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“Bebê monstro” nasce em Feira de Santana! Será verdade?

Saúde

“Bebê monstro” nasce em Feira de Santana! Será verdade?

Vídeo mostra um bebê com “cara de monstro” que teria nascido em dezembro de 2015 em uma cidade da Bahia! Será que isso é verdade ou farsa?

A filmagem tem apenas 40 segundos de duração e mostra um bebê recém-nascido, ainda na cama do hospital, chorando! O que chama a atenção nas imagens é a aparência da criança, chamada em várias publicações de “bebê-monstro”.

A triste história que acompanha esse vídeo afirma que o bebê teria nascido no dia 11 de dezembro de 2015, em Feira de Santana, na Bahia. A criança, de acordo com as diversas postagens feitas no Facebook, como essa por exemplo (que já foi compartilhada mais de 7.000 vezes), diz que o recém-nascido teria sobrevivido por apenas uma hora e que sua mãe estaria em estado grave.

Será que essa notícia é real?

Será que isso é verdadeiro ou falso?

Bebê teria nascido em Feira de Santana com problemas na pele! Será verdade? (foto: Reprodução/Facebook)

Bebê teria nascido em Feira de Santana com problemas na pele! Será verdade? (foto: Reprodução/Facebook)

Verdadeiro ou falso?

O vídeo é real, mas o fato não ocorreu em Feira de Santana e tampouco em dezembro de 2015! Uma busca no YouTube mostra que há muito tempo esse mesmo filme já circula por aí e, inclusive, em outras línguas! Essa publicação, por exemplo, é de novembro de 2015, em espanhol, e o Brasil não é nem citado!

Igualmente, essa postagem feita em um site de língua japonesa também não cita o Brasil e diz que, na verdade, o bebê (que lá circulou com o apelido de “bebê-alien”) teria nascido no Zimbábue. O site Live Leak confirma que a criança teria nascido no Zimbábue em novembro de 2015 e que ela teria sido abandonada no hospital (não conseguimos confirmar essas informações).

Outras postagens pedem um “Amém” e/ou uma ajuda financeira (através de curtidas e compartilhamentos) para o tratamento desse pequena criança!

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As imagens são extremamente apelativas e, é claro, muita gente se aproveita disso para conseguir mais curtidas e compartilhamentos em suas fanpages e perfis de redes sociais:

Quantos likes esse guerreiro merece? (reprodução)

Quantos likes esse guerreiro merece? (reprodução)

Doença rara

Esse bebezinho sofre de uma doença rara e genética chamada Ictiose Arlequim. A sua característica principal é o engrossamento da camada de queratina na pele fetal e o recém-nascido fica coberto por placas de uma pele grossa que racha e se parte, deixando as feridas expostas à infecções. 

A ocorrência desta patologia é muito pequena, na base de 1 a cada 10.000.000 de nascimentos e, apesar de não se saber exatamente quais são as causas desse distúrbio, há fortes indícios de que pais consanguíneos possuem maiores chances de terem um filho com a doença.

Os bebês com Ictiose Arlequim possuem poucas chances de passar dos 3 anos de idade e ainda não há cura para isso, mas há algumas exeções de pessoas que venceram a doença, como a norte-americana Hunter Steinitz, que convive há 19 anos com esse problema na pele:

 

Conclusão

O bebê chamado de monstro não nasceu em dezembro na cidade baiana de Feira de Santana. Ele nasceu com uma doença chamada ictiose arlequim e não há muita informação sobre ele, mas sabe-se que a sua história e seu vídeo circulam pela web desde antes de novembro de 2015 e algumas postagens sugerem que ele tenha nascido no Zimbábue! Na dúvida, não repasse esse tipo de vídeo, pois isso não ajuda em nada!

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11 Comentários

11 Comments

  1. MARITANA Araújo

    16 de dezembro de 2015 em 7:12

    Ictiose Arlequim é uma doença genética rara, muito grave, caracterizada pelo espessamento da camada de queratina que forma a pele do feto. Geralmente, os bebês que nascem com ictiose arlequim morrem poucas semanas após o nascimento ou sobrevivem no máximo até os 3 anos de idade.

    Os bebês com esta doença possuem a pele grossa, que tendem a repuxar e esticar a pele, causando deformações no rosto e em todo corpo. A pele desenvolve uma aparência de armadura, com frequentes feridas devido as alterações genéticas.

