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Quais as origens das fotos mostrando alunos de universidades pelados?

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Quais as origens das fotos mostrando alunos de universidades pelados?

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Colagem de fotos compartilhadas nas redes sociais mostram vários alunos andando pelados por campi de universidades federais! De onde e de quando são elas?

Desde que fizemos um artigo explicando a origem de três fotos de alunos caminhando nus em alguns campi de universidades, vários leitores entraram em contato com dúvidas a respeito de outra colagem de teor parecido, que foi compartilhada por um vereador no Facebook.

Na imagem podemos ver diversos alunos nus em instalações que se parecem com campus de universidade e, segundo o texto que acompanha a colagem de fotos, isso seria uma “pequena amostra da balbúrdia” que os alunos estariam causando nas universidades federais!

Será que essas fotos são reais? Onde e quando elas foram tiradas?

Texto que acompanha a série de imagens: “Pra quem disse que o ministro não foi claro quanto aos motivos do corte e que o termo balbúrdia não explica muita coisa taí, florzinha, uma pequena amostra” (foto: Reprodução/Facebook)

Verdade ou mentira?  

Para analisar essa série de fotos, separamos cada uma das imagens e o resultado você acompanha a seguir (optamos por não revelar o nome de nenhum dos envolvidos!).

1 – Moça sentada em um degrau de escada

Reprodução/Facebook

Essa foto foi tirada em novembro de 2017, durante uma performance na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e a moça não é aluna da universidade. A apresentação chamada “Trajeto com Beterrabas” ocorreu durante um seminário internacional e é, na verdade, um protesto contra a violência, onde a artista começa a ralar beterrabas que serão usadas para tingir sua roupa e seu corpo de vermelho. A ação vai se repetindo até que a mulher tira a roupa, e caminha pelas escadas da instituição.

A imagem acima foi tirada desse vídeo aqui, feito no dia da apresentação!

A apresentação não se restringiu apenas à UEPB e tampouco em campi de universidades. Como explica a artista em seu blog, ela se apresentou também em Uberlândia e Belo horizonte (MG), São Paulo(SP), Salvador (BA), e em Goiânia (GO).  

Em resposta ao jornal Gazeta do Povo, a organização do evento defendeu a performance nas redes sociais e apontou os críticos como “pessoas de má fé”.

“O Desfazendo Gênero foi lindo, foi impactante […] No entanto, há sim pessoas de má fé, existem pessoas que disseminam ódio, que tentam derrubar, machucar e dilacerar a todas nós. Estamos sob ataques pela internet, pessoas nos atacando por Instagram e Facebook. Precisamos resistir a essas pessoas!”

2 – Aluno sentado no colo de outro

Reprodução/Facebook

Não encontramos a origem dessa foto. As únicas respostas que tivemos em buscas no Google são de uma publicação feita no blog do ex-astrólogo Olavo de Carvalho. Na postagem, Olavo reclama que havia sido bloqueado pelo Facebook após tentar publicar a referida foto em seu perfil na rede social!

3 – Alunos pelados em campus de universidade

Reprodução/Facebook

Já explicamos aqui no E-farsas que essas 7 fotos foram tiradas em 2009, e em 2014, na Universidade de Brasília (UnB). A primeira série (de 2009), é de quando cerca de 100 alunos realizaram uma manifestação de apoio a Geisy Arruda, uma estudante de Turismo que chegou a ser expulsa da Universidade Bandeirante (Uniban) – em São Bernardo do Campo (SP) – por assistir aulas usando um vestido curto. Já as fotos de 2014, são de outro protesto feito por um pequeno grupo de alunos que se manifestaram contra a expulsão de um estudante (que havia feito uma performance na entrada da universidade um dia antes).

É bom deixar claro aqui que, além do fato ter ocorrido há 10 anos, os 100 manifestantes representam apenas 0,25% do total de alunos atendidos pela instituição:

Reprodução/Google

4 – Alunos deitados nus

Reprodução/Facebook

Essa foto, conforme já explicamos aqui no E-farsas, é de um trabalho de filosofia realizado em fevereiro de 2016 na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O grupo com dezenas de jovens se apresentou em uma performance sobre o holocausto nos campos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial!

