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sábado, dezembro 4, 2021

Exposição Santander-Queermuseu tinha espaço para crianças se tocarem?

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Será verdade que um exposição patrocinada pelo banco Santander tinha espaço aberto para as crianças se tocarem nas genitálias para que “alterassem a percepção de gênero”?

Notícia acompanhada de fotos afirma que a exposição polêmica Santander-Queermuseu tinha espaço onde as crianças vendadas vestiam trajes interligados e eram obrigadas se tocarem umas nas outras através de aberturas nas roupas, para que sentissem a genitália alheia e alterassem a percepção de gênero!

Várias publicações indignadas no Facebook e em outras redes sociais se espalharam no dia 12 de setembro de 2017 condenando essa forma de arte que, segundo alguns, seria um claro movimento de exposição precoce da sexualidade para as crianças!

Abaixo, uma das fotos das crianças participando da instalação, durante a Santander-Queermuseu, mas será que essa notícia é verdadeira ou falsa?

Será que isso é verdade? (foto: Reprodução/Twitter)

Verdade ou farsa?

A exposição Santander-Queermuseu  – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira estava em cartaz durante quase um mês no Santander Cultural, em Porto Alegre, e foi cancelada no dia 10 de setembro de 2017 depois de protestos feitos nas nas redes sociais de pessoas que se queixavam de que algumas das obras desrespeitam símbolos religiosos, além de fazer apologia à zoofilia e pedofilia.

Acontece que o assunto foi um dos mais comentados nos últimos dias na web, o que fez com que vários boatos surgissem e se espalhasse através das redes sociais…

Uma delas foi a que afirmava que as crianças eram vendadas e praticamente obrigadas a entrar em trajes especiais, com várias aberturas e interligados entre si, onde podiam (e deveriam) tocar nas partes íntimas umas das outras, para que pudessem “alterar as suas percepção de gênero”.

Logo de cara, descobrimos que a imagem usada na notícia espalhada pelas redes sociais não é dessa exposição, mas de uma instalação de 1967 chamada “O Eu e o TU”, da artista Lygia Clark (falecida em 1988), como podemos ver nesse artigo de 2006 da revista IstoéGente.

Na foto original é possível ver que, na verdade, são adultos que estão dentro dos trajes:

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Foto: Reprodução

O filho da artista Lygia Clark, Alvaro Clark, que administra as obras da mãe através de uma associação cultural, disse em entrevista que a obra “O Eu e o TU” foi feita para para ser manuseada, mas na exposição Queermuseu a obra só podia ser observada (pois estavam vestindo manequins). Alvaro ainda explicou que, mesmo que a obra pudesse ser vestida, os macacões são grandes demais para que crianças as vestissem e não há zíperes nas áreas dos órgãos sexuais e tampouco contato direto com a pele.

Na foto abaixo, tirada no local da exposição pelo fotógrafo Roger Lerina, a serviço da Folhapress, podemos ver que os trajes estavam mesmo vestindo manequins:

Foto: Reprodução/Roger Lerina/ Folhapress

Conclusão

Na exposição Santander-Queermuseu não tinha um espaço reservado para crianças se tocarem! Notícia falsa!

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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29 COMENTÁRIOS

  1. Ah mas que vergonha. Tinha que ser um bolsonário… Eu particularmente tô pegando nojo de gente mentirosa, desonesta, manipuladora.

    Tô limando esse pessoal da minha vida, só me relaciono com quem tem caráter honesto, íntegro. Até meu namorado que compartilhava boatos assim no Zap eu acabei. Parente no facebook, no twitter, bloqueados.

    Não dá pra continuar dando visibilidade, atenção, popularidade, pra essa galera desonesta. Esse comportamento tem que ser inibido, não reforçado.

    Alias… Acho que o que fizeram foi calúnia, a acusação de pedofilia, depredação numa agência lá que picharam a fachada toda. Calúnia é crime previsto em lei. Esses criminosos vão ficar impunes?

