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Mapa mostra ataques a igrejas católicas nos últimos 4 anos, na França?

Crimes

Mapa mostra ataques a igrejas católicas nos últimos 4 anos, na França?

Mapa mostra ataques a igrejas católicas nos últimos 4 anos, na França?

Muitas informações foram ventiladas através das redes sociais durante, e após o incêndio da Catedral de Notre-Dame, em Paris. Entre elas, uma nos chamou muito a atenção: um mapa onde supostamente indicava ataques a igrejas católicas nos últimos 4 anos, na França.

Em uma das publicações, que viralizou no Facebook, esse mapa foi compartilhado quase 7 mil vezes.

Em uma das publicações, que viralizou no Facebook, esse mapa foi compartilhado quase 7 mil vezes.

Entretanto, será que esse mapa é verdadeiro? As informações contidas nele são confiáveis? Todos os pontos realmente representam ataques contra igrejas católicas na França? Descubra isso e muito mais agora, aqui, no E-Farsas!

Verdadeiro ou Falso?

Antes de mais nada é necessário ter em mente, que esse mesmo mapa viralizou com os mais variados contextos. Uma página no Facebook chamada “1776TV.com” o divulgou como se ele representasse a quantidade de “igrejas destruídas ou profanadas na França nos últimos 4 anos“. Já o perfil no Twitter do “Info ou Intox” (associado ao canal “France 24”), que tem a missão de verificar a autenticidade de imagens ou vídeos divulgados na internet, disse que a imagem estava circulando como se mostrasse a quantidade de “igrejas incendiadas no ano passado, na França“!

Antes de mais nada é necessário ter em mente, que esse mesmo mapa viralizou com os mais variados contextos.

A Imagem é Real, Porém…

A imagem em si é real, uma vez que, apesar da baixa resolução é uma captura de tela da página interna de um site chamado “L’Observatoire de la Christianophobie” (“O Observatório da Cristianofobia”). Diga-se de passagem, o termo “cristianofobia” reflete o conjunto de práticas de intolerância e discriminação contra a fé cristã e os seus adeptos.

Essa página interna consiste em um mapa interativo que, segundo o site, indica uma série de ações cristianofóbicas. Entre essas ações temos casos de incêndios criminosos, vandalismo (pichações, depredações etc.), assassinatos/agressões, atentados, roubos de itens sacros, sequestros etc.

Dentro do “L’Observatoire de la Christianophobie” existe um mapa interativo que, segundo o site, indica uma série de ações cristianofóbicas.

Entretanto, é necessário destacar alguns pontos muito importantes:

  • O mapa interativo reflete aquilo, que o próprio site considera como ações cristianofóbicas, e apenas dos últimos dois anos (entre dezembro de 2016 e dezembro de 2018);
  • O mapa não se baseia estritamente em estatísticas oficiais;
  • Nem todas as ações são referentes a igrejas, mas também contra pessoas, cemitérios ou locais não religiosos;
  • Nem todas as ações são passíveis de serem interpretadas ou foram criminalmente consideradas como uma prática de intolerância ou discriminação expressa contra a fé católica, ou seja, podem não se tratar realmente de ações cristianofóbicas;
  • Na maioria dos casos não ficou comprovada a orientação religiosa dos agressores ou vândalos;
  • Alguns casos são meramente anedóticos, ou seja, baseados em relatos, e/ou não possuem nenhuma verificação por parte da imprensa local ou nacional.

Exemplos de Casos Citados como Ações Cristianofóbicas que Não Foram Contra Igrejas

A seguir, vamos mostrar para vocês alguns exemplos de casos indicados no mapa, que não foram ataques contra igrejas ou sequer deveriam ser considerados como cristianofobia.

Sacerdote Ameaçado na Catedral Saint-Vincent, em Chalon-sur-Saône

Segundo o site “Le Journal de Saône-et-Loire“, uma pessoa alcoolizada teria ameaçado verbalmente um padre com comentários de cunho violento. A pessoa estava carregando um objeto, que inicialmente pensaram ser uma granada, mas era apenas uma garrafa. A pessoa acabou sendo detida e, a princípio, a hipótese de ser um muçulmano teria sido descartada.

Segundo o site “Le Journal de Saône-et-Loire”, uma pessoa alcoolizada teria ameaçado verbalmente um padre com comentários de cunho violento.

O site não divulgou maiores informações sobre o caso, que teria ocorrido no dia 28 de abril de 2018. Basicamente, não sabemos nada sobre a motivação das ameaças contra o padre, e se o contexto realmente era devido a uma intolerância religiosa por parte da pessoa contra o Cristianismo. Além disso, o ataque não foi contra a igreja em si.

Jovem Esfaqueado em uma Igreja de Niort

Segundo o site “La Nouvelle République“, um jovem de 15 anos de idade estava rezando na igreja de Notre-Dame, em Niort, e foi agredido no dia 8 de março de 2018, por volta das 18h30. O rapaz alegou que dois homens encapuzados o abordaram pedindo para que ele se despisse. Diante da recusa do jovem, ele teria sido esfaqueado na perna. O jovem teria sido socorrido pelo Corpo de Bombeiros, que o encaminhou para um hospital local.

