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Três capivaras foram mortas a tiros no Lago Sul, Distrito Federal?

Animais

Três capivaras foram mortas a tiros no Lago Sul, Distrito Federal?

Três capivaras foram mortas a tiros no Lago Sul, Distrito Federal?

No dia 11 de abril de 2019, três capivaras teriam sido encontradas mortas às margens da Estrada Parque Dom Bosco, no Lago Sul, no Distrito Federal. Um incidente que deveria ser classificado como crime ambiental acabou sendo propagado com uma conotação ligeiramente diferente nas redes sociais.

Milhares de usuários compartilharam uma determinada postagem, dizendo que as capivaras tinham sido mortas a tiros. Tudo isso seria devido ao ódio dentro das pessoas. Uma espécie de indicativo do risco de uma população armada.

Um incidente que deveria ser classificado como crime ambiental acabou sendo propagado com uma outra conotação nas redes sociais.

Entretanto, será mesmo que as tais capivaras foram mortas a tiros? Será que pessoas armadas estariam deliberadamente atirando contra animais silvestres no Lago Sul? Descubra agora, aqui, no E-Farsas!

Verdadeiro ou Falso?

Até o momento do fechamento desta postagem, nada indica que as três capivaras tenham sido mortas a tiros. Não há evidências testemunhais ou periciais, que corroborem com a narrativa disseminada através das redes sociais.

O único veículo de imprensa que encontramos, que cobriu com um pouco mais de profundidade essa história, foi o “Jornal de Brasília.”. Foi noticiado, naquele mesmo dia (11), que três capivaras foram encontradas mortas ao lado da Estrada Parque Dom Bosco (EPDB), na altura do Instituto Dom Orione. Ainda não se sabia a causa da morte dos animais, mas a suspeita era de que tivessem sido atropelados. Em nenhum momento foi citado que as capivaras foram mortas a tiros.

O único veículo de imprensa que encontramos, que cobriu com um pouco mais de profundidade essa história, foi o “Jornal de Brasília.”

O texto ainda dizia: “Quem passa pelo local conhece bem o perigo e sabe da possibilidade de um encontro nada casual com o roedores… Apesar da presença constante de capivaras, no local não há placas de sinalização referente aos animais. O Departamento de Estrada e Rodagens (DER-DF), responsável pela estrada, afirmou ao Jornal de Brasília que atualmente está realizando um estudo na área, junto à uma empresa parceira, sobre esta condição. Ao final da pesquisa, será decidido onde será colocada a sinalização na EPDB.

As Fotos Divulgadas pelo “Jornal de Brasília.”

Duas fotos dos animais mortos foram divulgadas pelo “Jornal de Brasília.”, porém não há nenhum indício visual de que os animais tenham sido mortos a tiros. Não há manchas de sangue no solo, nos corpos do animais, e nenhuma perfuração de entrada de projéteis.

Foto divulgada pelo Jornal de Brasília

Mais uma foto divulgada pelo Jornal de Brasília

Na única foto disseminada nas redes sociais, as capivaras aparecem espaçadas. Novamente, porém, não apresentam nenhum indício visual, que tivessem sido baleadas.

Outros Casos Envolvendo a Morte de Capivaras

De acordo com o “Jornal de Brasília.”, em julho de 2017, quatro capivaras foram encontradas mortas às margens de um córrego localizado na quadra 22, no Lago Sul. Nesse outro caso, segundo apuração da Polícia Militar Ambiental, foram verificadas lesões no dorso, patas e cabeças dos animais resultantes de marcas próprias de atropelamento.

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Em 2012, o número foi maior. Às margens da Barragem de Santa Maria, dentro do Parque Nacional de Brasília, foram encontradas 17 capivaras mortas. O motivo das mortes, no entanto, não teria sido revelado.

A “Rádio Federal”

Um veículo de comunicação chamado “Rádio Federal” chegou a divulgar o caso como se as capivaras tivessem sido baleadas. Porém, foi apresentada somente a mesma foto e a narrativa disseminadas horas antes, através das redes sociais.

