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segunda-feira, agosto 8, 2022

Checamos as alegações do presidente Jair Bolsonaro contra as urnas eletrônicas!

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Confira aqui no E-farsas a verdade sobre algumas das alegações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro em relação ao processo eleitoral brasileiro!

No dia 18 de julho de 2022, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com 40 embaixadores para, segundo ele, “aprimorar os padrões de transparência das eleições”. Durante sua apresentação – que durou cerca de 45 minutos e foi transmitida ao vivo em algumas plataformas -, Bolsonaro fez inúmeras alegações a respeito de supostas vulnerabilidades das urnas eletrônicas, sem nenhuma prova e com a clara intenção de descredibilizar o processo eleitoral. 

A seguir, vamos mostrar – em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – o que é verdade e o que é mentira nas principais alegações feitas pelo chefe do Executivo durante essa reunião.

1: Apenas 2 países do mundo usam sistema semelhante ao brasileiro

Verdade, mas…

Além do Brasil, vários outros países utilizam urnas eletrônicas em processos eleitorais. Uma consulta ao Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International Idea), que é uma organização independente que acompanha processos eleitorais em todo o mundo, são 28 países que usam sistemas de votação eletrônica em eleições nacionais. Desses países, apenas Bangladesh e Butão utilizam urnas eletrônicas sem a impressão de papel dos votos em eleições gerais. No entanto, em Bangladesh são utilizadas tanto as urnas eletrônicas quanto a votação em cédulas de papel.

Parte da França e dos Estados Unidos utilizam urnas sem impressão para realizar a escolha de seus representantes.

Fizemos um artigo em setembro de 2018 sobre o assunto e um vídeo sobre a segurança das urnas eletrônicas:

O TSE também falou sobre isso aqui:

2: Hackers tiveram acesso a tudo dentro do TSE em 2020

Falso!

Não é verdade que hackers conseguiram invadir o TSE durante as eleições de 2020. Segundo o TSE, o atraso na divulgação dos resultados do primeiro turno aconteceu por causa da demora na entrega de um equipamento usado na totalização.

O desmentido pode ser lido em 3 esclarecimentos disponíveis aqui, aqui e aqui.

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Diversas agências de notícias consultaram especialistas que comprovaram não ter havido vazamento de dados, como a conceituada AFP, que mostrou que os dados “vazados” em 2020 eram de eleições antigas e não tinham nada de vazados.

3: Um hacker pode excluir nomes de candidatos

Falso!

É impossível que um hacker consiga invadir as urnas eletrônicas para excluir, editar ou adicionar algum dado por alguns motivos:

  • As urnas eletrônicas não são conectadas à internet
  • Não possuem nenhuma conexão (wi-fi ou bluetooth)
  • As urnas funcionam isoladamente, conectadas apenas a uma tomada elétrica
  • Os resultados da votação podem ser conferidos através Boletim de Urna (BU) antes mesmo dos dados serem enviados para o TSE

Fizemos um vídeo sobre esse assunto, que você pode assistir clicando no player abaixo:

Aqui nesse artigo, mostramos algumas ações que a Justiça Eleitoral tem feito para deixar as eleições mais seguras.

O TSE também fez algumas publicações esclarecendo essa e outras dúvidas.

4: O inquérito não era sigiloso

Falso!

Ao se referir ao inquérito que investiga uma invasão de 2018 ao sistema do TSE, Bolsonaro mente ao dizer que o inquérito não estava sob segredo de justiça!

O deputado Filipe Barros falou, ao lado do presidente, que o documento era sigiloso durante live apresentada no dia 04 de agosto de 2021:

 

Além disso, a Polícia Federal abriu uma sindicância e a enviou ao STF, onde afirma que Bolsonaro e o deputado Filipe Barros tiveram atuação “direta, voluntária e consciente” ao cometer o crime de vazamento de informações sigilosas. 

5: O PSDB disse que sistema das urnas eletrônicas é inauditável

Falso!

Uma auditoria promovida pelo PSDB, em 2015, não encontrou nenhum indício de fraude nas eleições do ano anterior

O TSE aceitou um pedido do partido para auditar as urnas eletrônicas, com total acesso a dados, arquivos e parte dos programas usados nos equipamentos para uma auditoria externa e nada foi encontrado.