O rapaz alegou que dois homens encapuzados o abordaram pedindo para que ele se despisse. Diante da recusa do jovem, ele teria sido esfaqueado na perna

Não foram fornecidas maiores informações. Portanto, não sabemos se o contexto realmente era devido a uma intolerância religiosa por parte das duas pessoas contra o Cristianismo, ou se era um ataque de ordem sexual aleatório. Além disso, assim como no item anterior, o ataque não foi contra a igreja em si.

Manifestação LGBT

Segundo o site “L’Observatoire de la Christianophobie“, um leitor enviou uma foto mostrando uma manifestação LGBT, em Clermont-Ferrand (Puy-de-Dome).

Foto enviada por um leitor não identificado.

De acordo com o leitor, cerca de 15 ativistas LGBT se reuniram na cidade universitária de Clermont-Ferrand. Eles possuíam uma faixa que, segundo o leitor, insultava todos os cristãos. Na faixa havia a seguinte frase: “Jesus Avait 2 Peres Et Un Mere Porteuse” (“Jesus teve dois pais e uma mãe de aluguel”). Não foi mencionado, por exemplo, se a manifestação foi feita em frente alguma igreja. Aparentemente, não. Além disso, a manifestação não foi um ataque contra uma igreja em específico.

Crucifixo Profanado

Segundo o site “L’Observatoire de la Christianophobie“, um leitor enviou uma foto relacionada a um ato de vandalismo cometido em um refúgio para viajantes em Wihr-au-Val (Vale de Munster, Alto Reno). O leitor disse que no dia 19 de julho de 2018, ao entrar no chamado “Abri du Krizle” (uma cabana localizada a 688 metros de altitude), se deparou com um crucifixo profanado. Basicamente, boa parte do corpo de Cristo tinha sido arrancado da cruz, sobrando apenas a cabeça e as mãos.

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Boa parte do corpo de Cristo tinha sido arrancado da cruz, sobrando apenas a cabeça e as mãos.

O leitor disse que não sabia quem havia feito isso, porque todos os dias diversos viajantes e turistas passavam pela cabana. Apesar de até podermos caracterizar esse vandalismo como uma ação cristianofóbica, o mesmo não ocorreu no interior de uma igreja ou foi contra uma igreja em específico. Também não sabemos a orientação religiosa do(a) responsável pelo vandalismo.

62 túmulos Vandalizados no Cemitério de Étilleux, em Eure-et-Loir

Segundo o site “L’Écho Républicain“, dois meninos e uma menina de 9 anos de idade vandalizaram o cemitério de Étilleux, na tarde de 14 de maio de 2017. Eles entraram por um portão, que não estava trancado, e se encaminharam para uma parte antiga do cemitério. Lá, eles destruíram figuras religiosas, objetos decorativos, placas e crucifixos de metal. Cerca de 62 túmulos foram afetados.

A polícia identificou as três crianças, que não souberam dizer a razão pela qual tinham agido dessa forma. A comunidade local ficou chocada, porque muitos objetos eram do século XIX, ou seja, o patrimônio histórico também tinha sido destruído. Uma das crianças foi até a administração municipal para se desculpar. Como resposta foi dito que não poderiam perdoá-la considerando a extensão do dano. Ainda teria sido mencionado, que a ação das crianças era equivalente a cuspirem nos rostos dos familiares dos mortos.

Curiosamente, mesmo se tratando de crianças de 9 anos, o caso foi taxado como cristianofobia por parte do site “L’Observatoire de la Christianophobie

Padre Sequestrado em L’Île-Bouchard

Segundo o site “Europe 1“, um homem na faixa dos 50 anos de idade atacou um padre na manhã de 27 de dezembro de 2016. Armado com uma faca, ele forçou o padre a dirigir para ele. Com palavras um tanto quanto confusas, ele alegava querer ser levado ao leito de seu pai no hospital.

Com palavras um tanto quanto confusas, o homem alegava querer ser levado ao leito de seu pai no hospital.

Após cerca de uma hora, o homem libertou o padre, que não teve ferimentos. Pouco tempo depois um suspeito foi detido.

Não houve maiores informações sobre esse caso. Portanto, não sabemos nada sobre as reais motivações do homem, e se o contexto realmente era devido a uma intolerância religiosa por parte da pessoa contra o Cristianismo. Além disso, o ataque não foi contra a igreja em si.

Enfim, vale ressaltar nesse ponto, que esses são apenas alguns casos entre diversos outros listados, que não foram ataques contra igrejas, e/ou sequer deveriam ser expressamente classificados como cristianofobia. Portanto, é necessário ter muita cautela ao interpretar esse mapa em específico.

