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domingo, outubro 2, 2022

O tapa que o ator Will Smith deu no Chris Rock foi falso e pago pela Pfizer?

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É verdade que a Pfizer patrocinou o tapa que Will Smith deu durante o Oscar para divulgar um novo medicamento contra a alopecia?

A teoria de que a multinacional do ramo de medicamentos Pfizer teria dado uma grana alta para o Oscar encenar a agressão do ator Will Smith contra do humorista Chris Rock, ao vivo, apenas para impulsionar o lançamento de um remédio para a alopecia surgiu nas redes sociais no final de março de 2022, dias depois da transmissão do Oscar, ocorrido no dia 27. 

De acordo com o que se espalhou, a Pfizer se tornou a principal patrocinadora do Oscar 2022 dias depois de ter patenteado um medicamento destinado a pacientes com alopecia e teria combinado com os atores o tapa falso, após Chris Rock fazer uma piada com a esposa de Will Smith sobre alopecia!

Com o assunto em evidência, as buscas por “alopecia” no Google teriam aumentado vertiginosamente e as ações da Pfizer ido às alturas.

Será que o tapa foi armado e fazia parte de uma campanha de marketing para vender remédio para alopecia?

Será que o tapa que Will Smith deu durante o Oscar foi financiado pela Pfizer? (foto: Reprodução/WhatsApp)

Verdade ou mentira?

A alopecia é uma doença que tem como um dos sintomas a perda de cabelo, tanto em mulheres quanto homens, e sua causa ainda não é bem conhecida, apesar de ser mais comum em pessoas que possuem outras doenças autoimunes.

Outros fatores que podem causar alopecia são:

  • Anomalias primárias da haste do cabelo
  • Intoxicação por metais pesados
  • Condições dermatológicas raras (p. ex., celulite dissecante do couro cabeludo, que mais frequentemente afeta homens negros jovens)

Segundo o rumor espalhado, o remédio em questão seria o Etrasimod (que, na verdade, ainda está na fase 3 de testes) e é voltado para pacientes que possuem alguns tipos de doenças autoimunes. Apesar de poder ser usado para reduzir sintomas da alopecia, ele não é necessariamente um remédio para alopecia.

O Etrasimod estava em desenvolvimento bem antes de a Pfizer o comprar, em março de 2022, para competir com outro medicamento, o Zeposia, da Bristol Myers Squibb. Por enquanto, como já dissemos, o remédio da Pfizer ainda está na fase 3 de testes e outro estudo será lançado.

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Em outra versão espalhada nas redes sociais, o remédio seria o Ritlecitinibe, mas ele não foi patenteado “esses dias” pela Pfizer. Em agosto de 2021, o laboratório já anunciava testes com esse medicamento para possível tratamento de doenças que causam a alopecia areata. Mas igualmente no caso do Etrasimod, ainda não há nada pronto para ser comercializado.   

Ah! Ainda não há uma previsão de pedido de autorização da Food and Drug Administration (a ANVISA dos Estados Unidos) para a comercialização desses dois medicamentos e, quando tiver, eles não serão vendidos como “remédio para alopecia”.

É verdade que a Pfizer patrocinou a transmissão do Oscar em 2022, mas a empresa não foi a única e tampouco a maior patrocinadora do evento. A transmissão desse ano teve dezenas de patrocinadores e a Pfizer não pagou tanto a ponto de direcionar um pedaço do programa.

Além disso, a repercussão da agressão não pegou bem para nenhum dos envolvidos. Tanto que o próprio Will Smith publicou um pedido de desculpas em seu perfil do Instagram, depois da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que administra os prêmios do Oscar, denunciar suas ações e abrir um inquérito sobre o incidente. Ou seja, seria péssimo para os negócios da Pfizer (ou de qualquer outra empresa) ser envolvida num rolo desses.

As ações da Pfizer subiram vertiginosamente?

É falsa a afirmação de que as ações da multinacional “subiram vertiginosamente” após o caso envolvendo o tema alopecia durante a transmissão do Oscar. Nas bolsas de valores norte-americanas os papéis da Pfizer tiveram uma pequena alta no dia 28/03/2022, mas nada fora do normal:

As ações da Pfizer não tiveram alta significativa nos dias posteriores aos da transmissão do Oscar! (imagem: Reprodução/https://www.marketwatch.com/investing/stock/pfe)

Conclusão

Não é verdade que a Pfizer pagou para a produção do Oscar encenar o tapa que o ator Will Smith deu no humorista Chris Rock apenas para divulgar um novo medicamento contra a alopecia!

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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