramo farmacêutico chamada Biopharmax. Além disso, ao menos desde 1982, a insulina passou a ser produzida a partir de bactérias ou leveduras geneticamente modificadas! Logo, classificamos esses dois pontos como “Verdadeiro”!
  4. Leonard Thompson não morreu num acidente de moto! Na verdade, ele morreu no dia 20 de abril de 1935 (uma segunda-feira de Páscoa), aos 27 anos, no Hospital Geral de Toronto, vítima de uma broncopneumonia, que se acreditava ser decorrente de complicações devido a diabetes! Logo, classificamos esse ponto como “Falso”!

Enfim! Esperamos que vocês tenham gostado deste artigo e que ele possa servir de alerta em relação ao conteúdo que vocês andam consumindo por aí!

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Jornalista, redator, e pesquisador de comunicação social com foco no combate a disseminação de notícias falsas. Colaborador do site de verificação de fatos E-farsas.com desde janeiro de 2019. Entre junho de 2015 e abril de 2018, trabalhei como redator do blog AssombradO.com.br, além de roteirista do canal AssombradO, no YouTube, onde desmistificava todos os tipos de engodos pseudocientíficos, além de casos supostamente sobrenaturais.

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