Perfis relacionados a um programa da rádio e de uma radialista também ajudaram a propagar essa narrativa, que até o momento é infundada.

Um veículo de comunicação chamado “Rádio Federal” chegou a divulgar o caso como se as capivaras tivessem sido baleadas. Porém, foi apresentada somente a mesma foto e a narrativa disseminadas horas antes através das redes sociais.

Entramos em Contato com a Polícia Militar Ambiental do Distrito Federal

O “Jornal de Brasília.” disse ter entrado em contato com a Polícia Militar Ambiental do Distrito Federal, mas que não obteve atendimento até o fechamento da reportagem.

Na manhã de domingo (14), por volta das 9h30, entramos em contato com o 5º Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) do Distrito Federal. O batalhão fica a aproximadamente 1,5 km do local onde as capivaras teriam sido encontradas.  Quem nos atendeu foi o Sargento Luís Barros que, a princípio, desconhecia essa situação. Ele chegou a perguntar internamente, porém não obteve respostas. Então, ele nos recomendou ligar para um número de celular do grupamento diretamente responsável por atender tais ocorrências.

Na manhã de domingo (14), por volta das 9h30, entramos em contato com o 5º Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) do Distrito Federal.

Nesse número de celular falamos com o Soldado Eduardo Ribeiro. Ele alegou que não estava a par da situação, porque tinha voltado recentemente de férias. Consultou, então, um superior que, a princípio, também desconhecia essa situação. Pouco tempo depois, esse superior alegou que a causa das mortes das capivaras não havia sido determinada. Quando questionamos a presença de pessoas armadas atirando em animais no Lago Sul, foi nos dito, enfaticamente, que se tratava de boato.

Conclusão

Até o momento do fechamento desta postagem, nada indica que as três capivaras tenham sido mortas a tiros. Não há evidências testemunhais ou periciais, que corroborem com a narrativa disseminada através das redes sociais. Além disso, as duas fotos divulgadas pelo “Jornal de Brasília.”, o único veículo de imprensa a cobrir o caso com maior profundidade, não apresentam nenhum indício visual de que os animais tenham sido baleados.

Ao entrarmos em contato com Polícia Militar Ambiental do Distrito Federal também não foi confirmada a versão de que os animais tivessem sido baleados. A causa ainda não tinha sido determinada, apesar da suspeita de atropelamento. Além disso, segundo a polícia, a presença de pessoas armadas atirando em animais no Lago Sul, não passa de boato.

É importante que as pessoas não confundam posse com porte de armas. No início do ano, um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro flexibilizou as regras para a posse de armas. Porém, o porte é outra coisa: é a permissão para andar na rua com uma arma de fogo. Trata-se de um algo restrito a militares, policiais, funcionários de empresas de segurança privada e trabalhadores rurais que morem em locais distantes, sem policiamento. É assim desde dezembro de 2003, quando foi sancionado o Estatuto do Desarmamento no Brasil, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Alan Souza

    16 de abril de 2019 em 15:38

    Moro em Brasília desde 2006 e queria registrar o seguinte: o Lago Sul é um dos lugares mais bem atendidos por policiamento do DF, já que é uma região de alto padrão, um dos metros quadrados mais caros do DF e do Brasil. No Lago Sul estão instaladas algumas embaixadas, clínicas, escolas, comércios e restaurantes voltados a um público classe alta e média-alta. Lá estão inclusive uma grande instalação militar (o CINDACTA) e o Batalhão de Polícia Militar Ambiental, residência oficial do presidente da Câmara e do Senado, dos ministros… Portanto, qualquer desavisado que saísse atirando no que quer que fosse no Lago Sul (placa de trânsito, capivara ou pro alto…) seria localizado e preso mais rapidamente do que em qualquer outro ponto da cidade… Talvez só não seja mais seguro e policiado que a área da residência oficial do presidente da República.

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