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Artistas ensinaram como transar com a camisinha furada numa edição da revista Amiga de 1991?

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Artistas ensinaram como transar com a camisinha furada numa edição da revista Amiga de 1991?

Artistas ensinaram como transar com a camisinha furada numa edição da revista Amiga de 1991?

Será verdade que a edição nº 1.102, da extinta revista “Amiga”, datada de 1991, mostrou artistas ensinando como transar com a camisinha furada? Nos últimos três dias vêm circulando uma estranha história nas redes sociais. Isso porque, muitos usuários vêm compartilhando uma antiga capa da revista “Amiga”, onde é possível encontrar diversas manchetes um tanto quanto tendenciosas.

Para alguns desses usuários isso mostraria o quão parte da população brasileira atual, principalmente aqueles com mais idade, é hipócrita ao dizer que antigamente não havia safadeza. Outros usuários resolveram aproveitar para criticar a classe artística, sendo que tantos outros compartilharam apenas pelo lado cômico ou sensacionalista das demais manchetes que havia na capa.

Confira abaixo a capa da referida revista:

Capa da revista “Amiga” nº 1.102

Assim como alguns tuítes que estão circulando sobre a capa:

Tuíte sobre a capa da revista “Amiga” nº 1.102.

Mais um tuíte sobre a capa da revista “Amiga” nº 1.102.

Outro tuíte sobre a capa da revista “Amiga” nº 1.102.

Quem Começou a Disseminar Essa Capa da Revista no Twitter?

Quem originalmente começou a disseminar essa capa foi um perfil chamado “Revistas Antigas”, no Twitter.

Na manhã de 18 de setembro de 2019, por volta das 8h, o perfil publicou essa capa com a seguinte descrição: “Artistas ensinam como transar com a camisinha furada #1991”. Cerca de algumas horas depois, o perfil tuitou novamente, mas dessa vez acrescentou as páginas da revista onde, supostamente, haveria esse tal ensinamento por parte dos artistas.

Tuítes do perfil “Revista Antigas”.

Entretanto, será que isso é verdadeiro? Será que artistas realmente ensinaram ao público como transar com a camisinha furada? Descubra agora, aqui, no E-Farsas!

Verdadeiro ou Falso?

Fora de contexto! Embora a capa seja verdadeira, essa história de que artistas estariam ensinando a transar sem camisinha é falsa! Foi tão somente uma manchete sensacionalista por parte da revista “Amiga” – uma extinta revista de fofoca – que distorceu totalmente o contexto da matéria publicada, na parte interna da revista, que por sua vez não retratou nenhum ensinamento ou orientação desse tipo.

A capa dá a entender que artistas estariam orientando maliciosamente a transar com a camisinha furada, quando a maior parte da matéria apresenta os artistas defendendo veementemente a utilização da camisinha. Essencialmente, os artistas apenas responderam se a camisinha havia estourado durante a relação sexual. Assim sendo, esse caso denota não somente o sensacionalismo gritante por parte de algumas revistas de entretenimento do passado (atualmente mais latente), mas a falta de leitura por parte das próprios leitores (atualmente aqueles que compartilham algo lendo apenas o título de uma notícia).

A seguir vamos conferir mais detalhes sobre esse caso!

As Páginas da Matéria Cujo Título Sensacionalista Faz Referência

Através do blog “Revista Amiga e Novelas” podemos ter uma bela noção do que foi publicado na edição nº 1.102 da revista “Amiga”.

Na primeira página da matéria – originalmente intitulada “A camisinha está na moda (e quando fura?)” – podemos ler que o uso da camisinha era defendido por muitos artistas. Ela havia se tornado um artigo de primeira necessidade e, com o surgimento da AIDS, ela deixou de ser apenas um método contraceptivo e passou a ser uma aliada contra a doença.

Então, a matéria perguntava: “E quando a camisinha estoura?“. Para responder a essa pergunta, cinco artistas foram consultados.

Primeira parte da matéria.

A Resposta da Atriz Kristhel Byanco, a Dayse da Novela “Barriga de Aluguel” (1990/1991)

Na época, a atriz Kristhel Byanco disse que, embora viesse utilizando o DIU (dispositivo intrauterino), ela não abria mão do uso da camisinha. Para ela, a camisinha era como o batom e o perfume: estava sempre dentro da bolsa.

Eis um trecho do que ela recomendou:

(…) Todos que têm vida sexual ativa, mesmo que usem outros métodos anticoncepcionais, devem usar a camisinha para prevenir doenças

Kristhel não ensinou ninguém a transar com a camisinha furada, apenas disse que a camisinha nunca havia estourado durante a relação sexual.

A Resposta do Cantor Elymar Santos

Elymar Santos foi retratado como uma pessoa conservadora, que até pouco tempo antes da matéria era contra qualquer método anticoncepcional. Contudo, ele também acabou se rendendo aos “encantos da camisinha”.

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Eis um trecho do que ele disse:

Atualmente, não dispenso. Uso-a em respeito a mim e à pessoa que está comigo. Acho que o ideal seria se só fizéssemos amor com a pessoa certa e no momento oportuno, para que pudéssemos deixar rolar com naturalidade e estivéssemos prontos para assumir as consequências. Mas, como isso não é possível, acho mais digno evitar do que fazer aborto

Segunda parte da matéria.