O Outro Lado De Toda Essa História: A Conta Atualizada dos Ataques a Igrejas Católicas na França

No dia 21 de março de 2019, o site da revista “Newsweek” disse que a França vinha assistindo a uma série de ataques contra igrejas católicas desde o início do ano. Atos de vandalismo que incluíam desde incêndio criminoso até profanação. Vândalos quebraram estátuas, derrubaram objetos em sacrários, os espalhando ou destruindo, além de crucifixos. Tudo isso vinha provocando temores de um aumento do sentimento anticatólico no país.

Alguns dias depois, no dia 29 de março, o jornal francês “Le Figaro” publicou um inquietante relatório em sua capa. Se tratava do aumento do vandalismo contra as igrejas, baseado em um recorde de 129 roubos e 877 depredações em locais de culto católico em todo o país, em 2018. Os dados eram do Serviço Central de Inteligência Criminal (SCRC) da Gendarmaria (força policial militar subordinada ao Ministério da Defesa francês para as missões militares e sob a tutela do Ministério do Interior para as missões de policiamento), e cobriria 95% do território francês.

O jornal francês “Le Figaro” publicou um relatório sobre o aumento do vandalismo contra as igrejas.

Os Números Anteriores do Ministério do Interior

Esses dados foram publicados cerca de um mês e meio após uma primeira avaliação do Ministério do Interior. Em 12 de fevereiro foi divulgado um relatório com números relacionados a ataques de ódio, racistas e antirreligiosos, incluindo a depredação de locais de culto e sepulturas. Segundo o Ministério do Interior ocorreram 1.063 atos anticristãos (aproximadamente 700 estavam relacionados a crimes contra a propriedade, e 100 a atos violentos). Ocorreram também 541 atos antissemitas (81 relacionados a atos violentos e 102 relacionados a crimes contra a propriedade), e 100 atos antimuçulmanos também foram registrados.

De acordo com o ministério, essa maior ocorrência de depredações em locais cristãos estaria relacionada ao maior número de igrejas em relação as outras religiões. A França teria cerca de 40 mil igrejas para uma população de cerca de 4 milhões de católicos. Na época, o ministério também disse, que os ataques contra os muçulmanos estavam em seus níveis mais baixos desde 2010. Os ataques contra os cristãos estavam no mesmo nível do ano anterior, e os ataques contra a comunidade judaica aumentaram em 2018. De qualquer forma, o “Le Figaro” atualizou esses números, e mostrou que houve, de fato, um aumento de ataques anticristãos na França, em 2018.

Christophe Castaner, ministro do Interior, condenou atos de ódio contra todas pessoas e lugares de culto de todas as religiões.

“O ódio não tem lugar na República. Estamos determinados a proteger todos os franceses, proteger o secularismo, a liberdade de não acreditar, assim como de acreditar, com total segurança. Esses números mostram que não devemos baixar a guarda. Aos antissemitas, islamofóbicos, anticristãos, racistas, xenofóbicos: não há pequenos ataques, nem pequenos insultos. Nada será tolerado: todo culpado será encontrado e julgado”, declarou.

A Tentativa de Explicar Esses Números

O site do jornal francês “Libération” fez uma curta observação dos números relacionados a depredações de igrejas católicas em 2018. Cerca de 877 contra 700, respectivamente. Curiosamente, esses números eram compostos por fatores de diversas naturezas.

Qualquer grafitti em edificações religiosas podia ser considerado uma depredação, no mesmo nível de ataque a um sacrário ou destruição de material religioso. O Ministério do Interior citou, como exemplos de depredação: inscrições satânicas, o número 666, o símbolo anarquista, suásticas, símbolos nacionalistas ou neonazistas, além de inscrições como “Allah akbar” (“Deus é grande”, em árabe). Questionado sobre a proporção de depredações por reivindicação (anarquista, nacionalista, anticlerical, islamista etc.), o ministério se recusou a entrar em detalhes.

Conclusão

A imagem de uma mapa interativo, que vem circulando nas redes sociais, é real. Porém, todos os pontos do mapa não são necessariamente referentes a ataques a igrejas católicas, muito menos nos últimos 4 anos, na França. Em primeiro lugar, o mapa possui uma cobertura de apenas dois anos (entre dezembro de 2016 e dezembro de 2018). Em segundo lugar, o mapa indica ações ocorridas contra igrejas, pessoas, locais não religiosos e cemitérios. Para completar, nem todos os casos representam ataques contra igrejas, e/ou sequer deveriam ser expressamente classificados como cristianofobia. Em um determinado caso, o próprio site alegava, que não se tratava estritamente de cristianofobia.

Isso não quer dizer não haja ataques contra igrejas católicas na França. Sim, há. Inclusive, segundo números oficiais divulgados pelo jornal “Le Figaro”, houve um aumento no número de casos de vandalismo em 2018. É importante destacar, no entanto, que esse vandalismo é pulverizado. Muitas vezes são pichações, que possuem símbolos, palavras ou frases de ordem moral provenientes de supostos anarquistas, ultra-nacionalistas, neonazistas e, inclusive, islâmicos. Infelizmente, o Ministério do Interior, até o momento, se recursou a entrar em maiores detalhes sobre a proporção de tais vandalizações.

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