    As causas da ictiose Arlequim ainda não são totalmente esclarecidas, mas pais consanguíneos tem maiores chances de ter um bebê assim.

    Características da Ictiose Arlequim

    As características da ictiose Arlequim incluem: pele seca, escamosa, dificuldades para se alimentar e respirar, rachaduras e feridas na pele, deformações dos órgãos do rosto (olhos, nariz, boca e orelhas), mau funcionamento da tireoide, desidratação extrema, fissuras e descamação da pele em todo o corpo. A pele esticada força que os lábios e as pálpebras a virem ao contrário.

    Como a barreira protetora da pele fica alterada é frequente aparecer várias infecções devido a entrada de micro-organismos no corpo do bebê e além disso há dificuldade para respirar e para se alimentar.

    Diagnóstico de Ictiose Arlequim

    O diagnóstico da ictiose Arlequim pode ser feito no pré-natal através de exames como a ultrassonografia que evidencia boca sempre aberta, restrição dos movimentos respiratórios, alteração nasal, mãos sempre fixas ou em garra, através da análise do liquido amniótico ou pela biópsia da pele do feto que pode ser feita às 21 ou 23 semanas de gestação.

    Ictiose Arlequim tem cura?

    A ictiose Arlequim não tem cura mas o bebê pode receber o tratamento logo após o nascimento na UTI neonatal que é direcionado para diminuição o seu desconforto. O objetivo é o controle da temperatura e usar técnicas de hidratação da pele. São administradas doses de vitamina A sintética e, em alguns casos, podem ser realizadas cirurgias de autoenxerto de pele. Apesar da dificuldade após cerca de 10 dias alguns bebês conseguiram ser amamentados, no entanto são poucos bebês que chegam a completar 1 ano de vida.

  2. Sedegewick Sexton

    16 de dezembro de 2015 em 13:56

    Gilmar, me tira uma dúvida: o Brasil é um país consanguíneo?

    (3° linha, 2° parágrafo do título “Doença Rara”)

    • Gilmar Lopes

      16 de dezembro de 2015 em 14:03

      hauhuahuhauhauh! Maldito corretor!
      Valeu!

  3. Dorah

    16 de dezembro de 2015 em 20:59

    Que ridículo, a criança com uma doença grave ,aí fica postando usando o termo bebê monstro. Que horror,que desrespeito.

    • Gilmar Lopes

      17 de dezembro de 2015 em 7:51

      Por isso coloquei entre aspas… Não foi um termo criado pelo E-farsas, mas reproduzimos o que várias publicações fizeram por aí (até pra ficar mais fácil para quem está buscando sobre isso no Google).
      Perceba que preservamos o rostinho do bebê e que não colocamos nenhum dos vídeos aqui no site.

  4. Antonio bentes

    20 de dezembro de 2015 em 2:04

    Tenho uma filha q mora em manaus com a mae dela e ela tem essa doenca. Minha filha ta com 11 anos e se chama samara vitoria

  5. Janete

    19 de fevereiro de 2016 em 12:01

    Esta doença é genética, não tem nada a ver com sangue.

    • Eu™

      19 de fevereiro de 2016 em 13:32

      “Os casamentos consanguíneos, isto é, as relações matrimoniais entre indivíduos com grau de parentesco muito próximo (pais com filhos ou entre irmãos e até mesmo primos de primeiro e segundo grau), representam mais do que um preconceito ridicularizado em certos casos e culturas, porém um relevante aspecto genético com consequências hereditárias.”

      As evidências apontam que esta a mutação genética ocorre quando as crianças são geradas por casais que possuem um parentesco muito próximo.

      Então SIM, tem a ver com consanguinidade.

  6. Kátia

    7 de março de 2016 em 19:14

    Jornal sensacionalista. Ridículo! Por que acharam que compensava reproduzir uma descrição infeliz como essa? Jornalistas desse nível não passam de lixo. Envergonham a profissão.

  7. Shirley

    14 de junho de 2016 em 12:58

    No hospital maternidade em que trabalho, nasceu um bebe com esta doença genética, e, de fato, caso lastimável, a mãe, menor de idade, fora abusada sexualmente pelo seu irmão.

  8. Jessica Silva

    22 de outubro de 2016 em 20:15

    Ele nasceu em Sergipe,no hospital regional de Propriá.

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