  2. Que lixo de matéria hein E-Farsas. Vocês pegaram a foto, fingiram que fizeram um trabalho investigativo e ficaram só em cima disso. Não estou dizendo que não é fake ou que é. O fato é que o que estava sendo compartilhado é uma matéria do site do jornal ZeroHora escrita pelo próprio curador do Queermuseu (Gaudêncio Fidelis) onde ele fala dessa obra da Lygia Clark (toda essa besteira que vcs escreveram ele já fala lá). E independente do que o filho da Clark explica ou o que for, no texto ele fala dos zipers e de participantes vestirem-as.
    Realmente não há nada sobre crianças, o pessoal que compartilhou deduziu isso já que a exposição permitiu a entrada de crianças. Embora tenha que ser uma criança com uma estatura maior para caber nas roupas.
    Se teve ou não…se o texto é de autoria dele mesmo ou não é outra história, mas que a matéria aqui foi pobre demais foi.

    • Não entendi seu comentário! Você inicia falando que a matéria foi um lixo, mas acaba concordando com cada ponto do nosso artigo… vamos analisar o seu comentário parágrafo por parágrafo:
      “Que lixo de matéria hein E-Farsas.”
      Discordo de você, mas gosto não se discute. Algumas pessoas gostam, outras não!
      “Vocês pegaram a foto, fingiram que fizeram um trabalho investigativo e ficaram só em cima disso.”
      Isso o parlamentar nem teve o trabalho de fazer! Ele sequer teve a responsabilidade de ver as fotos da exposição. Se tivesse feito isso, já teria visto que a postagem dele ia ser errada!
      “Não estou dizendo que não é fake ou que é.”
      É fake, sim! Nenhuma criança estava sendo obrigada a tocar a genitália da outra! Essa afirmação não foi feita pelo curador do museu em momento algum!
      “O fato é que o que estava sendo compartilhado é uma matéria do site do jornal ZeroHora escrita pelo próprio curador do Queermuseu (Gaudêncio Fidelis) onde ele fala dessa obra da Lygia Clark (toda essa besteira que vcs escreveram ele já fala lá). E independente do que o filho da Clark explica ou o que for, no texto ele fala dos zipers e de participantes vestirem-as.”
      Não há menção a crianças nas declarações do curador! Mesmo que tivesse, cabe ao respeitado vereador verificar junto com a sua equipe se uma informação é verídica antes de espalhar boatos na rede.
      “Realmente não há nada sobre crianças, o pessoal que compartilhou deduziu isso já que a exposição permitiu a entrada de crianças. Embora tenha que ser uma criança com uma estatura maior para caber nas roupas.”
      Então… Concordamos, né? Minha matéria aqui no E-farsas até que parece não ser tão lixo assim…
      “Se teve ou não…se o texto é de autoria dele mesmo ou não é outra história”
      A conclusão do nosso artigo foi bem clara: Não houve crianças sendo obrigadas a tocar nas partes íntimas umas das outras e em momento algum afirmei que o vereador Carlos Bolsonaro tinha inventado isso! Portanto, nosso artigo cumpriu a sua função!3
      “[…]mas que a matéria aqui foi pobre demais foi.”
      Mais uma vez, questão de gosto! Achei que a matéria esclareceu que não houve nenhum caso de crianças usando esses trajes. Seria bom se quem inventou essa história mostrasse algum vídeo ou foto das crianças usando o traje para provar que essa notícia é real.

        • não, não foi uma excelente resposta…Porém, a matéria é uma demonstração de apoio à uma afronta aos direitos transindividuais e coletivo, pois esta ofensa da arte desrespeita outras religiões, faz apologia à exploração sexual de crianças e adolescentes, que alias é o meio de distração de marginais e perversos que tiram o que as crianças tem de mais sublime que é a inocência…Como diria meu professor, tudo é justificável, mas não aplausível…

      • kkkkkk….não leram nem o jornal do autor da exposição que promove a pedofilia…kkkk…e-farças tornou-se fakenews nem consulta primeiro as fontes, a vontade ideológica é maior que averiguar os próprios fatos….kkkkkk

        • Em primeiro lugar, é “E-farsas” com “S” e não com “Ç” e, em segundo, onde tá escrito que o autor da exposição disse que crianças seriam obrigadas a serem vendadas e a tocar a genitália umas das outras? Não achei em lugar nenhum!

        • ~~a vontade ideológica é maior que averiguar os próprios fatos~~
          Fatos existem para escolhermos só aqueles que se adequam à nossa ideologia. Usar eles para reforçar o que acreditamos. Não é a toa que defendemos nossos ídolos, mesmo quando estão claramente errados. Poder é o nosso objetivo, verdade não importa.