Elymar Santos não ensinou ninguém a transar com a camisinha furada, apenas disse que a camisinha nunca havia estourado durante a relação sexual. Por outro lado, ele teria ouvido de amigos, episódios em que a camisinha havia estourado.

A Resposta do Cantor Markinhos Moura

Na época, o cantor Markinhos Moura disse que fazia da camisinha um indispensável acessório erótico. Ele acreditava que o ato de colocar o preservativo – algo que perturbava várias pessoas – podia se tornar muito excitante.

Eis o que ele disse, em tom de brincadeira:

Crio mil fantasias com a camisinha. Para mim, ela já faz parte do jogo da sedução. E se a gente começar a observar vai perceber que quem usa sempre tem uma estória diferente para contar. Outro dia, entrei num táxi e o motorista começou a falar que, no dia anterior, tinha tido uma transa tão quente, mas tão quente, que derreteu a camisinha

Em NENHUM MOMENTO, o cantor Markinhos Moura ensinou a transar com a camisinha furada.

A Resposta da Atriz Cinira Camargo, a Lucrécia da Novela “Lua Cheia de Amor” (1990/1991)

A atriz Cinira Camargo acreditava que a culpa pela camisinha estourar era do próprio usuário, que, na maioria das vezes, não sabia colocá-la! Ela também disse que havia a necessidade de uma campanha para informar melhor as pessoas, e que toda mulher deveria exigir que seu parceiro usasse.

Eis o que ela disse:

A promiscuidade continua existindo. Então, precisamos nos cuidar. O brasileiro tem preconceito, mas a camisinha é apenas uma questão de hábito. Ele se acostuma a tudo, por que não vai se acostumar à camisinha?

Em NENHUM MOMENTO, a atriz Cinira Camargo ensinou a transar com a camisinha furada.

Terceira parte da matéria.

O Ator, Comediante e Dançarino Jorge Lafond

O ator, comediante e dançarino Jorge Lafond nos deixou em janeiro de 2003. Seu principal personagem foi a “Vera Verão” no programa humorístico “A Praça é Nossa” do SBT. Assumidamente homossexual desde muito jovem, em 2011, segundo a revista “ISTOÉ”, ele se ofereceu ao Ministério da Saúde para participar de uma campanha de prevenção à Aids entre os homossexuais. No entanto, houve um protesto geral na comunidade gay. Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), disse que Lafond “ridicularizava e esculhambava” os homossexuais. Na época, Lafond disse não entender o motivo de tanta confusão.

É interessante notar que, numa edição da própria revista Amiga, de 1987, Jorge Lafond já havia dito nunca transava sem camisinha, porque tinha medo. Na matéria da edição de 1991, ele contou uma complicada situação que passou, quando o preservativo estourou durante um ato sexual.

Eis o que ele disse, em 1991:

Muito antes da Aids aparecer, eu já usava. Acho que não atrapalha em nada. O perigo é quando a gente vai com muita sede ao pote, porque aí corre o risco de ela entrar e não querer sair, caso não esteja bem ajustada ou estourar. Já passei por isso.

Lafond disse que trocou a marca do preservativo e aconselhou as pessoas a ficarem atentas para que, caso acontecesse algo de errado, pudessem agir rapidamente. Ele também disse para as pessoas procurarem por preservativos mais resistentes. Segundo ele, na época, as camisinhas coloridas não valiam nada.

Portanto, Jorge Lafond não ensinou ninguém a transar com a camisinha furada, pelo contrário. Ele disse que as pessoas deviam se proteger e orientou as pessoas a comprarem preservativos mais resistentes, ficando sempre atentas para a possibilidade de estourarem!

Bônus: E o Tal Casamento da Xuxa com o Faustão

Como bônus vamos comentar rapidamente sobre outra manchete que repercutiu muito entre os usuários no Twitter: a possibilidade de um casamento entre a cantora Xuxa e o apresentador Fausto Silva, o Faustão.

Fofoca sobre um eventual casamento de Xuxa e Faustão.

Infelizmente, não encontramos o trecho sobre essa “fofoca”, que teria sido publicada naquela mesma edição pela revista “Amiga”, disponível na internet. Na página que consultamos há inúmeros recortes digitalizados da revista, mas não encontramos nada relacionado a essa especulação.

O UOL refinou a busca por algum registro amoroso dos apresentadores e teria encontrado a seguinte nota no “Jornal do Brasil”, de 18 de abril de 1991:

O animador Fausto Silva, o Faustão, está de namorada nova. Um morenaço de rosto selvagem e corpo escultural, uma loucurita, com quem já foi visto pelo menos duas vezes em restaurantes da cidade em longos e amorosos tête-à-tête. Há, contudo, quem jure que Faustão, devidamente correspondido, está de olho em sua colega de emissora Xuxa.