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O grupo foi formado por atores e atrizes voluntários e não por alunos da UEL e, na ocasião, o professor explicou no seu perfil do Facebook o conceito da apresentação:

“É um trabalho de filosofia política que aborda o holocausto nazista. Os atores estão peladões porque acabaram de sair da câmara de gás, para onde foram enviados achando que era um banho coletivo. Uma página horrível da História para ser discutida, e as pessoas só veem genitália”.

5 – alunos pelados e pintados de preto

Reprodução/Facebook

Essas fotos são de uma apresentação feita em março de 2012 na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), durante o projeto “Café com Artes” com um aluno e mais 3 voluntários. Na época a então chefe do Departamento de Artes da Ufam, Denize Piccolotto, explicou que o nu artístico não chegou a acontecer porque os quatro participantes usaram tapa sexo e estavam com o corpo pintado.

“Eu acho que falar mal disso, em pleno século XXI, é um exagero por parte de pessoas que desconhecem o valor e o significado da arte”, disse a professora.

Reforçamos mais uma vez que o ato não representa a totalidade de alunos da universidade (suponhamos que todos os quatro participantes eram alunos, seria apenas 0,01% da totalidade de estudantes da instituição – que tem 34 mil alunos).

6 – Aluno sem calça

Reprodução/Facebook

Essa foto foi tirada em março de 2013, de um trote organizado pelos veteranos da Universidade de São Paulo (USP), no campus de São Carlos. O trote conhecido como “Miss Bixete” obrigava calouras a desfilar, mostrar os seios e simular sexo oral. Durante o evento, alguns alunos chegaram a hostilizar as feministas, ficando pelados e simulando sexo com bonecas infláveis.

Na época, a direção da USP São Carlos disse ser contra qualquer ação que cause constrangimento, além de prometer abrir procedimento administrativo para identificar os envolvidos.

“As atividades em questão não fazem parte da programação da Semana de Recepção dos Calouros, promovida pelas unidades do campus da USP em São Carlos, cujo objetivo é promover a integração dos novos alunos ao ambiente universitário”, diz a nota da USP São Carlos.

7 – Aluno usando apenas um chapelão

Reprodução/Facebook

Essa foto foi tirada em setembro de 2017, na Universidade Federal de Goiás (UFG), quando um aluno de artes visuais assistiu a uma aula totalmente nu e usando apenas um grande chapéu. O rapaz disse em entrevista que o ato tinha o objetivo de discutir sobre a arte contemporânea e seu ensino:

“A função do artista é provocar. Nunca imaginei que teria essa dimensão porque era uma aula de arte contemporânea, própria para a discussão. Fiquei chateado e preocupado com a repercussão”, disse ao portal G1 o aluno do sexto período de artes visuais.

8 – alunas simulando ato obsceno

Reprodução/Facebook

As duas fotos foram tiradas em 2017, durante apresentação artística ocorrida em um simpósio sobre educação sexual na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Na ocasião, a reitoria da universidade publicou uma nota explicando que a apresentação foi feita por atrizes e que fotos do evento foram espalhadas nas redes sociais totalmente fora do contexto:

“[…]A difusão de conteúdos que utilizam materiais completamente fora do contexto continuou por vários dias. As atrizes expostas nas fotografias divulgadas foram atacadas como indivíduos e enquanto membros de um curso reconhecido e integrante desta instituição.[…]”.

9 – banho de azeite de dendê

Reprodução/Facebook

A foto é de setembro de 2016 e foi tirada na Universidade Federal da Bahia (Ufba) no último dia II Seminário Internacional Desfazendo Gênero. Na apresentação, chamada de ‘Gordura Trans’, um homem tomava banho com dendê no pátio do campus Ondina da universidade. Não conseguimos descobrir se o performer era ou não aluno da universidade.

10 – alunos nus em batida policial

Reprodução/Facebook

Essa foto foi tirada em junho de 2015, durante performance chamada “Carandiru para quem?” na Universidade Federal do Ceará (UFC). Em nota, a UFC informou que a ação realizada “foi uma intervenção artística, de caráter performático, intitulada ‘Carandiru para quem?’, que promove uma reflexão sobre as diferentes formas de opressão, notadamente no sistema prisional”.

Abaixo, um gráfico com o resumo das origens dessas imagens, feito por um aluno de uma das universidades citadas:

Conclusão

A colagem de fotos mostrando a “balbúrdia” que teria tomado conta das universidades públicas do país são reais, mas foram tiradas anos atrás, são irrelevantes e insignificantes estatisticamente e não representam a realidade das universidades!

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