  3. Olá! Excelente matéria (como sempre). Viram uma matéria que está rolando agora sobre zoofilia alegando que o MEC estava pedindo para alunos escrever redações a partir de uma imagem com esse tema? Conteúdo passado no face.

      • Caro Gilmar, preciso saber qual remédio calmante você toma para não surtar ao ler tanto disparate. Eu sinceramente espero que essas pessoas estejam só de zoação na net, matando o tempo. Se elas estiverem falando sério, espero sinceramente que essas figuras sejam uma pequena minoria diante de uma maioria que se silencia. Agora, se essas teorias de conspiração representarem a opinião da grande maioria, acredito que somente o meteoro ou o apocalipse zumbi pra nos salvar uns dos outros. Não gosto nem de pensar o que vai rolar durante as próximas eleições.

        • Estou acostumado! Acho que no caso desse artigo o que deixou muita gente brava é que usei um print do vereador Carlos Bolsonaro pra ilustrar a matéria!

  4. Esta reportagem está cheia de omissões. Foi o curador quem prometia aos visitantes que eles teriam o espaço para se tocarem, em matéria publicada no Zero Hora, jornal de Porto Alegre.
    Também foi ele quem usou a imagem “de uma instalação de 1967”. Todos os sites partiram da imagem fornecida pelo próprio curador.

    Além disso, a exposição era VOLTADA a estudantes, como pode ser lido no edital. Se alguém mentiu, esse alguém foi o curador. Se alguém espalhou uma mentira, foi ele, ao promover e convidar os participantes.

  5. E ESCREVER TUDO EM CAIXA ALTA TE DEIXOU RETARDADO, idiota.

    E ainda não acertou escrever FARSAS corretamente, hein? Além de idiota e retardado, é um analfabeto!

  6. Não me parece real essa de crianças se tocarem nessa exposição de horrores, mas, há fotos na imprensa, é real, que crianças foram levadas por certos professores, sem conhecimento ou permissão dos pais, para ver essa exposição com imagens de sexo oral, anal, zoofilia, além do desrespeito a fé popular (vilipendio de objeto de culto religioso). E havia tambem imagem onde se lia “criança viada travesti da lambada”, claro desrespeito as crianças. .. E não houve censura, nada foi proibido, houve democráticos e civilizados protestos por parte do povo, que sensibilizaram o banco organizador da exposição, que decidiu encerrar a mesma.

  7. O problema cotidiano não é somente o que foi abordado acima, mas o ponto fulcral seria o papel & o Zeitgeist da arte na sociedade contemporânea:
    E há sim que ter critérios e não se pautar por relativismo exacerbado.

    Por exemplo:
    E tal ponto fulcral não é a nudez em si.
    Gosta-se de arte cujo tema é nudez.
    Seres-humanos apreciam milenarmente arte de nudez clássica.
    Seja foto,
    Pintura de Renoir,
    Filme,
    Desenho,
    HQ de Milo Manara,
    Arte grega,
    Pintura clássica do Renascimento,
    Performance,
    Capela Sistina,
    Peça de teatro,
    A esquerdalha — Kitsch, baranga, petista, psolista, cafona, de mau gosto, bregona, e jornalistas-supostos-moderninhos [ao estilo do uspiano Eugênio Bucci] querem desviar do assunto e dizer, afirmar que se está contra a nudez: Não. Isso é para nos tachar e, também, intimidar. O corpo nu é belo, sintetizemos, como pôr-do-sol.
    1.
    O problema é a picaretagem. O engana-trouxa. A indústria cultural; a cultura de massa. O lixo de certa suposta pseudoarte contemporânea, quando é de real mau gosto. Pornografia em vez de arte: 2 conceitos diferentes.
    Consumo passivo de lixo. E é disso que se trata quem se posicionou contra aqueles 2 lixaços: parte da exposição de Porto Alegre [mistura-se arte autêntica com o vigarismo propositalmente, pra confundir e ludibriar via linguagem e narrativa posteriormente] & em bloco a do MAM.
    2.
    A outra questão é usar nosso imposto pra financiar picaretagem, embuste, vigarice mesmo com a normativa do MAM (mesmo sendo espaço de autoridade artística e acadêmica).
    Bom, é como pichação [rsrsrs]: nunca será arte.(…)”

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