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terça-feira, novembro 30, 2021

Vazaram documentos da OMS sobre as novas cepas da COVID-19?

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É verdade que a Organização Mundial de Saúde já tem um cronograma para soltar novas variantes do coronavirus para os próximos anos?

O documento que teria vazado da OMS se espalhou nas redes sociais no final de setembro de 2021, como nessa postagem feita em grupos do Facebook a partir do dia 28 de setembro de 2021, e mostra o que parece ser uma planilha com letras do alfabeto grego ao lado de datas.

De acordo com o texto que acompanha a imagem, uma radialista norte-americana chamada Michele Moore teria vazado o documento na Organização Mundial de Saúde, cujo conteúdo seria um cronograma de futuras cepas do coronavírus. O intuito da OMS com a invenção dessas novas cepas, segundo o que se espalhou, seria o de forçar a vacinação periódica, o que – ainda segundo o texto – encheria as pessoas de óxido de grafeno para conectá-las ao 5/G.   

Será que isso é verdade mesmo?

Documento que teria vazado da OMS mostra que a instituição tem a intenção de inventar variantes do coronavirus até 2023 para forçar a vacinação! Será verdade? (foto: reprodução/Facebook)

Verdade ou mentira?

Em junho de 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou as nomenclaturas das novas variantes do novo coronavírus. A ideia da instituição foi a de usar letras do alfabeto grego como forma de tornar as nomenclaturas simples, fáceis de se pronunciar e de lembrar.

Além disso, atribuir uma letra às novas cepas da doença contribui também para não estigmatizar a região onde a variante foi descoberta (você com certeza deve ouvir até hoje um ou outro chamando o novo coronavirus de “vírus chinês”). O governador de um estado brasileiro (Sergipe por exemplo) que descobre uma nova variante na sua região poderia ficar receoso de informar às autoridades sanitárias a descoberta, pois ela poderia ficar conhecida como “o vírus sergipano”…

Para chegar à decisão de nomear as novas variantes da COVID-19, a OMS reuniu um grupo de especialistas parceiros de todo o mundo, incluindo especialistas que fazem parte dos sistemas de nomenclatura existentes, especialistas em nomenclatura e taxonomia de vírus, cientistas e autoridades nacionais.

O que são as variantes?

Os vírus são organismos que sofrem modificações naturalmente quando se replicam. Uma cepa é uma variante que se constitui e se comporta de maneira diferente em relação ao vírus original. Com a disseminação do novo coronavirus no mundo todo, mais cedo ou mais tarde novas versões desse vírus iam aparecer (que foi o que aconteceu e continuará acontecendo).

A lista é real?  

Dito isso tudo, vamos ao conteúdo do “documento vazado”. Trata-se de uma grande mentira requentada, de alguns meses atrás. Como mostrado pelo site português Observador, em julho de 2021, essa mesma história já era compartilhada nas redes sociais dos usuários portugueses. 

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Os órgãos citados no tal documento negaram terem participado da confecção dessa lista, que está sendo compartilhada e cheia de erros.

Logo de cara, podemos ver que a lista aponta erroneamente que a variante Delta teria sido “inventada” pela OMS em junho de 2021, mas basta uma busca rápida no Google pra gente descobrir que cientistas já haviam encontrado ocorrências dessa cepa em maio de 2020. Na época (antes da definição de nomenclaturas da OMS), ainda era chamada de B.1.617.2.

Quanto à variante Epsilon, a lista afirma que ela havia sido “inventada” pela OMS apenas em julho de 2021. No entanto, ela foi identificada na Califórnia um ano antes.

Atualmente, a OMS acompanha o comportamento de 4 variantes de preocupação: a alpha, beta, gama e delta, além de mais quatro variantes de interesse (a eta, iota, kappa e lambda).

A vacinação vai te encher de óxido de grafeno e te conectar ao 5G?

O óxido de grafeno é uma forma de carbono que possui, dentre várias características, uma ótima condutividade elétrica e já é usado em pesquisas na área da saúde. Essa matéria do Jornal da Unicamp, de março de 2017, mostra que esse nanomaterial pode ser promissor no tratamento de certos problemas neurológicos. 

No entanto, nenhuma das vacinas usadas atualmente no controle do surto da COVID-19 no mundo contém óxido de grafeno. Além disso, mesmo que houvesse o tal grafeno nas vacinas, não há nenhuma forma de ligar isso ao sinal de celular 5G (que, aliás, nem está disponível ainda no Brasil).

Conclusão

A lista que circula nas redes sociais com variantes que ainda seriam “inventadas” nos próximos anos pela OMS para forçar as pessoas a tomarem mais vacinas é falsa! Pelo menos 9 das variantes listadas já foram catalogadas nos meses anteriores.  

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Gilmar Lopes
Gilmar Henrique Lopes é Analista de Sistemas. Trabalha com PHP e banco de dados Oracle e é especializado em criação de ferramentas para Intranet. Em 2002, criou o E-farsas.com (o mais antigo site de fact checking do país!) que tenta desvendar os boatos que circulam pela Web. Gilmar também tem um espaço semanal dentro do programa “Olá, Curiosos!” no YouTube e co-apresenta o Fake em Nóis ao lado do biólogo Pirulla!

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3 COMENTÁRIOS

  1. eu queria saber desse povo que acredita nisso o seguinte, se fosse possível conectar uma pessoa a um sinal 5g e ai? o que aconteceria? Pq nos já somos expostos a radiofrequencias diariamente, seja por nosso computadores, seja por nosso celulares mas ai vem o conspiracionista politizado e crentelhizado e diz que, seremos conectados ao sinal de celular mas E AI?, tocaremos musica, veremos em nosso olhos imagens? o que dói é ter gente que acredita

  2. Quem dera isso ajudasse a conectar ao 5G. Aqui muito mal uso o 3G. Se viesse com um pacote de dados acima de 5GB a um preço honesto eu me vacinaria umas 10 vezes.

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