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Três adolescentes morreram após serem vacinados contra a COVID-19 em São Paulo?

Falso

Três adolescentes morreram após serem vacinados contra a COVID-19 em São Paulo?

Três adolescentes morreram após serem vacinados contra a COVID-19 em São Paulo?

Fomos questionados por inúmeros leitores a respeito de um vídeo que circula nas redes sociais sobre a suposta morte de três adolescentes após terem recebido uma dose da vacina contra a COVID-19, produzida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech, oficialmente chamada de CoronaVac.

Também conhecida popularmente (muitas vezes de forma pejorativa) como “vacina chinesa”, essa vacina começou a ser testada em voluntários no Estado de São Paulo no dia 21 de julho de 2020!

No entanto, de acordo com uma senhora chamada “Flávia Mollokay”, que alega morar em Portugal, três adolescentes (13, 16 e 18 anos) teriam morrido após tomar essa vacina em São Paulo! Somente o vídeo de uma transmissão ao vivo, que foi publicado no canal dessa senhora, no YouTube, no dia 9 de setembro de 2020, já obteve mais de 88 mil visualizações.

Captura de tela mostrando o vídeo da transmissão ao vivo do canal de uma senhora chama Flávia Mollokay.

Entretanto, será que essa história é real? Isso faz algum sentido? Descubra agora, aqui, no E-Farsas!

Verdadeiro ou Falso?

Falso! Em primeiro lugar, é bom deixar claro o perfil dos voluntários que fazem parte dos testes envolvendo, por exemplo, a CoronaVac: profissionais de saúde, da rede pública ou privada, com mais de 18 anos, e que precisam estar no atendimento direto dos pacientes com COVID-19. Portanto, dizer que três adolescentes morreram após tomar a vacina já seria completamente questionável e enganoso.

Há uma página, inclusive, onde voluntários podem se cadastrar. Ao responder que você não é maior de 18 anos, por exemplo, o cadastro é interrompido.

Ao responder que você não é maior de 18 anos, por exemplo, o cadastro é interrompido.

Em segundo lugar, em resposta a agência de checagem “Aos Fatos”, o Instituto Butatan afirmou que “todos os voluntários são monitorados pelos 12 centros de pesquisas e até o momento não foi reportado nenhum efeito colateral grave, muito menos óbito”. Diga-se de passagem, nenhum voluntário que participou de estudos clínicos realizados na China, independente da idade, veio a óbito até o último relatório apresentado no dia 9 de setembro de 2020.

O site de checagem “Boatos.org” também verificou essa informação e obteve uma nota da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), dizendo que “não há relato de evento adverso como este descrito no vídeo. Trata-se de um crime contra a saúde pública a difusão deste conteúdo.

E as Provas?

Em terceiro e último lugar, em nenhum momento a senhora que aparece no vídeo apresenta provas daquilo que disseminou. Ela não fornece quaisquer nomes ou informações mais concretas sobre aquilo que “a irmã de uma amiga teria lhe contado numa ligação.

No vídeo ela relata, irresponsavelmente, que os três filhos adolescentes da irmã da amiga tiveram diversas reações e vieram a óbito após tomarem uma vacina contra a COVID-19, mas fica bem claro que ela não tem praticamente nenhuma informação confiável sobre aquilo que relata.

Um Detalhe Importante

Num determinado momento do vídeo, essa senhora diz não saber o laboratório responsável pela vacina, mas em seu perfil Facebook ela deixou isso bem claro (arquivo).

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Num determinado momento do vídeo, essa senhora diz não saber o laboratório responsável pela vacina, mas em seu perfil Facebook ela deixou isso bem claro.

De qualquer forma, também vale destacar que a chamada “vacina de Oxford” também não permite voluntários menores de 18 anos, mesmo após uma recente ampliação.

Um Segundo Vídeo de Acusações Contra Agências de Checagem

Aparentemente, essa senhora não gostou nada de ter seu relato desmentido publicamente e passou a atacar as agências de checagem. Numa outra transmissão ao vivo, que acabou sendo publicada em seu canal (com uma repercussão muito menor que o primeiro vídeo), ela propagou inúmeras informações falsas. Entre elas estava a que o governador de São Paulo teria fingido tomar a CoronaVac.

Em primeiro lugar, o governador de São Paulo, João Dória Jr., de fato, não tomou a CoronaVac. Não porque ele não quis, mas porque ele não atendia aos pré-requisitos para se candidatar a voluntário. Aliás, o boato que estava circulando era justamente o oposto, ou seja, que o governador de São Paulo tinha tomado a vacina, e que por isso tinha contraído o novo coronavírus.

Isso é falso, porque o vídeo que circulou era antigo e mostrava o governador sendo vacinado contra a gripe, em março de 2020.

Em segundo lugar, embora tenha alegado no vídeo que tinha boa memória, essa senhora confundiu o próprio boato que disseminou! Isso porque o boato que ela fez referência era sobre um vídeo de uma voluntária, cuja alegação era que ela não teria tomado a CoronaVac.

Na verdade, o vídeo em questão retratava uma simulação voltada tão somente ao registro audiovisual por parte da imprensa. A aplicação da vacina ocorreu em um outro momento que foi registrado pela Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo.

Nós fizemos um artigo de checagem sobre esse vídeo, que vocês podem conferir abaixo:

Vídeo prova que voluntária não tomou uma vacina contra a COVID-19 em SP?

Conclusão

Falso! Ao contrário do que essa senhora relatou, não há participantes menores de 18 anos envolvidos nos testes da CoronaVac. Além disso, de acordo com o Instituto Butantan, todos os voluntários são monitorados pelos 12 centros de pesquisas e até o momento não foi reportado nenhum efeito colateral grave, muito menos óbito.

Em terceiro e último lugar, essa senhora não apresentou nenhuma prova concreta sobre aquilo que disseminou de maneira irresponsável nas redes sociais, mas tão somente um suposto relato passado numa ligação da irmã de uma amiga. Portanto, tomem sempre muito cuidado com esse tipo de narrativa.

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Jornalista, redator, e pesquisador de comunicação social com foco no combate a disseminação de notícias falsas. Colaborador do site de verificação de fatos E-farsas.com desde janeiro de 2019. Entre junho de 2015 e abril de 2018, trabalhei como redator do blog AssombradO.com.br, além de roteirista do canal AssombradO, no YouTube, onde desmistificava todos os tipos de engodos pseudocientíficos, além de casos supostamente sobrenaturais.

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