Os caminhos de Faustão e Xuxa se cruzaram, de forma indireta, no cinema. A Xuxa Produções lançou o filme “Inspetor Faustão e o Mallandro”, fracasso de bilheteria na época, mas que hoje virou um ícone “cult“. No entanto, Xuxa sequer participou do filme. Assim sendo, em princípio, tudo não passou de fofoca.

Conclusão

Fora de contexto! Embora a capa seja verdadeira, essa história de que artistas estariam ensinando a transar sem camisinha é falsa! Foi tão somente uma manchete sensacionalista por parte da revista “Amiga” – uma extinta revista de fofoca – que distorceu totalmente o contexto da matéria publicada, na parte interna da revista, que por sua vez não retratou nenhum ensinamento ou orientação desse tipo.

A capa dá a entender que artistas estariam orientando maliciosamente a transar com a camisinha furada, quando a maior parte da matéria apresenta os artistas defendendo veementemente a utilização da camisinha. Essencialmente, os artistas apenas responderam se a camisinha havia estourado durante a relação sexual. Assim sendo, esse caso denota não somente o sensacionalismo gritante de algumas revistas de entretenimento do passado (atualmente mais latente), mas a falta de leitura por parte das próprios leitores (atualmente aqueles que compartilham algo lendo apenas o título de uma notícia).

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8 Comentários

8 Comments

  1. Fábio Alves Corrêa

    20 de setembro de 2019 em 22:43

    Poisé, clickbait não é de hoje, sempre existiu, apenas mudou de nome.

    Ah, e não é possível que exista alguém que diga que antigamente não tinha safadeza, não viveu os anos 80 e 90 não? Safadeza era só o que tinha… boquinha da garrafa, banheira do Gugu não diz nada prá vocês não? Sem falar nos carnavais com muito, mas muito mais nudez do que os de hoje.

    • Maria

      21 de setembro de 2019 em 7:07

      @Fábio Alves Corrêa , eu acredito que clickbaits, Fake News, fofocas, sensacionalismo, em suma, MENTIRAS existiam desde a invenção da máquina tipográfica de Gutemberg no séc XV ou até mesmo antes com a invenção da Escrita pelos Sumérios ou Egípcios (4.000 a.C.) ou, ainda, quando os humanos aprenderam a se comunicar através da fala (~60.000 a.C.?). Com o advento da Internet e Redes Sociais isso ganhou novo impulso mas, em compensação, a diferença é que agora nós podemos REAGIR e/ou CONTRADIZER tais pragas. 😉 KKKKKKKKKKKKKKK! 😀

  2. ALEXANDRE DO NASCIMENTO MENDES

    21 de setembro de 2019 em 1:20

    Dica, essas revistas com essas materias estapafurdias ainda exitem

    Ha poucos anos fizeram um alarde dizendo que você poderia ganhar até 5 mil reais se tornando fotografa… Repercute na comunidade fotografica até hoje

    Sem falar que anunciam cenas de novela que nunca vão ao ar

  3. Goiano Braga Horta

    21 de setembro de 2019 em 6:53

    Eu não entendi qual seria a “vantagem” de furar a camisinha para transar, pois essa atitude não aumentaria o prazer do contato e além de não proporcionar, então, maior gozo, poderia levar a gravidez não consensual e servir para transmissão de doenças.
    Essas questões já levariam à necessidade de ler a matéria, para procurar entender o porquê de artistas estarem ensinando a praticar um verdadeiro crime, sem que isso levasse a vantagens no aproveitamento do ato sexual.

    • Maria

      21 de setembro de 2019 em 10:08

      @Goiano Braga Horta , não se preocupe com isso. Eles inventam qualquer PORCARIA ABSURDA e/ou sem sentido só para CHAMAR SUA ATENÇÃO e/ou CURIOSIDADE. Mas daí, você já comprou a revista ou clicou no link, foi enganado e deu LUCRO ($$$) para eles. 😉 KKKKKKKKKKKKKK! 😀

    • Pedro Maciel

      21 de setembro de 2019 em 18:50

      Rapaz, a vantagem não é no prazer… Acorda!
      Ensinar a furar a camisinha é o truque para o famoso Golpe da Barriga.
      São aquelas moças, muitas vezes fãs de algum artista famoso, que tentam engravidar dele para depois pedir pensão alimentícia. O cara pensa que está tudo bem, que está usando camisinha e tal, mas vai que está furada e ele nem sabe. Somente depois de 9 meses é que chega a fatura do golpe.

      • Maria

        21 de setembro de 2019 em 21:45

        @Pedro Maciel , é que na manchete da revista ele utilizaram a palavra “furada” ou “furar” e dentro da matéria mudaram o termo para “estourar”. Na manchete você pode pensar que se trata de um golpe, mas no conteúdo e desenvolvimento do texto dá para verificar que eles estão falando basicamente da importância de se usar camisinhas de boa qualidade, de se evitar uma gravidez acidental e sobre os perigos da transmissão de doenças venéreas. Clickbait! 😉

  4. Lucho

    23 de setembro de 2019 em 11:36

    É que “o que fazer quando a camisinha fura” não vende tanto quanto “como transar com a camisinha furada”. E tanto sensacionalismo não adiantou, já que a revista não existe mais.

    E o tempo só tem feito bem a Letícia Sabatella

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