Anos depois, o candidato derrotado naquelas eleições, Aécio Neves, afirmou que havia solicitado a auditoria “só pra encher o saco”.

Segundo o TSE:

“Mesmo sem a impressão do voto, as urnas eletrônicas podem ser auditadas. As verificações, acompanhadas de perto por diversas entidades respeitadas, ocorrem antes, durante e depois das eleições para assegurar o bom funcionamento do sistema eleitoral brasileiro”. 

6: O TSE não imprime voto mesmo com recomendação da Polícia Federal

Falso!

Essa falsa alegação vem sendo espalhada nas redes sociais desde 2018 e mistura alguns dados reais com inverdades. Como explicamos aqui nesse artigo, uma lei foi sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso em 2009, mas foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e não chegou a entrar em vigor.

O TSE também explica em seu portal que testes feitos com urnas de impressão de votos em algumas localidades resultaram em inúmeros transtornos causados por problemas mecânicos e travamento das impressoras usadas para imprimir os registros em papel.

7: Observadores internacionais não conseguirão analisar a integridade do sistema, pois não há voto impresso.

Falso!

Diversos órgãos internacionais especializados em observação, já iniciaram análise técnica sobre a nossa urna eletrônica. Segundo o TSE, os técnicos terão acesso a peritos em informática, com acesso ao código-fonte e todos os elementos necessários para avaliarem a transparência e integridade do sistema eletrônico de votação.

Segundo reportagens de maio de 2022, o Brasil terá um recorde de observadores internacionais na eleição de outubro desse ano

8: Os votos são contados por uma empresa terceirizada

Falso!

Não é verdade que o TSE contratou uma empresa terceirizada para contar os votos. Mais detalhes aqui e também aqui.

O repórter André Shalders, citado por Bolsonaro durante sua apresentação do dia 18, explicou no seu perfil do Twitter como uma reportagem sua foi usada indevidamente pelo presidente. Shalders explica que a Oracle fornece equipamentos para a totalização dos votos, mas as máquinas ficam no TSE, que é o responsável por tudo: 

9: O Ministro Fachin foi advogado do MST

Falso!

Apesar dessa alegação não atacar diretamente as urnas eletrônicas e ser irrelevante para o debate, vamos deixar registrado aqui que o ministro Luiz Edson Fachin nunca foi advogado do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra). 

10: O TSE disse que números podem ter sido alterados em 2018

Indeterminado!

Não encontramos nenhuma comprovação de que o TSE tenha feito tais afirmações!

 11: O TSE não acolheu as sugestões das Forças Armadas

Falso!

Conforme documentado pelo TSE, das 44 sugestões apresentadas pelas Forças Armadas, 32 foram acolhidas, 11 ainda serão estudadas para o novo ciclo eleitoral (2023-2024) e apenas uma foi rejeitada. 

Nesse link estão detalhadas as melhorias tomadas pelo TSE após reuniões com as Forças Armadas. 

12: Urna autocompleta voto

Falso!

Já fizemos alguns desmentidos a respeito dessas alegações totalmente falsas, como essa que mostrava a urna mostrando o candidato do número 13. Na ocasião, comprovamos que o vídeo era falso!

Vamos supor que um hacker que conseguisse invadir as urnas eletrônicas (o que é impossível, sabendo-se que o equipamento não é conectado a nenhuma rede). Seria melhor ele mudar os votos escondido do eleitor ou mostrar as alterações para que todos vissem?

13: A PF disse que o TSE é um queijo suíço, uma peneira

Indeterminado!

Entramos em contato com o TSE, que nos informou que:

“A Justiça Eleitoral não tem conhecimento de tal afirmação feita pela Polícia Federal”.

De fato, não encontramos nenhuma prova de que essa declaração tenha sido feita pela PF.

Conclusão

Esse artigo permanecerá aberto para receber futuras atualizações!

Bônus

O excelente Desmentindo Bolsonaro fez um apanhado em vídeo sobre algumas das alegações falsas feitas pelo presidente nessa reunião:

Leitura adicional 

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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