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terça-feira, novembro 29, 2022

Um dos homens que queimaram indígena vivo ganhou cargo de confiança no governo Bolsonaro?

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É verdade que um dos homens que mataram um índio pataxó “apenas por brincadeira”, ganhou um cargo público com bom salário no governo de Jair Bolsonaro?

Na primeira semana de setembro de 2021, a imagem de um homem ao lado de uma manchete de jornal de 1997 começou a se espalhar nas redes sociais.

De acordo com o texto que acompanha a colagem de fotos, ele seria um dos assassinos do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, queimado vivo por 5 jovens que passavam em frente a um ponto de ônibus onde o indígena dormia, em 1997.

O homem da foto, segundo o que foi espalhado, teria sido nomeado para um cargo público para receber R$ 11 mil do governo!

Será que isso é verdade?

Um dos assassinos do índio Galdino Jesus dos Santos teria ganhado um cargo de confiança no governo Bolsonaro! Será verdade? (foto: Reprodução/Facebook)

Verdade ou mentira?

Em abril de 1997, Gutemberg Nader de Almeida Júnior (ainda menor de idade) e mais 4 amigos atearam fogo em um índio que estava dormindo em um ponto de ônibus, em Brasília. A vítima havia perdido o horário de atendimento da pousada onde estava hospedado e, como não conseguiu entrar, teve que dormir num ponto de ônibus ali perto, quando teve o corpo banhado de etanol e queimado vivo. 

Galdino ainda foi levado para hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois…

Essa matéria do jornal Correio Braziliense conta com detalhes o que aconteceu na ocasião. 

Em suas defesas, os criminosos – que foram até a um posto de combustível para comprar o álcool e voltaram para matar o indígena – se justificaram dizendo que “era só brincadeira” e que “achavam que fosse um mendigo“, mas a morte brutal do indígena causou comoção nacional na época, e a Justiça teve que agir (mais ou menos).

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Na época do crime, Gutemberg ainda era menor de idade e foi encaminhado para o centro de reabilitação juvenil do Distrito Federal, onde ficou preso por quatro meses (ele havia sido condenado a um ano de reclusão, mas conseguiu permissão para sair antes do prazo). 

Quanto aos outros quatro comparsas, todos eles condenados a 14 anos de prisão, em regime fechado. Em 2004, 7 anos depois, todos já estavam em liberdade!

Gutemberg entrou pra PRF através de concurso (e com a ajuda da Justiça)

Em abril de 2014, Gutemberg passou e um concurso público para a Polícia Rodoviária Federal, mas foi impedido de tomar posse, após etapa que avalia a vida pregressa dos candidatos. 

Ele foi desligado do Curso de Formação Profissional, mas por uma decisão judicial, obteve novamente o direito de concluir o curso, se formando e tomando posse na PRF.

No dia 06 de janeiro de 2020, o rapaz foi nomeado pelo governo Federal para um cargo comissionado na Polícia Rodoviária Federal (PRF). 

Gutemberg passou a exercer o cargo de Substituto do Chefe da Divisão de Centro de Comando e Controle Nacional da PRF (Polícia Rodoviária Federal), conforme publicação no Diário Oficial da União de 06/01/2020. Segundo o que foi apurado pelo site Poder 360, o servidor ficou no cargo de confiança até dezembro de 2020, podendo ter recebido gratificações mensais de R$ 2.064,44 que, somadas ao seu salário, cerca R$ 9 mil, daria algo em torno de R$11 mil.

Procurada pelo IG, a Polícia Rodoviária Federal explicou que o candidato foi nomeado por possuir qualificação para exercer tal atividade e que o servidor só recebeu quando o cargo de chefia se apresentava vago:

Confira a nota da PRF na íntegra:

“Durante o certame de 2016 o Servidor Gutemberg Nader foi alvo de investigação social como qualquer outro candidato. Na ocasião, houve decisão para que ele fosse desligado do Curso de Formação Profissional – CFP, de 2016, pelos fatos que são de conhecimento geral, qual seja, o evento com o Índio Galdino, quando ele era ainda menor de idade. Contudo, por força de decisão judicial, ele retornou ao CFP, concluiu e tomou posse como PRF. Hoje o servidor Gutemberg está lotado na Superintendência do Distrito Federal. O cargo ocupado pelo mesmo, de janeiro de 2020 até dezembro de 2020, é de livre nomeação e exoneração. O servidor em questão foi nomeado pois possuía qualificação para exercer tal atividade. Cabe salientar que para este cargo, Substituto do Chefe da Divisão de Testes, Qualidade e Implantação, não há gratificações, exceto no caso de afastamentos e impedimentos legais ou regulamentares e na vacância do cargo da chefia.”

Os 5 amigos estão em cargos públicos

Segundo essa reportagem, todos os envolvidos no crime que chocou o país em 1997 estão bem empregados em cargos públicos com boas remunerações. Um deles está no Senado Federal, com um salário de R$27 mil; o outro trabalha no Detran e ganha R$15 mil; um terceiro trabalha na Secretaria de Estado da Saúde e também ganha cerca de R$15 mil; e o quarto trabalha no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), recebendo algo em torno de R$16 mil por mês.

Conclusão

É verdade que um dos assassinos de um índio, em 1997, ganhou um cargo de confiança no governo Bolsonaro em 2020. A nomeação durou 11 meses e, em dezembro de 2020, o servidor voltou ao cargo anterior, voltando a receber apenas o salário de R$9 mil mensais.

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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19 COMENTÁRIOS

  1. A mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, foi contratada pelo governo Lula. Não lembro se o E-farsas fez matéria sobre isso, mas é interessante notar que se não for governo do pT o Gilmar corre atrás pra encontrar safadeza, que aliás este governo tem de sobra, porém ainda menos do que os governos dos petralhas.

  2. Tem um caso de uma pessoa que roubou bilhões de reais dos brasileiros, inclusive da saúde, o que deve ter ocasionado a morte de índios, brancos, negros, mulatos, mamelucos…. e parece que vai ser candidato a presidente de um país sul americano….

  3. Sem mas mas. Cairemos no dilema, vocês acreditam que alguém que cometeu crime não possa se arrepender e seguir uma vida regrada? Pois é, se não acredita, melhor inclusive deixar de ser cristão caso seja. Se não me engano, para entrar para a polícia concursado, você não pode ter nenhuma condenação criminal, mas por ser comissionado, não segue essa regra.

    O que condeno é esse sistema em que uma pena é reduzida pela metade para uns e outros ficam presos mesmo após cumprir toda a pena.

    • Concordo que pessoas podem mudar, porém que ele vá trabalhar em empresas privadas, não em cargos de confiança do governo, recebendo dezenas de milhares de Reais de dinheiro público.

  4. Se fosse reduzido a maioridade penal talvez nem a esse cargo teria chegado,mas quem é contra essa reduçao mesmo? Então a esquerda tem a sua parcela de culpa.

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