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O militar foi preso com cocaína só após Bolsonaro acabar com a inviolabilidade de bagagens diplomáticas?

Crimes

O militar foi preso com cocaína só após Bolsonaro acabar com a inviolabilidade de bagagens diplomáticas?

O militar foi preso com cocaína só após Bolsonaro acabar com a inviolabilidade de bagagens diplomáticas?

É verdade que o militar da FAB só foi apanhado com 39 kg de cocaína após decisão do presidente de acabar com a inviolabilidade de bagagens diplomáticas nas comitivas presidenciais?

A mensagem se espalhou através de grupos do WhatsApp e de postagens nas redes sociais no começo de julho e 2019 e parabeniza a decisão do presidente Jair Bolsonaro em acabar com a inviolabilidade de bagagens diplomáticas nas comitivas presidenciais. Segundo o texto amplamente compartilhado, o militar preso por transportar 39 kg de cocaína em um avião presidencial só foi pego por causa dessa medida presidencial.

A postagem ainda afirma que o sargento já havia participado de 56 voos de preparação do presidente Lula, 52 de Dilma Rousseff e duas de Michel Temer.       

Será que isso é verdade ou mentira?

Texto de uma das versões que se espalharam na web: “POR QUE O SGT DA AERONÁUTICA FOI PRESO DURANTE A VIAGEM DO PRESIDENTE BOLSONARO ISSO A “IMPRENSA” NÃO INFORMA* Durante os governos Lula, Dilma e Temer, os aviões que transportavam homens da comitiva presidêncial, bem como a tripulação, não tinham a permissão do Itamarati para serem revistados. O sargento que foi preso na Espanha com 39 kilos de cocaina em seu “container” de mão, já havia participado em de 56 voos de preparação do presidente Lula, 52 da presidentA Dilma e 2 do Temer. Só foi preso agora porque sem comunicação prévia, o governo Bolsonaro retirou a inviolabilidade de bagagens diplomaticas nas comitivas presidênciais. Isso a imprensa não informa.” (reprodução/WhatsApp)

Verdade ou mentira?

Analisando linha a linha do texto, temos nos primeiros parágrafos:

“POR QUE O SGT DA AERONÁUTICA FOI PRESO DURANTE A VIAGEM DO PRESIDENTE BOLSONARO ISSO A ‘IMPRENSA’ NÃO INFORMA”

Alarmista! A mensagem já começa com letras em caixa alta para chamar atenção e criar a sensação de urgência. Além disso, como é de praxe nesses casos, ao dizer que “isso a imprensa não informa” (a palavra imprensa com aspas) o autor também gera um sentimento de conspiração, como se só quem faz parte do grupo que recebeu isso tem posse dessas “informações valiosas”.

No parágrafo seguinte, a mensagem afirma: 

“Durante os governos Lula, Dilma e Temer, os aviões que transportavam homens da comitiva presidêncial, bem como a tripulação, não tinham a permissão do Itamarati para serem revistados.”

Incorreto e impreciso! O major Daniel Rodrigues Oliveira – porta-voz da Aeronáutica Brasileira – disse em resposta à agência de notícias El País que todos os tripulantes e passageiros das aeronaves da Força Aérea Brasileira tenham suas bagagens vistoriadas. No entanto, o major disse que não pode informar se isso ocorreu com os ocupantes da aeronave que transportou a droga.

Ao UOL, a Aeronáutica disse que em voos destinados para o transporte de pessoas, a inspeção das bagagens é feita pelo Gabinete de Segurança Institucional, mas como o voo era de uma aeronave reserva, a checagem das bagagens foi feita apenas pela Força Aérea Brasileira.

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Segundo o que afirmou a própria Aeronáutica, sempre houve inspeção nas bagagens de voos de comitivas presidenciais. Por outro lado, dois ex-ministros da gestão de Dilma Rousseff disseram em entrevistas que nunca foram inspecionados em voos presidenciais.  

No próximo parágrafo, temos:

“O sargento que foi preso na Espanha com 39 kilos de cocaina em seu ‘container’ de mão, já havia participado em de 56 voos de preparação do presidente Lula, 52 da presidentA Dilma e 2 do Temer.”

Exagerado! O sargento Manoel Silva Rodrigues realizou 29 viagens desde a sua primeira, em 2015. Como Lula foi presidente até 2011, é errado afirmar que o militar participou de voos com Lula.

De acordo com a apuração do jornal Estadão, Rodrigues chegou a voar em outra ocasião no mesmo avião que Bolsonaro, além de ter viajado em janeiro de 2018 com Michel Temer para a Suíça e para o Ceará com Dilma Rousseff (em maio de 2016).

No penúltimo parágrafo:

“Só foi preso agora porque sem comunicação prévia, o governo Bolsonaro retirou a inviolabilidade de bagagens diplomaticas nas comitivas presidênciais.”

Falso! O militar foi preso após ter sido pego em flagrante na Espanha. Segundo o que foi informado pelas autoridades espanholas, a detenção do sargento ocorreu durante um controle aduaneiro de rotina realizado no aeroporto de Sevilha, no sul da Espanha.

A rede de notícias ABC da Espanha deu mais detalhes sobre a prisão, que foi feita por policiais espanhóis e a curiosidade foi que o detento disse aos agentes que a droga eram pedaços de queijo (o militar parece não saber que é proibido transportar queijo em voos internacionais).

Outro detalhe é que a Força Aérea Brasileira revelou que fará uma revisão nas normas de embarque somente após a prisão do militar e não antes como o texto afirma. 

E, para finalizar, temos novamente no último parágrafo:

“Isso a imprensa não informa.”

Novamente, o autor tentar criar o senso conspiratório no leitor. Dando a entender que a mídia está escondendo algo que você deveria saber.

Conclusão

A mensagem afirmando que o militar só foi preso após mudanças ordenadas por Bolsonaro é falsa! O sargento da FAB Manoel Silva Rodrigues foi preso na pela polícia espanhola!

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6 Comentários

6 Comments

  1. Peerre Rezende

    2 de julho de 2019 em 12:26

    Bobos e feiqueiros – o que dá no mesmo! – existem em todas as bandas; lamentável estratégia que só contribui para desacreditar ainda mais as redes sociais,criar desavenças e divisões e acirrar os ânimos já tão exaltados. Desprezíveis.

  2. GustavoKP

    2 de julho de 2019 em 13:18

    Eu me faço a seguinte pergunta. Pq o sargente imaginou que conseguiria passar pela fiscalização aduaneira carregando 39kls de cocaína?

    Resposta: ele achou que estaria protegido pela inviolabilidade de bagagem diplomática segundo a convenção de Viena.

    “Por fim, ante as imunidades e privilégios abarcados no presente tópico, é necessário afirmar que os membros da família do diplomata que com ele residirem, bem como os membros do pessoal administrativo e técnico da missão, também haverão de usufruí-las. Nesses termos, dispõe o artigo 37[15] do Decreto nº 56.435/65.”

    • Gilmar Lopes

      2 de julho de 2019 em 13:57

      É que não sei se nesse caso ele se enquadraria como diplomata!

    • Pedro Lucio Ribeiro

      3 de julho de 2019 em 11:38

      GustavoKP, está na cara, está no nome: Sargento Mané! kkkkkkkkkk

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